🇨🇮✍️ A emocionante carta aberta de Yan Diomande à sua irmãzinha, publicada pel The Players’ Tribune:
Querida Roxane,
Lembra quando alguém comprou uma camisa falsa do United para mim, e eu escrevi “Ronaldo 7” nas costas com um canetão preto? A gente não sabia o que era rico ou pobre. A gente só conhecia a felicidade.
Lembra das 25 pessoas dormindo em uma casa só lá em Abidjan? A mãe queria assistir às novelas dela. Todo mundo queria assistir filmes. Lembra como eu sempre fingia que estava dormindo e depois ia para a sala da TV depois da meia-noite? Eu colocava a TV bem baixinha. Tipo, só duas barrinhas de volume. Eu assistia futebol no escuro e sonhava.
Lembra quando os adultos me viram jogando futebol na terra e me deram o apelido de “Roberto Carlos” por causa da força com que eu chutava? E lembra como eu ficava secretamente com tanta raiva disso, porque o CR7 era o meu ídolo?
Lembra quando eu fui jogar tão longe de casa? Eu tinha 9 anos. Inter Foot Sud Comoé, lá perto da fronteira com Gana. Só um garotinho sozinho. Não sei se algum dia te contei essa história, mas eu e as outras crianças costumávamos ir até a vila e roubar batatas porque estávamos com muita fome. A gente fazia um “assalto a banco”. Duas crianças distraíam o dono da loja, e outras 18 saíam correndo com duas batatas. Elas nem eram boas. Mas tinham um gosto incrível. Hahahah. Até hoje é minha coisa favorita para comer. Batatas cozidas com um pouco de óleo. Isso me lembra daqueles tempos.
Lembra quando ganhei minhas primeiras chuteiras de verdade, e eu dormia com elas? Crescendo, eu sempre jogava com aquelas sandálias brancas de plástico. Mesmo quando volto para casa agora, ainda jogo com elas. É a nossa tradição.
Lembra quando eu voltava para casa, e você dizia aos meus amigos do bairro: “Por que vocês pararam de treinar? Yan não vai comprar carros para vocês. Vocês precisam continuar trabalhando.” Você tinha 10 anos, e já era minha agente.
Lembra como a gente sentava e sonhava em se mudar para a França? Como a gente iria fazer compras, ter nosso próprio apartamento, e eu seria um jogador rico, com carros e uma casa grande, e você não precisaria se preocupar com nada. Você era a pessoa que sempre acreditou que eu poderia ser o próximo Cristiano, quando todos os outros riam.
Lembra quando eu me mudei para os Estados Unidos para fazer o ensino médio, aos 15 anos, e senti tanta saudade de casa? Durante meses eu não entendia o que ninguém dizia. Me colocaram sentado ao lado de um garoto francês, e ele tentava traduzir tudo o que a professora falava. Lembra quando eu te liguei dizendo: “Você não vai acreditar, as crianças aqui discutem com os professores.” Lá em casa, você sabe, a gente nem ousaria piscar para os mais velhos.
Lembra quando eu não conseguia acreditar que os meninos fumavam depois da escola? Você costumava dizer que parecia que eu estava em uma série de TV americana.
Lembra quando me levaram para fazer testes no Bournemouth? No Chelsea, Rangers, Olympiacos, Crystal Palace? Eze e Olise chegaram até mim depois de um treino e disseram: “Ei, garoto, você é muito bom.”… mas, mesmo assim, não me contrataram.
Até os times B da MLS não me quiseram. Eu nem sabia o motivo. Eles nunca me deram uma razão. Os adultos cuidavam de tudo. Eles só continuavam me levando pela Europa inteira, e todo mundo continuava dizendo não.
Meu visto acabou. Meu sonho acabou. Eles me mandaram de volta para a África, e nós choramos juntos. Você foi a única que nunca deixou de acreditar. Algumas semanas depois, assinei com o Leganés, e choramos lágrimas diferentes.
Isso foi na época em que eu ainda tinha emoções. Agora, eu não sinto nada. É como se eu nem fosse humano. Desde que você morreu, eu sou só um vazio.
‼️ Você sabe como anda a Lei Geral do Esporte, que iria modernizar e proteger o esporte brasileiro?
@gabrielcoccee entrevistou juristas, gestores e políticos para entender como anda a análise dos vetos, o prejuízo jurídico que esporte vive e que caminhos são possíveis para melhorar a lei.
Nesta semana, o @leiemcampo publicou quatro reportagens que tratam exatamente disso: dos desafios que precisamos enfrentar para proteger o esporte brasileiro.
➡️ *- Capítulo 1: A lei que não chegou a vigorar por inteiro* - https://t.co/JztkgcPN8T
➡️ *- Capítulo 2: Quando o veto vira risco: efeitos sobre o Direito Desportivo* - https://t.co/RJKRRoZlsO
➡️ *- Capítulo 3: Como anda a discussão no Congresso* - https://t.co/4TSaPJaLz4
➡️ *- Capítulo 4: O que fazer agora? O caminho para resgatar a LGE* - https://t.co/kvmo9iOsZm
Felipe Anderson:
- Sabemos que tivemos altos e baixos na temporada, o futebol brasileiro é uma maratona muito longa. Infelizmente os últimos jogos não saíram como planejado. Agora é seguir, temos um jogo importante para fazer história.
Carlo Ancelotti, o técnico mais vitorioso da história da principal competição de clubes do planeta — sem falar de títulos nas grandes ligas europeias —, tendo que escutar provocações de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira.
É rir para não chorar.
- O Palmeiras nunca tinha revertido uma vantagem de três gols na Libertadores
- A LDU nunca tinha sofrido uma reviravolta depois de abrir três gols na Libertadores
- Nunca na história da competição uma reversão desta natureza ocorreu
- A LDU não perdia por pelo menos três gols de diferença há mais de três anos
Tudo que o Palmeiras derrubou hoje nessa emblemática classificação!
Que noite!
Abel Ferreira, na noite em que completa cinco anos de Palmeiras, responde com classificação e lágrimas aos que há pouco tempo decretaram que ele não servia mais para o clube. Sendo campeão ou não, o técnico deixou claro que o seu legado é nunca desistir.
Não existe asterisco nessa virada. O que o Palmeiras fez é foda, é raro e é gigante. Tentar diminuir isso falando do adversário é passar muito recibo. Os caras fizeram algo inédito na história da Libertadores. Ponto.
Um nojo! Para dizer o mínimo.
Lutaram pra pagar pouco às famílias. Lutaram pra apagar a tragédia da memória (episódio ignorado no museu do clube). Lutaram pra blindar os culpados. Lutaram por tudo… menos pela vida das crianças e pelo respeito às famílias delas.