"Poodle". "Macaco". “Não tem cabelo de advogado”. “Cabelo de bombril”. “Cabelo ruim”. “Penteia esse cabelo”. “Você deveria raspar”. Esses são apenas alguns dos comentários que recebi nos últimos anos.
E o que me chama atenção é que muitos desses ataques vieram justamente de pessoas brancas que afirmam sofrer preconceito racial por conta de sua religião.
Para mim, ouvir esse tipo de coisa tem um peso muito diferente, porque não se trata de algo novo. São ofensas que me acompanham desde a infância.
Durante anos, fui levado a acreditar que meu cabelo precisava ser escondido, controlado ou eliminado. Mantive-o raspado ou o mais curto possível por grande parte da minha vida.
Foi apenas durante a pandemia que tive a oportunidade de me reconectar com ele. Pela primeira vez, pude conhecer meu próprio cabelo, deixá-lo crescer, aprender a gostar dele e compreender o significado que o cabelo crespo possui para tantos brasileiros afrodescendentes. Foi também um processo de reconexão com minha ancestralidade, com minha história e com uma parte de mim que durante muito tempo me ensinaram a rejeitar.
Por isso, quero deixar algo muito claro: quem usa meu cabelo para me atacar não vai me fazer abandonar quem eu sou. Eu não vou alisar meu cabelo para agradar ninguém. Eu não vou raspá-lo para me encaixar na expectativa de ninguém. Se um dia eu mudar meu cabelo, será por vontade própria, não por pressão ou preconceito.
Meu cabelo não define minha capacidade profissional, acadêmica ou intelectual. Minha trajetória fala por si. Tenho formação acadêmica sólida, especializações, pesquisas, artigos publicados e textos em diversos veículos de comunicação. Construí tudo isso com dedicação, estudo e trabalho.
Quem tenta me diminuir por causa da minha aparência revela muito mais sobre si mesmo do que sobre mim.
Meu cabelo afro não é motivo de vergonha. É parte da minha história, da minha identidade e das minhas raízes. E continuará sendo usado com orgulho.
🚨ALCOMASTER? A Veja expôs que o presidente do Senado Davi Alcolumbre teria recebido R$ 150 MILHÕES de Vorcaro, do Banco Master. Será esse o motivo de tanta dança do Barão da Travadinha?
Eu venci através da educação. Eu venci porque eu acreditei e vou continuar acreditando pra sempre.
Muitas pessoas falaram que eu venci por conta do Big Brother ou por outros motivos. E eu sei que o Big Brother foi uma parte importantíssima na minha vida, mas a verdade é que sem a educação, a minha mãe, os meus professores e os amigos que seguraram minha mão enquanto eu morava em outro país, eu nada seria.
Só quem estava próximo a mim sabe o quanto foi difícil, quantas vezes eu chorei e quantas vezes eu pensei em desistir.
Mas se tem uma coisa que eu aprendi com a minha família e meus amigos é que desistir nunca será uma opção e que a educação sempre será minha primeira opção. ♥️🎓
@SouReferencias Vou mandar pra família e dizer que prefiro esse presente à cuecas e meias. Troco essa cozinha para me abster de falar e pesar o clima nas reuniões familiares.