Em 1955, médicos iranianos documentaram os dias de um aldeão que desenvolveu raiva após um ataque de um lobo raivoso. O filme resultante continua sendo uma das poucas gravações históricas da raiva progredindo em um paciente humano.
Quando a federação do Uruguai contratou Marcelo Bielsa para dirigir a seleção, os riscos eram evidentes. É um treinador de extremos, nos mais variados sentidos. O amor que recebeu de boa parte de suas torcidas e de seus admiradores é proporcional ao ódio que tantas vezes suscitou, em alguns times que passou e nos seus viscerais críticos. E a Celeste terminou a Copa do Mundo da pior forma, em queda livre rumo ao abismo. O trabalho de Bielsa estava bastante desgastado, num vestiário rachado, mas a federação insistiu no pacto. O fim de linha desastroso nada mais é que o retrato da loucura.
Trazer Marcelo Bielsa era uma quebra para o Uruguai, e não somente pelo fato de ser um argentino, o primeiro dos charruas em mais de 20 anos. O estilo de jogo pregado pelo treinador passa longe daquilo que o futebol uruguaio costuma professar. A federação abraçou o risco, em busca de um jogo potencialmente mais atrativo. E o maior rompimento nem era isso, mas a personalidade oposta à de Óscar Tabárez, o responsável pelo renascimento da Celeste. Enquanto o Maestro era um comandante do diálogo, Bielsa convive com o conflito, ainda que muitos soldados aceitem dar a vida por ele.
De início, Bielsa gerou entusiasmo no Uruguai. Promoveu uma renovação que Tabárez, apegado aos seus, não foi capaz de fazer. Conseguiu pegar embalo no início das Eliminatórias e fez a Celeste apresentar um futebol agressivo que prometia novos tempos. Contudo, há um antes e um depois a partir da Copa América de 2024. A campanha at�� as semifinais expôs as rachaduras internas. Parte do elenco não aceitava os métodos de Bielsa. A intransigência do técnico virou também a intransigência da federação ao mantê-lo.
A Copa do Mundo, então, trouxe à tona o pior do Uruguai. Um time desorganizado e, sobretudo, desmobilizado para disputar o torneio. O 1 a 1 contra a Arábia Saudita demonstrou a impotência. Depois, o 2 a 2 diante de Cabo Verde ficou marcado pelos erros de uma equipe que até buscou, mas não foi suficiente. E a derrota para a Espanha é um fracasso. O Uruguai foi um catado. Um time sem qualquer padrão e repertório, que mal ameaçou, na base do desespero – e perdeu a mão no destempero, traço de uma Celeste que parecia ter ficado para trás depois de Tabárez.
Marcelo Bielsa foi um personagem da Copa do Mundo. Mas perdido em seu personagem. As respostas curtas e o olhar evasivo, de início vistos como peculiaridades, na verdade levavam mais ao limite um treinador de difícil trato. Das doses de carisma em momentos da carreira, o argentino soou cada vez mais amargo, como se não quisesse estar ali. Em seu primeiro trabalho por seleções desde o Chile, se distanciou dos motivos que faziam ser adorado na Roja. O motim dentro do elenco antes do jogo decisivo, com jogadores exigindo outras táticas, escancarou a falta de diálogo na Celeste. Foram 90 minutos que beiraram o surrealismo, entre a manutenção de Fernando Muslera que resultou no mais cantado frango e a substituição do capitão Federico Valverde, outro que se perdeu na incapacidade.
Bielsa é um dos treinadores mais influentes do futebol nas últimas três décadas. O impacto de suas ideias é inegável, pela forma como influenciou outros tantos colegas. Contudo, o talento na teoria se perdeu cada vez mais numa prática inviável. Uma biografia nada linear teve seu capítulo mais turbulento. Que Bielsa tenha seus bons momentos pontuais à frente de equipes, os últimos dois anos de trabalho no Uruguai reuniram todos os elementos possíveis das vezes em que implodiu. Sozinho, conseguiu extrapolar seu próprio extremo. Sobrou apenas o caos.
Escrevi esse texto em 2019 sobre Marcelo Bielsa.
Minha opinião sempre foi a mesma: um professor brilhante, capaz de treinar os melhores técnicos do mundo. Capaz de grandes reflexões.
Como treinador, simplesmente péssimo. A culpa é sempre dos outros.
https://t.co/XzavUb7udO
A queda do Bielsa no Uruguai é o que o Francis Fukuyama definiu uns 40 anos atrás como “o fim da história”
É a queda da utopia. O fim do sonhar. A aceitação que o mundo real venceu a proposta do que poderia ter sido. Algo tão bom que obviamente acabaria em tragedia.
BIELSA
Em 1998, perguntado pela imprensa sobre a Copa, Bielsa reclama da falta de organização coletiva das equipes, do excesso de jogadas individuais no Brasil, e dá a cara do que ele seria como técnico da seleção argentina: o primeiro dos técnicos protagonistas e abusivos.
🇪🇨 A emoção do técnico Beccacece após o gol de Gonzalo Plata, que virou o jogo contra a Alemanha e classificou o Equador para a 2ª fase da Copa do Mundo!
🎥 @CazeTVOficial
أول مرة بحياتي أشوف مختص تقني يشرح مشكلة تقطيع الـ IPTV بطريقة واضحة وحل فعّال .
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الطريقة فادتني جداً في مشاهدة كأس العالم❤️
فضلوها وطبقوها رح تفيدكم وعفواً مقدماً
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A comemoração das Freiras do Mosteiro Santa Maria dos Anjos no momento do gol do Matheus Cunha na partida contra Escócia!
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o clima nas ruas nas horas que antecedem um jogo da seleção é loucura, parece que tá acontecendo o apocalipse kkkkk todo mundo correndo apressado pra chegar em casa/no bar, trânsito caótico, gente gritando
É COPAA