>não seja eu
>corto meu cabelo há anos no mesmo barbeiro
>sou o cliente mais fiel
>primo abre uma barbearia
>resolvo cortar meu cabelo lá na inauguração
>só pra dar uma moral
>durante o corte, tenho um mau pressentimento
>olho pra vitrine da barbearia
>vejo meu barbeiro me observando com os punhos fechados
>quase levanto pra explicar a situação pra ele
>mas lembro que não devo satisfação pra ngm
>ignoro ele
>ele me bloqueia no wpp
>sinto vergonha de voltar na barbearia dele
>continuo cortando com meu primo
>o mlk manja
>certo dia o corte fica uma m3rd4
>não reclamo, acontece
>na próxima vez fica ruim tbm
>''tá bom?'' ele pergunta
>''sim...'' minto
>não sei se ele tá tirando com a minha cara
>passo meses cortando o cabelo com barbeiros diferentes
>todos os cortes ficam uma b0st@
>não entendo
>aniversário do meu primo barbeiro
>ele faz um churrasco na casa dele
>família reunida
>vou no banheiro do corredor
>já tem gente
>sei que meu primo tem um banheiro no quarto
>entro
>vejo um livro gigante ao lado da cama dele
>leio o título
>''a irmandade dos barbeiros''
>abro
>vou passando as páginas
>vejo vários textos sobre o legado dos barbeiros
>chego no tópico das regras
>leio algumas
>''honrarás a lâmina''
>''respeitarás o bigode alheio''
>''não dirás confia em vão''
>e etc
>chego em um tópico chamado ''traidores''
>''nenhum cliente que trair seu barbeiro merece um corte digno''
>tem uma lista enorme de nomes
>o mais recente é o meu
>a porta do quarto abre
>primo entra
>me vê com o livro na mão
>''desculpa Anderson...''
>''eles disseram que você é um traidor''
>''eu não podia cortar seu cabelo bem se quisesse entrar na irmandade'' ele diz
>''EU SOU SUA FAMÍLIA'' digo
>''OS BARBEIROS SÃO MINHA FAMÍLIA'' ele responde