Enquanto “unir a direita” significa puxar saco da família Bolsonaro e passar pano para seus escândalos, só os oportunistas - em busca de cargos, verbas e monetização - se submetem a esse papel, além das massas de manobra.
E quanto mais eles se submetem, mais escândalos precisam ignorar, relativizar e acobertar, para não levarem a pecha de “traidores”, historicamente atribuída por populistas autoritários a todo indivíduo que demonstre ter fibra para escolher o caminho da ética pessoal, em detrimento de qualquer vantagem imediata decorrente da cumplicidade.
Do histórico de funcionários fantasmas em gabinetes à relação financeira escondida com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, passando pela sabotagem da Operação Lava Jato, da CPI da Lava Toga e do combate à lavagem de dinheiro, além da estupidez na pandemia, nas iniciativas para reverter o resultado eleitoral e na celebração do tarifaço dos EUA, os Bolsonaro ofereceram numerosas portas de saída a quem tem resquícios de princípios morais e não se deixa idiotizar e sujar completamente a pretexto de combater a sujeira do outro lado, ademais fortalecido pela imundície da própria família.
Os núcleos do partido Novo que sabotam a pré-candidatura de Romeu Zema, após o ex-governador de Minas Gerais ter ousado ensaiar uma ou outra crítica à relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, são exemplos da submissão oportunista ao bolsonarismo, que, no entanto, foi alimentada pelo próprio Zema ao longo dos últimos 7 anos, durante os quais ignorou, relativizou e acobertou escândalos bolsonaristas.
Da mesma forma, um ou outro comunicador retardatário que parasitou a bolha bolsonarista, faturando com mais seguidores e atuando em veículos instrumentalizados pelo grupo político, agora sente a fúria da turba que alimentou, muito embora já bem mais fraca do que aquela enfrentada por qualquer crítico do PT que tenha apontado na raiz a usurpação do movimento antipetista por uma velha dinastia do Centrão.
A tolerância com a indecência não é ruim apenas como estratégia eleitoral, por abrir flancos ao pré-candidato da situação, como hoje aventa essa gente gelatinosa, mas também como projeto de país, fadado, se tanto, a substituir o armário onde cada presidente guarda seus esqueletos, como o corno que, em vez de buscar opção melhor, só troca o sofá onde foi traído.
A campanha do Renan já é a mais bonita da história do país. Perrengue puro. Sem dinheiro, sem jatinho, somente com trabalho e ideias.
Qualquer pessoa em seu lugar já teria desistido. Ele dobrou a aposta.
Inevitável.
Primeira Turma do STF condena Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, por 4 votos a 0.
O voto do relator Alexandre de Moraes foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, que, antes da discussão sobre a dosimetria, proclamou assim o resultado:
“A Turma rejeitou as preliminares (…) e, no mérito, estabeleceu a condenação do acusado nos termos do artigo 344 do Código Penal.”
O dispositivo prevê o seguinte:
“Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência.”
Os ministros consideraram que Eduardo, nos EUA, atuou para incutir nos julgadores de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o temor de retaliações, incorrendo, portanto, em grave ameaça com o fim de favorecer interesse alheio.