🚨 Resumo da entrevista em que Joel Embiid abriu o coração sobre a vida e sua carreira:
"Eu me importo sobre como vou ser lembrado no basquete, mas não com o que pensam de mim como pessoa. Como ser humano, você não pode falar um 'A' de mim.
Nunca tive muitos amigos. E mesmo com quem sou próximo, não me aprofundo demais nas conversas. Minha família sempre foi quieta, meu pai, minha mãe. Desde pequeno, nunca tive liberdade pra me abrir.
Eu sei que me amam, mas não é amor do tipo: 'Vem cá me dar um abraço'. Isso eu nunca tive.
A forma como me criaram é um dos principais motivos de eu estar aqui, mas não vou criar meus filhos da mesma maneira."
📰 RELAÇÃO COM A IMPRENSA
Embiid é alvo constante da imprensa, e a matéria relembrou o episódio em que ele empurrou um colunista que usou o falecido irmão do Embiid e até seu filho Arthur, para atingir o jogador. A NBA suspendeu Joel por 3 partidas.
"Não ligo se a NBA me multe em 1 milhão, 2 milhões, 5 milhões, 10 milhões. Se ele viesse pra cima de mim, eu empurraria de novo."
Embiid até hoje se culpa por ter deixado o irmão em Camarões para ir jogar basquete nos Estados Unidos. O empresário de Embiid ligou pro jogador na noite em que o irmão (também chamado Arthur) morreu. Joel, enquanto chorava, dizia:
"A culpa é minha. Eu sou um m*rda."
Os familiares de Embiid queriam acompanhar o draft de 2014 juntos, mas ele foi aconselhado a não viajar de avião pois tinha recém operado o pé. Ele ficou em Los Angeles, na casa do empresário, e o irmão Arthur ficou na Costa Leste.
O acidente que tirou a vida de Arthur aconteceu 4 meses após o draft. Ele e Joel não se viam há 3 anos.
"Nunca vai mudar. Eu ainda sinto a dor", admite Embiid.
A confusão com o colunista aconteceu porque alguém no vestiário vazou a informação de que Joel Embiid foi cobrado por Tyrese Maxey devido aos atrasos nos treinos e por desmotivar o elenco. O colunista usou isso para atacar Embiid, citando o irmão e o filho de Joel.
"Eu descobri quem vazou a informação. Mas o passado é o passado. Só vou dizer uma coisa: é difícil estar cercado de pessoas que fazem esse tipo de coisa. Aí eu volto no assunto da confiança. Se você trai a minha confiança, não participo mais das reuniões da equipe."
Fica evidente que foi um jogador do elenco.
Repórter da ESPN: "Parece então que essa pessoa ainda está no elenco."
Embiid: "Não sei".
Repórter: "Qual foi, Joel. Você sabe quem está no elenco."
Embiid: "A free agency começou. Não sei o que tá acontecendo."
Repórter: "Então talvez essa pessoa não esteja mais no elenco na temporada que vem."
Embiid: "Não. Talvez ainda esteja."
🏀 O COMEÇO DA CARREIRA
Joel começou a levar a sério o basquete somente aos 16 anos, após uma peneira em sua cidade. Ele deixou a família em Camarões apenas 2 meses depois, e sua ascensão rápida foi praticamente um milagre.
No ensino médio, morando na casa de uma host family nos Estados Unidos, Joel Embiid mentia pros pais no telefone. Ele insistia que estava bem, mas se sentia sozinho.
"Foi estranho pra mim. Eu cheguei lá, e uma das primeiras coisas que vi foram armas."
Embiid não sabia que as pessoas moravam com tantas armas em casa:
"Eu acho que ninguém entende meu ponto de vista. Era por isso que eu era reservado. Eu gostava de ficar no arquivo, trancava a porta. Eu tinha medo."
O basquete era a consolação de Embiid, mas ele não percebia o talento que tinha.
Freddy Bitondo, amigo de Joel e ex-companheiro no ensino médio, relembra: "Ele me dizia: 'Se o basquete não der certo, vou estudar por 4 anos e encontrar um emprego.' Eu respondia: 'Você tá destruindo a gente nos treinos. Que conversa é essa?'.
Na faculdade, Embiid tinha certeza que passaria 5 anos jogando. Após uma temporada, ele já era cotado no topo do draft da NBA. Mesmo assim, Joel queria ficar mais tempo na faculdade:
"Eu achava que não merecia. Só tinha média de 11 pontos. Não sabia muito sobre basquete nem sobre o sistema."
A conselho de familiares e amigos, ele mudou de ideia e foi pro draft, onde saiu com a 3ª escolha.
🩹 A FAMA DE "PREGUIÇOSO"
Joel Embiid relembra a fama de "preguiçoso" que tinha nos primeiros anos da liga:
"Muitas pessoas ainda tocam nesse assunto, falam do que eu fazia quando era novo, no 2º ou 3º ano da liga. Eu comecei a jogar aos 16 anos. Ninguém chega à minha posição sendo preguiçoso.
Eu comecei mais tarde que todo mundo. Tive que aprender rápido o jogo, me mudar pra um novo país, sem falar o idioma, precisei aprender uma nova cultura, me ajustar a uma nova realidade, tentar ser eu mesmo, e isso não aconteceria se eu não estivesse focado."
Ele também respondeu se, às vezes, é mal interpretado:
"Olha as narrativas que criam. Eu não invento desculpas. Eu me machuco todo ano, e todo mundo sabe disso. É a verdade. Você acha que, se eu estivesse 100%, eu não teria uma chance de ser campeão?
E se eu decidisse ficar de boa na temporada regular e ter média de 25 pontos? Ou 20 pontos? Aí nos playoffs, eu marco 30 pontos. Aí eu seria um grande jogador? Eu iria de 23 pra 30 pontos, um cara que cresce nos playoffs. Meu Deus. Joel Jordan. Tanto faz.
Há dois anos, a gente enfrentou Brooklyn. É um exemplo perfeito. Marcação dupla em mim o tempo todo. Eu passava a bola, acertávamos arremessos e vencemos. Mas adivinha só? Fez meus números caíram.
Se essa é narrativa, tudo bem. Eu sei pelo que estou passando e sei qual é a situação. Ninguém tem meu corpo pra entender pelo que estou passando."
Embiid também falou sobre os prêmios individuais:
"Se você tem a chance de ser MVP, não importa quem você seja, você vai atrás. Eu nunca achei que estaria nessa posição, pra começo de conversa. Em segundo lugar, eu achava que seria um ótimo defensor. Nunca pensei que seria tão bom no ataque.
Falam que eu me esforço mais na temporada regular do que nos playoffs. Não faz sentido. Minha média de minutos nos playoffs aumenta, e você se esforça mais. É mais pressão no ataque e na defesa.
Outra narrativa: ninguém é vencedor até ser campeão. Tudo bem por mim, eu sei que não fui campeão. Charles Barkley, grande jogador. Nunca foi campeão. Allen Iverson também não. Mas não quer dizer que eles não foram grandes jogadores."
🔥 ATRITOS COM O SIXERS
Embiid pensou em desistir do basquete logo após ser draftado, por conta da morte do irmão.
Lesionado, sem poder jogar a 1ª temporada, e sem o irmão. Joel estava passando por uma crise e estava de luto. Ele só jogava videogame, a dieta estava desregulada, e ele mal dormia. O pé não estava melhorando. Não conseguia jogar basquete.
Um amigo disse que ele estava se segurando "por um fio".
A relação com o Sixers piorou, e ele achou que tinha algo de errado com a lesão. O time julgou que era preguiça, segundo múltiplas fontes. Frustrado, ele parou de ir na fisioterapia e de se comunicar com os dirigentes.
A diretoria, sem saber o que fazer, aplicou diversas multas.
Um ano após o draft, um médico finalmente mostrou a realidade: a lesão de Embiid não estava curando. A cirurgia do ano anterior não deu certo, as dores de Joel eram reais, e ele não estava inventando desculpas.
Membros da diretoria, da comissão técnica e do departamento médico queriam que ele jogasse machucado pra mostrar que fizeram a escolha certa no draft. Eles só queriam estar certos. Não fazia diferença se a carreira do Embiid durasse 18 meses ou 18 anos.
Tudo isso moldou quem Joel Embiid é hoje. Alguém que não é capaz de confiar em muitas pessoas e que valoriza muito a lealdade.
💪 DEDICAÇÃO AO EXTREMO
Em 2015, para a segunda cirurgia, diversos profissionais se uniram. A fisioterapeuta Kim Caspare sabia que não era preguiça. Era medo. Ele não confiava no próprio corpo, não confiava nos conselhos que passavam e duvidava das intenções de quem dava os conselhos.
Uma pessoa do círculo de Joel Embiid comentou: "Ele estar na NBA e ter sido MVP é um milagre. Vários técnicos e diretores achavam que ele nunca mais pisaria na quadra."
Nick Nurse, ex-técnico do Sixers, conta: "As pessoas esquecem que a lesão dele contra o Warriors (em 2024) foi grave. E no momento que ele jogava o melhor basquete da carreira."
O Sixers estava 26-7 com ele em quadra na temporada. Ele voltou meses depois, no sacrifício, pra tentar classificar o time aos playoffs. Philadelphia venceu 8 partidas seguidas e avançou no play-in.
O que aconteceu em seguida, muitos já sabem: um Embiid visivelmente com paralisia facial nos playoffs. No Jogo 2 da primeira rodada, ele chegou a dar entrevista com a cabeça abaixada pra não mostrar a paralisia.
Nicolas Batum, ex-companheiro de equipe, relembra: "Eu vi o joelho. Não sei como ele conseguia andar." Poucas pessoas sabiam a gravidade da lesão. Afinal de contas, quando Embiid está passando por uma crise, ele se fecha.
Naquele momento, a indecisão tomava conta de Joel Embiid. Ele estava preocupado com sua saúde em longo prazo, cheio de dor, mas estava desesperado pra jogar e tinha medo de desapontar o time e os torcedores. Ele não queria contar pra ninguém a situação real do joelho.
Antes do Jogo 3 dos playoffs, uma das médicas mandou uma mensagem pra Joel:
"Será que dá pra você sentir um pouco de compaixão por si mesmo? Você merece. Tudo bem perder. Mas você não pode servir vergonha. Você lutou, e com muita coragem."
Joel Embiid não respondeu a mensagem.
Naquela noite, ele marcou 50 pontos.
Como um todo, não foi suficiente. O Sixers perdeu a série em 6 jogos, com Embiid tendo médias de 33 pontos, 11 rebotes e 6 assistências.
Joel Embiid relembra:
"Nessas situações, eu queria que alguém lá de cima (na diretoria) me dissesse: 'Não pode continuar assim. Você não vai jogar.' Mas se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não ligo pra quem me chama de fraco. Eu ligo pro time e pros meus companheiros. Nunca quero desapontar eles. E isso volta à terapia, sobre não querer desapontar as pessoas.
Mas, no fim das contas, quem tomou as decisões fui eu. Tenho que viver com isso.
Eu posso até te dizer que estou mudando, mas eu me conheço. Duvido que vá acontecer. Eu sempre quero jogar."
🚑 NOVAS LESÕES E CONFLITOS
As lesões da temporada passada mais uma vez geraram um impasse entre Joel Embiid e a diretoria. Em fevereiro de 2025, ele disse que não dava mais e teria que operar o joelho mais uma vez, o que surpreendeu o Sixers.
"Foi um pedido de ajuda. Parece que ninguém reconhece o que está acontecendo."
Joel Embiid também relembrou a saída de James Harden:
"Eu sempre prometi a mim mesmo: nunca serei responsável por alguém perder o emprego, por alguém ser trocado, por alguém ser demitido. Não me pergunte quem devemos contratar ou trocar.
Ninguém sabe disso, mas nem o James Harden fala mais comigo. Esse é o lado que não gosto de ser 'o cara'. Eu fico no meio dessas situações. Ele deve achar que eu tive alguma influência na troca. Eu fui o cestinha, e você liderou a NBA em assistências. Nosso pick-and-roll era imparável.
Dói quando você sente que não fez nada de errado. Quando você acha que tem uma relação dessas com alguém, você perde muito."
Joel Embiid termina a entrevista contando que sua recuperação será um pouco diferente dessa vez. Ninguém vai acelerar o processo. Não existe prazo.
"Não sei o que a diretoria vai achar. Eu só digo que são negócios. Os resultados importam. Se eu voltar cedo demais e não estiver 100%, adivinha só? Vocês não vão vencer."
Ele admite que não estava assistindo os playoffs de 2025 até mandar uma mensagem pra Tyrese Haliburton nas finais de conferência. Ele acabou vendo a partida que classificou o Pacers pras Finais.
Embiid também não assistiu o duelo contra o Thunder, exceto o Jogo 7. Joel conta que até chorou quando viu a lesão de Haliburton e desligou a TV imediatamente.
"Quando eu era novo, eu não me cuidava o suficiente. Não sei se isso influenciou algumas das lesões que sofri. Mas como você impede alguém de te dar uma cotovelada no rosto? De alguém cair em cima do seu joelho? Não importa o meu preparo nesses casos.
Se eu não tivesse preparo, se eu não desse tudo de mim, eu não teria começado a jogar aos 16 anos e chegado a esse nível. É impossível."
🗞️ @espn
Amigos, eu recebi muitas mensagens, falando para fazer a rifa. Muito obrigado.
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Muito obrigado por me ajudarem
Jamal Murray acredita que Denver NÃO DEVE se desfazer de ninguém para vencer mais um título:
“Eu acredito nisso 100%. Só não conseguimos dessa vez, ficamos por pouco. Vamos voltar para os treinos e voltar mais forte no ano que vem.”