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Conheça Rogerio Caboclo. Parte 2
Dando sequência nas matérias que estamos fazendo, com a finalidade de mostrar quem é Rogerio Caboclo, conselheiro vitalício (que desgraça) do São Paulo, vamos relembrar os momentos que se sucederam às denúncias de assédio sexual que ele praticou contra uma secretária da CBF, lembrando uma matéria do Globo Esporte.
Rogério Caboclo tentou usar caixa da CBF para oferecer R$ 8 milhões a funcionária que o acusa de assédio
Antes de ser afastado da presidência da CBF, Rogério Caboclo tentou usar recursos da entidade para pagar R$ 8 milhões em troca do silêncio da funcionária que o acusou de assédio sexual e moral. Ele nega as acusações.
O plano fracassou em duas frentes. A diretoria se recusou a endossar o uso de dinheiro da CBF para um acordo dessa natureza. A funcionária rejeitou as condições propostas por Caboclo e o denunciou à Comissão de Ética da CBF no dia 4 de junho. Dois dias depois, o dirigente foi afastado do cargo – primeiro por 30 dias, depois por mais 60.
Duas minutas de contratos obtidas com exclusividade pelo ge revelam que Caboclo, por meio de dois advogados (que não são os atuais), participou da negociação, que se arrastou por pelo menos seis semanas antes de naufragar.
Após a publicação da reportagem, Rogério Caboclo enviou uma nota na qual afirma que não assinou as minutas, e nega que tenha tentado usar recursos da entidade para pagar o acordo. Trechos da nota do dirigente estão publicados ao longo do texto. A íntegra está no final.
O teor dos documentos consultados pelo ge, confirmado por entrevistas com pessoas envolvidas diretamente no caso, contradiz a versão de Caboclo.
Tentativa de acordo para a CBF pagar indenização
Uma das minutas de contrato detalha como seria feita a rescisão de contrato de trabalho com a funcionária, que trabalha na CBF desde 2012 e está de licença médica desde 9 de abri de 2021. De acordo com este documento, que tem como partes a CBF e a funcionária (e não Rogério Caboclo), assim seria feito o pagamento dos R$ 8 milhões:
R$ 4,4 milhões pagos à vista
29 parcelas mensais de R$ 68.965,52
R$ 1,6 milhão de uma vez ao final dos pagamentos mensais
A minuta, com data de 17 de maio de 2021, não foi assinada porque os diretores da CBF se opuseram, segundo uma nota enviada pela própria confederação à reportagem:
– A CBF informa que o referido documento foi produzido de forma unilateral pelo presidente afastado e não chegou a ser assinado, pois a Diretoria detectou que o mesmo estava em desacordo com as políticas de governança e conformidade da entidade, uma vez que o acusado pretendia utilizar recursos da CBF para resolver um assunto estritamente particular.
Um dos motivos pelos quais diretores da CBF se recusaram a assinar é porque o acordo previa pagamento e envio de carta de recomendação para a funcionária fazer um curso da Fifa – ao custo, segundo o próprio documento, de R$ 400 mil. Ninguém entendeu qual seria o sentido de investir na formação de uma funcionária de saída da entidade.
Outro ponto do documento previa indenização no valor de R$ 2 milhões por uma cláusula de "non compete". Ou seja, durante 60 meses ela não poderia trabalhar em outro clube ou federação estadual, e por isso deveria ser remunerada pela CBF.
Em nota enviada após a publica��ão desta reportagem, Caboclo nega que tenha tentado usar o caixa da CBF para pagar o acordo.
– A CBF jamais poderia pagar os valores citados na reportagem, pois são absurdos, desproporcionais ao período laboral e ao salário da funcionária, além de totalmente injustificáveis para a CBF. É importante reafirmar que o tal acordo foi rejeitado por Rogério Caboclo e nenhum contrato foi assinado por ele. Caboclo preservou o caixa da CBF e deixou claro que não aceitaria os termos apresentados.
Obrigações incomodam funcionária
O outro documento é um "Instrumento Particular Confidencial", que fazia referência ao acordo trabalhista e tem como partes Rogério Caboclo e a funcionária. A proposta de acordo determinava as obrigações que a funcionária teria que cumprir para receber o dinheiro da rescisão trabalhista.
Esta segunda minuta teve várias versões, a última delas com data de 17 de maio, e não foi assinada porque a funcionária se recusou.
Ela ficou especialmente contrariada com dois pontos, incluídos no documento por ordem do dirigente: ter que afirmar a jornalistas que seu afastamento do trabalho se deu "exclusivamente por questões de ordem médica e psiquiátrica" e que sua relação com Rogério Caboclo sempre foi "profissional, respeitosa, íntegra, amistosa e solidária".
Segundo o ge apurou, em determinado momento da negociação o dirigente chegou a redigir um modelo de nota à imprensa para ser distribuída por ela quando fosse procurada para falar sobre o assunto.
A minuta tinha ainda uma cláusula de confidencialidade que previa pagamento de R$ 5 milhões para a parte que o desrespeitasse.
Esse documento teve três versões. A defesa da funcionária tentou convencer os advogados de Caboclo a retirar as cláusulas com as quais ela não concordava – como ter que mentir sobre os motivos e elogiar o comportamento do dirigente. Mas Caboclo se mostrava irredutível.
Abaixo, as cláusulas da minuta que contrariaram a funcionária:
Parágrafo 2º - FUNCIONÁRIA declara que no exercício das suas funções laborais na CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL – CBF e em toda a relação com Rogério Caboclo, sempre manteve relação profissional respeitosa, íntegra, amistosa e solidária.
Parágrafo 3º - FUNCIONÁRIA obriga-se a devolver no ato da assinatura deste instrumento todas as gravações e degravações relacionadas a CBF e Rogério caboclo, que estiverem em sua posse ou em posse dos seus advogados e terceiros.
Parágrafo 4º - FUNCIONÁRIA obriga-se a declarar para todos os jornalistas que lhe procuraram e procuraram a CBF, que seu afastamento do trabalho deu-se exclusivamente por questões de ordem médica e psiquiátrica, como depressão aguda, síndrome do pânico e ansiedade, decorrentes exclusivamente de questões familiares [...] Que sempre teve na CBF com seus funcionários e dirigentes uma relação profissional respeitosa, íntegra e solidária, mas infelizmente neste momento encontra-se impossibilitada de retornar ao trabalho conforme laudos médicos que possui. Pedir que se abstenham de publicar as absurdas notícias que vem sendo vinculada a seu respeito.
Parágrafo 5º - FUNCIONÁRIA obriga-se a revelar quais as pessoas que ela passou o áudio, bem como quem a orientou e lhe deu suporte para realizar as gravações que diz ter em mãos.
Seis semanas de negociação
A denúncia de assédio moral e sexual foi apresentada à Comissão de Ética da CBF no dia 4 de junho, mas as negociações para tentar que isso não acontecesse começaram bem antes.
Na acusação, a funcionária descreve uma série de momentos em que foi alvo do comportamento inadequado de Rogério Caboclo desde janeiro de 2020, quando passou a trabalhar como sua assessora pessoal.
As situações mais graves ocorreram em março de 2021, quando o dirigente a chamou à sala dele no prédio da CBF, iniciou uma conversa sobre a própria intimidade e depois perguntou à funcionária se ela se masturbava. Uma semana antes, numa sessão de trabalho na casa de Caboclo em São Paulo, o dirigente a chamou de "cadelinha", ofereceu biscoito de cachorro e latiu para ela.
A funcionária, que havia gravado algumas dessas conversas (ouça no vídeo acima), se licenciou por motivos de saúde no dia 9 de abril. Cerca de dez dias depois, começaram as negociações entre advogados de Rogério Caboclo e advogados dela.
Segundo o ge apurou, a funcionária inicialmente não fez pedido de indenização. Ela queria continuar trabalhando na CBF, mas exigia que o presidente fosse afastado do cargo e responsabilizado por sua conduta. Rogério Caboclo sempre se recusou a discutir essa possibilidade.
A partir daí, a negociação evoluiu para uma compensação financeira. Advogados das duas partes chegaram ao valor de R$ 8 milhões. O valor seria pago pela CBF. Mas Caboclo também demandava a assinatura dela num segundo documento, o tal "Instrumento Particular Confidencial" – o que ela não topou.
Caboclo acusa Del Nero e Castellar
Em nota enviada após a publicação desta reportagem, Caboclo enviou uma nota na qual acusa o ex-presidente da CBF Marco Polo Del Nero e o vice-presidente Castellar Guimarães Neto de participarem de um complô contra ele.
– Em 12 de abril, o vice-presidente Castellar Modesto Neto, sem prévio agendamento, foi de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro e abordou Rogério Caboclo como interlocutor da funcionária, exibindo o áudio que seria usado para sustentar a acusação.
Procurado, Castellar respondeu por meio de nota enviada ao ge:
– No dia 12 de abril, tive a oportunidade de conversar com o Presidente afastado, Rogério Caboclo, a respeito dos fatos, que já eram de conhecimento de inúmeros diretores e funcionários. Como vice-presidente, advogado, especialista e mestre em Direito Penal, destaquei a gravidade da situação. Nunca participei, no entanto, de qualquer tipo de negociação entre as partes.
Em outro trecho da nota que enviou à reportagem, Caboclo afirma que foi Marco Polo Del Nero quem fez chegar a ele uma oferta de R$ 12 milhões em troca do silêncio da funcionária. A defesa dela nega. Del Nero foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.
Conflito de versões
Numa carta enviada a presidentes das 27 federações estaduais no dia 23 de junho, Caboclo escreveu ter provas de que "terceiras pessoas, falando supostamente em nome da funcionária, procuraram entabular negociação em que exigiram inicialmente R$ 12 milhões [...] para que essa denúncia não fosse tornada pública. Ao final, fizeram proposta definitiva no valor de R$ 8 milhões". O presidente afastado da CBF escreveu ainda que preservou o caixa da CBF e não cedeu à chantagem:
– Rejeitei a negociação e encerrei o assunto no dia 04/06/21, às 11h28, para os mesmos interlocutores que me trouxeram as propostas e que me cobravam uma posição urgente. Curiosamente, a denúncia contra mim foi protocolada no mesmo dia às 13h55.
Segundo o ge apurou, foi a funcionária quem pôs fim às negociações. Em 2 de junho, quarta-feira, dois dias antes da apresentação da denúncia, ela comunicou seus advogados a intenção de fazer a denúncia. A informação foi repassada aos advogados de Caboclo. Até o dia em que ela apresentou a denúncia, eles insistiram para que ela aguardasse até a segunda-feira, 7 de junho. Em vão.
A denúncia foi apresentada à Comissão de Ética no dia 4, uma sexta-feira. Dois dias depois, no domingo, o dirigente foi afastado da presidência da CBF por 30 dias. No dia 3 de julho, a punição foi prorrogada por mais 60 dias. Rogério Caboclo recorreu ao STJD para tentar derrubar a punição. O tribunal recusou o pedido do presidente afastado da CBF.
O caso da funcionária que denunciou Caboclo é investigado hoje em três instâncias: a Comissão de Ética da CBF, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público do Rio de Janeiro.
Íntegra da nota enviada por Rogério Caboclo
•A proposta de negociação com a funcionária partiu de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF banido do futebol por corrupção e alvo de recente operação da Polícia Federal. Ele é o autor da ideia e também escreveu de próprio punho, a proposta inicial de mais de R$ 12 milhões que, por fim, foi reduzida para R$ 8 milhões;
•A autoria do documento em que Del Nero fez a proposta absurda, feita à mão por ele mesmo, já foi comprovada por perícia grafotécnica reconhecida;
•Vale destacar que um representante de Marco Polo Del Nero apresentou o documento
•O presidente Rogério Caboclo, por outro lado, jamais constituiu advogado para atuar em qualquer negociação e não assinou nenhum contrato de qualquer natureza com a funcionária e, portanto, inexistente no mundo jurídico;
•A CBF não pagaria o citado curso para a funcionária nem faria recomendação para ela;
•Por uma questão normativa, funcionários da CBF recebem suas diárias por ocasião das viagens e não no momento da rescisão;
•A CBF jamais poderia pagar os valores citados na reportagem, pois são absurdos, desproporcionais ao período laboral e ao salário da funcionária, além de totalmente injustificáveis para a CBF;
•É importante reafirmar que o tal acordo foi rejeitado por Rogério Caboclo e nenhum contrato foi assinado por ele;
•Caboclo preservou o caixa da CBF e deixou claro que não aceitaria os termos apresentados;
•A funcionária disse que teria sido ofendida e humilhada em 16 de março, dia em que gravou clandestinamente Rogério Caboclo, mas só pediu afastamento do trabalho em 9 de abril, tendo trabalhado por todo esse período normalmente;
•Em 12 de abril, o vice-presidente Castellar Modesto Neto, sem prévio agendamento, foi de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro e abordou Rogério Caboclo como interlocutor da funcionária, exibindo o áudio que seria usado para sustentar a acusação;
•Rogério Caboclo foi informado que, no dia seguinte, 13 de abril, houve um encontro privado na casa do ex-presidente da CBF Del Nero, que foi banido do futebol, entre ele, Castellar, a funcionária e a irmã dela;
•Cerca de um mês após gravar Rogério Caboclo, a funcionária apresentou um atestado médico para afastamento do trabalho por motivo de saúde originado por questão familiar;
•Caboclo rejeitou definitivamente a conversação e encerrou o assunto em 4 de junho, às 11h28. Curiosamente, a acusação contra Caboclo foi protocolada pela funcionária no mesmo dia, às 13h55. Dois dias depois, em 6 de junho (domingo), em decisão sem precedentes, em um fim de semana, sem ter sido ouvido ou ter tido acesso ao processo, Caboclo foi afastado compulsória e preventivamente do cargo;
•O manuscrito de Del Nero foi recebido por Rogério Caboclo antes de 17 de maio, por meio de um representante de Del Nero, incumbido das conversas desde o início, sem que Caboclo pedisse por isso ou soubesse, com antecedência, que iria receber tal proposta.
Eu havia dito recentemente que tinha em arquivo outras coisas para "abrilhantar" a história de quem quer ser presidente do São Paulo e denegrir um pouco mais sua imagem.
![tricolornaweb's tweet photo. Conheça Rogerio Caboclo. Parte 2
Dando sequência nas matérias que estamos fazendo, com a finalidade de mostrar quem é Rogerio Caboclo, conselheiro vitalício (que desgraça) do São Paulo, vamos relembrar os momentos que se sucederam às denúncias de assédio sexual que ele praticou contra uma secretária da CBF, lembrando uma matéria do Globo Esporte.
Rogério Caboclo tentou usar caixa da CBF para oferecer R$ 8 milhões a funcionária que o acusa de assédio
Antes de ser afastado da presidência da CBF, Rogério Caboclo tentou usar recursos da entidade para pagar R$ 8 milhões em troca do silêncio da funcionária que o acusou de assédio sexual e moral. Ele nega as acusações.
O plano fracassou em duas frentes. A diretoria se recusou a endossar o uso de dinheiro da CBF para um acordo dessa natureza. A funcionária rejeitou as condições propostas por Caboclo e o denunciou à Comissão de Ética da CBF no dia 4 de junho. Dois dias depois, o dirigente foi afastado do cargo – primeiro por 30 dias, depois por mais 60.
Duas minutas de contratos obtidas com exclusividade pelo ge revelam que Caboclo, por meio de dois advogados (que não são os atuais), participou da negociação, que se arrastou por pelo menos seis semanas antes de naufragar.
Após a publicação da reportagem, Rogério Caboclo enviou uma nota na qual afirma que não assinou as minutas, e nega que tenha tentado usar recursos da entidade para pagar o acordo. Trechos da nota do dirigente estão publicados ao longo do texto. A íntegra está no final.
O teor dos documentos consultados pelo ge, confirmado por entrevistas com pessoas envolvidas diretamente no caso, contradiz a versão de Caboclo.
Tentativa de acordo para a CBF pagar indenização
Uma das minutas de contrato detalha como seria feita a rescisão de contrato de trabalho com a funcionária, que trabalha na CBF desde 2012 e está de licença médica desde 9 de abri de 2021. De acordo com este documento, que tem como partes a CBF e a funcionária (e não Rogério Caboclo), assim seria feito o pagamento dos R$ 8 milhões:
R$ 4,4 milhões pagos à vista
29 parcelas mensais de R$ 68.965,52
R$ 1,6 milhão de uma vez ao final dos pagamentos mensais
A minuta, com data de 17 de maio de 2021, não foi assinada porque os diretores da CBF se opuseram, segundo uma nota enviada pela própria confederação à reportagem:
– A CBF informa que o referido documento foi produzido de forma unilateral pelo presidente afastado e não chegou a ser assinado, pois a Diretoria detectou que o mesmo estava em desacordo com as políticas de governança e conformidade da entidade, uma vez que o acusado pretendia utilizar recursos da CBF para resolver um assunto estritamente particular.
Um dos motivos pelos quais diretores da CBF se recusaram a assinar é porque o acordo previa pagamento e envio de carta de recomendação para a funcionária fazer um curso da Fifa – ao custo, segundo o próprio documento, de R$ 400 mil. Ninguém entendeu qual seria o sentido de investir na formação de uma funcionária de saída da entidade.
Outro ponto do documento previa indenização no valor de R$ 2 milhões por uma cláusula de "non compete". Ou seja, durante 60 meses ela não poderia trabalhar em outro clube ou federação estadual, e por isso deveria ser remunerada pela CBF.
Em nota enviada após a publica��ão desta reportagem, Caboclo nega que tenha tentado usar o caixa da CBF para pagar o acordo.
– A CBF jamais poderia pagar os valores citados na reportagem, pois são absurdos, desproporcionais ao período laboral e ao salário da funcionária, além de totalmente injustificáveis para a CBF. É importante reafirmar que o tal acordo foi rejeitado por Rogério Caboclo e nenhum contrato foi assinado por ele. Caboclo preservou o caixa da CBF e deixou claro que não aceitaria os termos apresentados.
Obrigações incomodam funcionária
O outro documento é um "Instrumento Particular Confidencial", que fazia referência ao acordo trabalhista e tem como partes Rogério Caboclo e a funcionária. A proposta de acordo determinava as obrigações que a funcionária teria que cumprir para receber o dinheiro da rescisão trabalhista.
Esta segunda minuta teve várias versões, a última delas com data de 17 de maio, e não foi assinada porque a funcionária se recusou.
Ela ficou especialmente contrariada com dois pontos, incluídos no documento por ordem do dirigente: ter que afirmar a jornalistas que seu afastamento do trabalho se deu "exclusivamente por questões de ordem médica e psiquiátrica" e que sua relação com Rogério Caboclo sempre foi "profissional, respeitosa, íntegra, amistosa e solidária".
Segundo o ge apurou, em determinado momento da negociação o dirigente chegou a redigir um modelo de nota à imprensa para ser distribuída por ela quando fosse procurada para falar sobre o assunto.
A minuta tinha ainda uma cláusula de confidencialidade que previa pagamento de R$ 5 milhões para a parte que o desrespeitasse.
Esse documento teve três versões. A defesa da funcionária tentou convencer os advogados de Caboclo a retirar as cláusulas com as quais ela não concordava – como ter que mentir sobre os motivos e elogiar o comportamento do dirigente. Mas Caboclo se mostrava irredutível.
Abaixo, as cláusulas da minuta que contrariaram a funcionária:
Parágrafo 2º - FUNCIONÁRIA declara que no exercício das suas funções laborais na CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL – CBF e em toda a relação com Rogério Caboclo, sempre manteve relação profissional respeitosa, íntegra, amistosa e solidária.
Parágrafo 3º - FUNCIONÁRIA obriga-se a devolver no ato da assinatura deste instrumento todas as gravações e degravações relacionadas a CBF e Rogério caboclo, que estiverem em sua posse ou em posse dos seus advogados e terceiros.
Parágrafo 4º - FUNCIONÁRIA obriga-se a declarar para todos os jornalistas que lhe procuraram e procuraram a CBF, que seu afastamento do trabalho deu-se exclusivamente por questões de ordem médica e psiquiátrica, como depressão aguda, síndrome do pânico e ansiedade, decorrentes exclusivamente de questões familiares [...] Que sempre teve na CBF com seus funcionários e dirigentes uma relação profissional respeitosa, íntegra e solidária, mas infelizmente neste momento encontra-se impossibilitada de retornar ao trabalho conforme laudos médicos que possui. Pedir que se abstenham de publicar as absurdas notícias que vem sendo vinculada a seu respeito.
Parágrafo 5º - FUNCIONÁRIA obriga-se a revelar quais as pessoas que ela passou o áudio, bem como quem a orientou e lhe deu suporte para realizar as gravações que diz ter em mãos.
Seis semanas de negociação
A denúncia de assédio moral e sexual foi apresentada à Comissão de Ética da CBF no dia 4 de junho, mas as negociações para tentar que isso não acontecesse começaram bem antes.
Na acusação, a funcionária descreve uma série de momentos em que foi alvo do comportamento inadequado de Rogério Caboclo desde janeiro de 2020, quando passou a trabalhar como sua assessora pessoal.
As situações mais graves ocorreram em março de 2021, quando o dirigente a chamou à sala dele no prédio da CBF, iniciou uma conversa sobre a própria intimidade e depois perguntou à funcionária se ela se masturbava. Uma semana antes, numa sessão de trabalho na casa de Caboclo em São Paulo, o dirigente a chamou de "cadelinha", ofereceu biscoito de cachorro e latiu para ela.
A funcionária, que havia gravado algumas dessas conversas (ouça no vídeo acima), se licenciou por motivos de saúde no dia 9 de abril. Cerca de dez dias depois, começaram as negociações entre advogados de Rogério Caboclo e advogados dela.
Segundo o ge apurou, a funcionária inicialmente não fez pedido de indenização. Ela queria continuar trabalhando na CBF, mas exigia que o presidente fosse afastado do cargo e responsabilizado por sua conduta. Rogério Caboclo sempre se recusou a discutir essa possibilidade.
A partir daí, a negociação evoluiu para uma compensação financeira. Advogados das duas partes chegaram ao valor de R$ 8 milhões. O valor seria pago pela CBF. Mas Caboclo também demandava a assinatura dela num segundo documento, o tal "Instrumento Particular Confidencial" – o que ela não topou.
Caboclo acusa Del Nero e Castellar
Em nota enviada após a publicação desta reportagem, Caboclo enviou uma nota na qual acusa o ex-presidente da CBF Marco Polo Del Nero e o vice-presidente Castellar Guimarães Neto de participarem de um complô contra ele.
– Em 12 de abril, o vice-presidente Castellar Modesto Neto, sem prévio agendamento, foi de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro e abordou Rogério Caboclo como interlocutor da funcionária, exibindo o áudio que seria usado para sustentar a acusação.
Procurado, Castellar respondeu por meio de nota enviada ao ge:
– No dia 12 de abril, tive a oportunidade de conversar com o Presidente afastado, Rogério Caboclo, a respeito dos fatos, que já eram de conhecimento de inúmeros diretores e funcionários. Como vice-presidente, advogado, especialista e mestre em Direito Penal, destaquei a gravidade da situação. Nunca participei, no entanto, de qualquer tipo de negociação entre as partes.
Em outro trecho da nota que enviou à reportagem, Caboclo afirma que foi Marco Polo Del Nero quem fez chegar a ele uma oferta de R$ 12 milhões em troca do silêncio da funcionária. A defesa dela nega. Del Nero foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.
Conflito de versões
Numa carta enviada a presidentes das 27 federações estaduais no dia 23 de junho, Caboclo escreveu ter provas de que "terceiras pessoas, falando supostamente em nome da funcionária, procuraram entabular negociação em que exigiram inicialmente R$ 12 milhões [...] para que essa denúncia não fosse tornada pública. Ao final, fizeram proposta definitiva no valor de R$ 8 milhões". O presidente afastado da CBF escreveu ainda que preservou o caixa da CBF e não cedeu à chantagem:
– Rejeitei a negociação e encerrei o assunto no dia 04/06/21, às 11h28, para os mesmos interlocutores que me trouxeram as propostas e que me cobravam uma posição urgente. Curiosamente, a denúncia contra mim foi protocolada no mesmo dia às 13h55.
Segundo o ge apurou, foi a funcionária quem pôs fim às negociações. Em 2 de junho, quarta-feira, dois dias antes da apresentação da denúncia, ela comunicou seus advogados a intenção de fazer a denúncia. A informação foi repassada aos advogados de Caboclo. Até o dia em que ela apresentou a denúncia, eles insistiram para que ela aguardasse até a segunda-feira, 7 de junho. Em vão.
A denúncia foi apresentada à Comissão de Ética no dia 4, uma sexta-feira. Dois dias depois, no domingo, o dirigente foi afastado da presidência da CBF por 30 dias. No dia 3 de julho, a punição foi prorrogada por mais 60 dias. Rogério Caboclo recorreu ao STJD para tentar derrubar a punição. O tribunal recusou o pedido do presidente afastado da CBF.
O caso da funcionária que denunciou Caboclo é investigado hoje em três instâncias: a Comissão de Ética da CBF, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público do Rio de Janeiro.
Íntegra da nota enviada por Rogério Caboclo
•A proposta de negociação com a funcionária partiu de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF banido do futebol por corrupção e alvo de recente operação da Polícia Federal. Ele é o autor da ideia e também escreveu de próprio punho, a proposta inicial de mais de R$ 12 milhões que, por fim, foi reduzida para R$ 8 milhões;
•A autoria do documento em que Del Nero fez a proposta absurda, feita à mão por ele mesmo, já foi comprovada por perícia grafotécnica reconhecida;
•Vale destacar que um representante de Marco Polo Del Nero apresentou o documento
•O presidente Rogério Caboclo, por outro lado, jamais constituiu advogado para atuar em qualquer negociação e não assinou nenhum contrato de qualquer natureza com a funcionária e, portanto, inexistente no mundo jurídico;
•A CBF não pagaria o citado curso para a funcionária nem faria recomendação para ela;
•Por uma questão normativa, funcionários da CBF recebem suas diárias por ocasião das viagens e não no momento da rescisão;
•A CBF jamais poderia pagar os valores citados na reportagem, pois são absurdos, desproporcionais ao período laboral e ao salário da funcionária, além de totalmente injustificáveis para a CBF;
•É importante reafirmar que o tal acordo foi rejeitado por Rogério Caboclo e nenhum contrato foi assinado por ele;
•Caboclo preservou o caixa da CBF e deixou claro que não aceitaria os termos apresentados;
•A funcionária disse que teria sido ofendida e humilhada em 16 de março, dia em que gravou clandestinamente Rogério Caboclo, mas só pediu afastamento do trabalho em 9 de abril, tendo trabalhado por todo esse período normalmente;
•Em 12 de abril, o vice-presidente Castellar Modesto Neto, sem prévio agendamento, foi de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro e abordou Rogério Caboclo como interlocutor da funcionária, exibindo o áudio que seria usado para sustentar a acusação;
•Rogério Caboclo foi informado que, no dia seguinte, 13 de abril, houve um encontro privado na casa do ex-presidente da CBF Del Nero, que foi banido do futebol, entre ele, Castellar, a funcionária e a irmã dela;
•Cerca de um mês após gravar Rogério Caboclo, a funcionária apresentou um atestado médico para afastamento do trabalho por motivo de saúde originado por questão familiar;
•Caboclo rejeitou definitivamente a conversação e encerrou o assunto em 4 de junho, às 11h28. Curiosamente, a acusação contra Caboclo foi protocolada pela funcionária no mesmo dia, às 13h55. Dois dias depois, em 6 de junho (domingo), em decisão sem precedentes, em um fim de semana, sem ter sido ouvido ou ter tido acesso ao processo, Caboclo foi afastado compulsória e preventivamente do cargo;
•O manuscrito de Del Nero foi recebido por Rogério Caboclo antes de 17 de maio, por meio de um representante de Del Nero, incumbido das conversas desde o início, sem que Caboclo pedisse por isso ou soubesse, com antecedência, que iria receber tal proposta.
Eu havia dito recentemente que tinha em arquivo outras coisas para "abrilhantar" a história de quem quer ser presidente do São Paulo e denegrir um pouco mais sua imagem.](https://pbs.twimg.com/media/HPDjoknXgAAp6p6.jpg)
Vamos conhecer Rogerio Caboclo, que querem fazer presidente do SP
O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu, que fazer de Rogerio Caboclo presidente do São Paulo. Ele conta com apoio do seu grupo e de parte do Legião, até porque quer fazer de Vinicius Medeiros vice.
Como não é segredo para ninguém, Caboclo foi execrado e retirado da presidência da CBF por assédio sexual contra sua secretária. Ele diz aos quatro cantos que foi absolvido. Na realidade, fez acordo com a vítima e pagou R$ 100 mil reais, revertidos em fundo para entidades de proteção à mulher vítima de estupro.
Mas o que poucos lembram são as relações de Caboclo com Ricardo Teixeira e Marco Pollo del Nero, ambos condenados por corrupção. Mas Caboclo também precisa explicar algumas coisas de lá de trás, que mostram bem a figura que querem colocar à frente do clube.
Em 2018 a Folha de São Paulo fez a seguinte matéria:
Futuro presidente da CBF multiplica seu patrimônio após virar cartola
O futuro presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo, 45, viu seu patrimônio em carros e imóveis se multiplicar desde que começou a trabalhar como dirigente de federações de futebol.
Em 2001, quando assumiu seu primeiro cargo como diretor da FPF (Federação Paulista de Futebol), ele tinha cerca de R$ 570 mil de patrimônio. Após 17 anos, já acumula R$ 8,6 milhões, cerca de 15 vezes a quantia original —os valores foram corrigidos pelo IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado).
Caboclo diz que o crescimento do patrimônio é condizente com a sua renda no período.
O aumento dos bens aconteceu principalmente a partir de 2012, quando o advogado entrou no Comitê Organizador Local da Copa de 2014.
Depois de assumir como diretor de relações institucionais do COL, e também o cargo de diretor executivo de gestão da CBF —posto ocupado por Caboclo desde 2014— adquiriu, entre outros bens, dois apartamentos, que somados custaram R$ 4,5 milhões, um carro BMW (R$ 320 mil) e um veículo da marca Mercedes-Benz (R$ 360 mil). Além disso, tem 16,8% de cinco imóveis adquiridos por R$ 7,2 milhões que estão em nome de uma empresa de sua família, da qual é sócio.
Um dos apartamentos comprados por Caboclo é avaliado atualmente em R$ 5,3 milhões e fica na zona sul de São Paulo.
O imóvel foi adquirido em junho de 2013, um ano antes do dirigente assumir o cargo de diretor financeiro da CBF.
Na época, Rogério era diretor do comitê organizador da Copa de 2014, financiado com recursos da Fifa.
Segundo a CBF, Caboclo ingressou na diretoria da confederação em outubro de 2014, quando José Maria Marin era o presidente e Marco Polo Del Nero o vice. Entre setembro e novembro do mesmo ano, sua empresa arrematou em leilões quatro imóveis, dois em São Paulo e dois em São Bernardo do Campo, por aproximadamente R$ 1,7 milhão.
As compras mais expressivas da empresa foram feitas em julho de 2017, quando adquiriu um prédio e um terreno na zona sul de São Paulo por R$ 5,5 milhões.
O investimento da firma em propriedades triplicou após o ingresso de Rogério no comitê organizador e na CBF.
Antes de 2014, a Caboclo Participações e Empreendimentos havia desembolsado R$ 2,361 milhões em investimentos imobiliários, distribuídos em cinco imóveis, sendo que somente um deles, comprado ainda em 2007, ano de criação da empresa, custou R$ 1,5 milhão.
Em 2015, Rogério Caboclo ainda adquiriu outro apartamento em seu nome. O imóvel custou cerca de R$ 390 mil e fica localizado no bairro do Ibirapuera, em São Paulo.
Os gastos do advogado com imóveis antes de ingressar na CBF eram inferiores. Como pessoa física, sua última aquisição havia sido um apartamento no bairro de Indianópolis, por R$ 460,6 mil, em valores corrigidos, em 2007. O mesmo foi vendido em 2012 por R$ 2,2 milhões.
Quando comprou esse apartamento, Caboclo trabalhava como diretor financeiro da FPF (Federação Paulista de Futebol). Na época, a entidade era comandada por Marco Polo Del Nero, presidente afastado da CBF e que escolheu Caboclo para sucedê-lo.
Hoje Caboclo mora no Rio de Janeiro, em um luxuoso apartamento na Barra da Tijuca, o qual a reportagem não encontrou entre seus bens pessoais.
arros de luxo
Os bens de Caboclo não ficam restritos a imóveis. Desde que entrou na diretoria da CBF, Rogério Caboclo adquiriu dois carros de luxo.
O primeiro foi uma Mercedes CLS400 ano 2015, que à época custava cerca de R$ 360 mil. Atualmente, o veículo vale R$ 259 mil. O segundo é uma BMW X4 XDrive35I, ano de fabricação 2016, que custou cerca de R$ 320 mil.
Em 2002, Caboclo tinha em seu nome uma Mercedes Classe A (modelo mais popular da montadora alemã) e um Ford Focus, que na época valiam juntos R$ 70 mil.
Apesar dos automóveis de luxo, segundo fontes ouvidas pela Folha, Caboclo costuma se locomover de helicóptero.
Outro lado
Por meio da assessoria de imprensa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo afirmou que seu patrimônio é compatível com seus rendimentos.
“Todos os bens adquiridos, seja por Rogério Caboclo, seja pelas empresas das quais é sócio, foram declarados no Imposto de Renda e são perfeitamente compatíveis com seus rendimentos”, disse a confederação em nota enviada à reportagem.
O futuro presidente da CBF recebe atualmente salário de R$ 120 mil como diretor executivo de gestão da entidade. Seu último salário na FPF, onde trabalhou entre 2001 e 2015, foi de R$ 35 mil —quando ocupava o cargo de diretor financeiro da federação.
Rogério Caboclo se tornou membro do comitê organizador do Mundial de 2014 em 2012. Chegou ao órgão por indicação de Marco Polo Del Nero junto com o ex-presidente da CBF José Maria Marin —hoje preso nos Estados Unidos por corrupção. Entrou na CBF após a Copa do Mundo.
A confederação afirma ainda que a Caboclo Participações e Empreendimentos Imobiliários, empresa da família do dirigente, atua há mais de dez anos na compra, venda e aluguel de imóveis e que a firma —da qual Caboclo é sócio minoritário— não tem qualquer relação com sua atividade na CBF.
Rogério Caboclo tem cinco empresas registradas em seu nome, mas só uma conta com a participação de pessoas que não fazem parte de sua família: a Caboclo Advogados Associados. Queila Girelli é a sócia do dirigente no escritório de advocacia.
A Folha encontrou poucos processos sob a responsabilidade de Caboclo. Um deles, defendendo a FPF, é da época em que o dirigente trabalhava na própria entidade.
Nas outras empresas, ele tem parentes como sócios, incluindo seus pais: a Caboclo Distribuitor Ltda, a Cromma Logística Empresarial e a Rommac Distribuidora de Produtos Alimentícios.
Antes de entrar na Federação Paulista de Futebol, Rogério Caboclo tinha em seu nome quatro propriedades imobiliárias, todas heranças de família, compartilhadas com seus pais e irmãos.
Duas delas pertenciam a ele desde 1988, uma outra foi registrada em seu nome em 1991 e a última em 1994.
Seu primeiro imóvel adquirido individualmente foi um apartamento comprado em 2001 —mesmo ano em que ingressou na FPF— por R$ 185,1 mil, em Indianópolis, na zona sul da capital.
Já em julho de 2006, Caboclo adquiriu em sociedade com seus parentes uma casa na Vila Guarani, também na zona sul, por R$ 108 mil.
Manobra de Del Nero
Rogério Caboclo conseguiu o apoio da maioria dos presidentes das federações para concorrer ao próximo mandato de presidente da CBF, com a ajuda de Marco Polo Del Nero.
Para registrar chapa na eleição da entidade, o candidato tem que ter o apoio de oito federações e cinco clubes. Caboclo já teria acertado com 20 dirigentes, todos a pedidos de Del Nero, o que inviabiliza outra candidatura.
Presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, tentou articular uma chapa de oposição, em vão. Agora, o pleito poderá ser realizado a partir do dia 15 de abril.
Na semana passada, a Fifa ainda renovou por mais 45 dias o banimento do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. O caso agora será julgado pela Câmara de Arbitragem do Comitê de Ética da Fifa, comandada pelo grego Vassilios Skouris.
Em dezembro, Del Nero já havia sido banido preventivamente por 90 dias pelo órgão da Fifa.
Agora vejamos uma matéria que saiu na mesma Folha de São Paulo, em 28 de maio de 2021
Presidente da CBF, Caboclo comprou apartamento de R$ 10,5 milhões à vista
Rogério Caboclo, 48, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), comprou à vista um apartamento de luxo de R$ 10,5 milhões na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, em dezembro de 2019. A aquisição faz parte de um aumento de patrimônio imobiliário, acelerado desde 2013.
O imóvel foi adquirido em dezembro de 2019, oito meses depois de o dirigente assumir o cargo maior da CBF, sediada no mesmo bairro. Na escritura, à qual a coluna teve acesso, é informado que o valor total foi pago de forma integral no ato da compra, por meio de cheque administrativo
A lista de imóveis de Caboclo aumenta desde 2013. No período, o dirigente e uma empresa da qual é sócio já usaram mais de R$ 23,5 milhões para adquirir terrenos, prédios e apartamentos.
Caboclo diz que a compra é compatível com seus ganhos. “Todos os bens que eu adquiri são perfeitamente compatíveis com meus rendimentos. Meus recursos são fruto de várias atividades profissionais que desenvolvi ao longo de mais de 30 anos de trabalho. Tudo está devidamente informado na minha declaração de imposto de renda”, afirmou.
Em 2012, Rogério Caboclo assumiu um cargo no Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014. Em seguida, indicado pelo então presidente da CBF Marco Polo Del Nero, virou diretor financeiro da entidade, cargo que ocupou até o fim de 2016. A partir daí, se tornou superintendente e, em 2019, assumiu a presidência.
O crescimento de patrimônio
A reportagem teve acesso a documentos que mostram como os bens de Caboclo foram aumentando. Até 2013, os únicos imóveis de Caboclo estavam no nome de uma empresa de sua família, da qual ele é sócio com 16,8% de participação, ou eram fruto de herança. Os da empresa foram adquiridos por R$ 2,3 milhões (segundo as escrituras), todos antes de 2010. As propriedades deixadas como herança são compartilhadas com pais e irmãos, e todas elas foram construídas há mais de 80 anos.
A partir de 2013, o crescimento é acelerado. Primeiro, adquiriu um imóvel na pessoa física por R$ 4,15 milhão, em 2013. Depois, a movimentação da empresa aumentou. Foram cinco aquisições em leilão em 2014, totalizando investimento de R$ 1,75 milhão. No ano seguinte, comprou mais um apartamento em seu nome, por R$ 390 mil.
Em 2017, a mulher de Caboclo adquiriu um imóvel por R$ 1,35 milhão e uma de suas empresas comprou um prédio e um terreno por R$ 5,5 milhões, com R$ 3 milhões pagos no ato da assinatura, segundo a escritura.
A compra de maior valor aconteceu em 2019: o apartamento de R$ 10,5 milhões na Barra da Tijuca, pagos de forma integral no ato da compra. Localizado na avenida da praia, em frente ao Posto 6, o imóvel tem quase 300 m² de área exclusiva, com quatro suítes, vista privilegiada, sala de jantar, sala de TV, copa, cozinha, área de serviço, dependência completa de empregada e quatro vagas de garagem, além de um condomínio com 26 mil m² de área com infraestrutura de lazer e segurança.
Ainda são do dirigente dois carros de luxo: uma BMW X4 XDrive35I, ano 2016, de R$ 320 mil, e uma Land Rover Discovery Sport, ano 2015, que vale cerca de R$ 150 mil. Caboclo também foi dono de uma Mercedes CLS400 ano 2015, de R$ 360 mil, no período.
Comprar casa no Rio era “plano antigo”
Antes de 2013, o dirigente, na pessoa física, tinha comprado apenas dois imóveis: um apartamento (adquirido em 2001) e outro imóvel (comprado em 2007 e vendido em 2012), ambos em Indianópolis, bairro da capital paulista, pelos quais pagou R$ 2,2 milhões.
Rogério Caboclo foi diretor da Federação Paulista de Futebol (FPF) de 2001 a 2015, com salário que chegou a R$ 35 mil. Na CBF, em que chegou por indicação de Marco Polo Del Nero, recebia cerca de R$ 120 mil mensais como diretor financeiro. Como presidente, o salário de Caboclo é superior a R$ 200 mil mensais. Em um ano, um cartola da confederação pode receber até 16 salários.
À coluna, Caboclo declarou que era um plano antigo adquirir um imóvel no Rio de Janeiro, cidade na qual tem residência fixa há quase sete anos e onde vivia em apartamento alugado. Segundo ele, já existiam recursos suficientes em sua conta corrente para a compra do imóvel antes mesmo de assumir a CBF, de acordo com sua declaração de imposto de renda de 2018, entregue para a Receita Federal em abril de 2019. O UOL não teve acesso à declaração de imposto de renda de Caboclo.
O cartola disse que não é correto falar em aumento ou depreciação patrimonial sem conhecer efetivamente a situação financeira completa de qualquer pessoa, o que inclui a sua disponibilidade financeira, sua declaração de imposto de renda, entre outros aspectos. Acrescentou que a compra representou uma transferência da sua disponibilidade bancária para um ativo imobiliário.
Em seu nome, o presidente possui cinco empresas, todas em sociedade com familiares. Quatro delas são com pais e irmãos, sendo duas distribuidoras, uma de logística e outra de empreendimentos imobiliários. A outra é de advocacia, em parceria com a sua mulher.
Situação política se deteriora
Caboclo vive crise política no cargo que ocupa desde 2019, causada por denúncias que extrapolam a esfera esportiva. Segundo reportagem do UOL, o movimento para minar Caboclo é interno na CBF e em sua esfera de influência. Dentro da confederação, há relatos sobre grosserias, ordens sem sentido e aparente instabilidade emocional, em algumas vezes com estado descrito como “alterado”.
Funcionários evitam a presença de Caboclo quando percebem esse estado. Em uma reunião com os clubes, ele foi flagrado soltando palavrões aos presidentes das equipes.
Em busca de apoio, Caboclo chegou a procurar Ricardo Teixeira. E também voltou a estreitar laços com Del Nero, que chegou a fazer movimentos para abafar a insatisfação com o dirigente. Ambos estão condenados por corrupção e foram banidos do futebol.
Perguntado sobre denúncias de comportamentos tidos como inadequados, com acusações de supostos desvios de conduta e apelidos pejorativos recebidos por dirigentes do futebol, o presidente não fez qualquer comentário.
Segundo fontes ouvidas pela coluna, o comportamento errático de Caboclo se agravou nos últimos meses. Também apurou que existe discussão sobre a sucessão caso a situação se torne insustentável. Uma das alternativas seria a renúncia, que levaria a uma eleição com os oito vice-presidentes como candidatos e uma disputa aberta pelo poder.
Na última sexta (21), reportagem da ESPN ainda mostrou que o ex-presidente da CBF Marco Polo Del Nero interferiu na entidade mesmo após ter sido banido pela Fifa de todas as atividades ligadas ao futebol. Gravações reveladas mostram o ex-dirigente influenciando na confederação após sua saída, apesar de banido pela Fifa. A Fifa investiga o caso.
É esse ser que alguns querem na presidência do meu clube? Pois eu digo. Se for para ter um assediador sexual, previamente denunciado por corrupção na CBF, partícipe de esquemas com del Nero, como presidente, rasgo tudo o que tenho de São Paulo e vou cuidar da minha vida longe do clube que sempre amei, pelo qual sempre me doei e de quem nunca me usei.

Conhecer a história para entender o presente e construir o futuro. #CabocloNão
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Recordar é viver. Vamos lembrar como foi a gestão Caboclo na CBF? Aquele que quer presidir São Paulo, carregado pelo Olten e alguns babacas.
Uma tragédia. Que os responsáveis respondam nos limites da lei. Nossos sentimentos à família e aos amigos da vítima.
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Nota oficial – Nicolas https://t.co/pTpmMzmfum
Esperamos que esta situação não afete o São Paulo Futebol Clube. Continuamos atentos.
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https://t.co/1Jpd32BPS5
Epílogo
O patético fim de um mandatário.
https://t.co/lxygIA3NYb
Texto de @efemello.
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A renúncia ao cargo no Conselho Deliberativo, no Conselho Consultivo e também ao quadro de sócios mostra a falta de altivez e de coragem de quem jamais deveria ter chegado aonde chegou.
Julio Casares sai da vida do São Paulo com tamanho microscópico.
#169 no ar!
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Mais um absurdo na história do São Paulo, mas esse contrato dificilmente será aprovado no Conselho Deliberativo.
Seguimos atentos em defesa do Tricolor!
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O presidente do São Paulo, Harry Massis Jr, está assinando nesse momento a minuta de contrato com a Ticket Master. Apesar de termos mostrado que a proposta da empresa, ligada a Live Nation, trazida por Leonardo Serafim e Marcelo Pupo, era muito pior do que a de outras concorrentes, Massis deu de ombros e está assinando o contrato.
A alegação de Marcelo Pupo é que há uma cláusula prejudicial ao São Paulo na proposta de R$ 500 milhões. A Ticket Master vai adiantar R$ 250, em forma de financiamento. E nós corremos o risco de "perder o Morumbi" para jogos.
Isso não vai passar pelo Conselho Deliberativo, até onde eu consegui apurar.
A nova terceira camisa que passará a ser vendida amanhã nas lojas oficiais do SPFC.
Aprovam?
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A nefasta linha do tempo do SPFC em imagens. Vale lembrar também de todas as pessoas que apoiaram a 'celebridade' por longos anos nos conselhos e diretorias do clube.
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Em memória do Instagram do ex-presidente, vamos relembrar alguns dos melhores momentos daquela conta?

R$ 1 milhão no cartão corporativo, Casares? Mais um que em pouco tempo será expulso do SPFC.
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EXCLUSIVO: Julio Casares gastou pouco mais de R$ 1 milhão no cartão corporativo do São Paulo. Faturas obtidas pelo GE mostram 71 idas a uma casa de charutos, 53 idas ao mesmo restaurante e gastos em lojas de grife.
Os detalhes estão todos aqui:
https://t.co/rSdPosW6Q7
Nada é tão ruim que não pode piorar.
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Trasnferban para o SP. Marcos Antonio. Assim o clube está impedido de registrar novos jogadores. A Fifa puniu o clube nesta terça-feira com um transfer ban pelo não pagamento da compra dos direitos de Marcos Antônio junto à Lazio, da Itália. Valor: um milhão de euros.

Torcemos para que não seja mais um Orejuela.
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🇵🇹 O São Paulo contratou o lateral-direito Aurélio Buta, de 29 anos, que chega com contrato válido até 30 de junho de 2027, com cláusula de renovação automática de acordo com metas até 30 de junho de 2028.
O jogador defendeu o FC Kobenhavn, da Dinamarca, na última temporada europeia.
➡️ Saiba mais > https://t.co/PzUyqHO3N9
#VamosSãoPaulo 🇾🇪

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Duas informações, que julgo importantes: Belmonte presta depoimento no Conselho de Ética dia 25.08, às 19h; Conselho Deliberativo elege os conselheiros vitalícios dia 28 de julho 19h
Pelo SPFC torcemos para que frutifique.
Chega logo 2027!
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Rafinha é o novo executivo de futebol do São Paulo. O ex-jogador de 40 anos deixa o cargo de gerente esportivo e passa a liderar o departamento de forma definitiva - ele já vem exercendo a função desde a saída de Rui Costa, há pouco menos de um mês.
“Tenho visto o trabalho diário do Rafinha desde que assumiu essa nova responsabilidade. Ele foi um grande atleta e líder, e como gerente esportivo agregou muito. Agora, nessa nova função, vem realizando um grande trabalho à frente do futebol do São Paulo, não só pela experiência que obteve ao longo da carreira, mas por todo o seu relacionamento no mundo do futebol”, comentou o presidente Harry Massis Junior.
“Encaro essa nova função como mais um desafio e me sinto muito preparado. A experiência que tenho aqui dentro do São Paulo, tanto como atleta quanto neste período como gerente esportivo, e tudo o que vivi em mais de 20 anos de futebol me dão muita confiança para liderar o projeto esportivo do clube. Além disso, tenho buscado me aprimorar com cursos de gestão. Temos uma equipe muito qualificada dentro e fora do campo, uma grande estrutura e muita confiança para o que vem pela frente. Nossa tarefa será, sempre, colocar o São Paulo no ponto mais alto junto com os nossos torcedores, que são os mais importantes desse clube gigante”, disse Rafinha.
Capitão do Tricolor nas conquistas da Copa do Brasil (2023) e da Supercopa Rei (2024), Rafinha encerrou a exitosa carreira como atleta no ano passado, no Coritiba, e passou a integrar a diretoria são-paulina em janeiro deste ano.
O novo executivo são-paulino está estudando gestão esportiva na DFB Akademie (Federação Alemã de Futebol) e realiza também o curso de gestão de clubes da FIFA.
Rafinha contará com o suporte jurídico de Felipe Carvalho, advogado do clube desde 2020, que passa ao cargo de gerente jurídico esportivo.

Isso, para quem há décadas teve a certeza de ser dono do SPFC, bem como a convicção da impunidade, é pior do que a morte.
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ATENÇÃO, CONSELHEIROS E CONSELHEIRAS QUE AINDA NÃO VOTARAM!
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ATENÇÃO, CONSELHEIROS E CONSELHEIRAS!
Dedé precisa ser expulso do clube. Para isso, basta votar conforme o gabarito divulgado abaixo. Caso contrário, o Egrégio Conselho Deliberativo do SPFC terá sua reputação inevitavelmente manchada como cúmplice dos malfeitos pelo ex-diretor social e conselheiro vitalício.
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Importante divulgarmos os nomes e rostos daqueles que irão votar pela não expulsão do Dedé amanhã. O conselheiro abaixo é um deles que está no lixo da história do São Paulo Futebol Clube.
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Vou expor cada um que se manifestar a favor do anão santista, conhecido como Dedé.
Vejam o conselheiro José Rubens Macedo, o mesmo que defendeu na tribuna o Casares, no dia de seu afastamento. Segundo informações, a própria família acha esse ser um imbecil.
Vejam a postagem dele em um grupo:
O SPFC para voltar a ser grande precisa ser grande em tudo . Devemos voltar as nossas tradições. Lavar nossa roupa suja em casa . Não nos submeter a influenciadores . Precisamos de paz e união. E antecipo meu voto. Assim como votei contra a absurda tentativa de tirar o Olten , e ganhamos por 2 votos , vou , em nome da paz e união, votar contra qualquer condenação contra o Dede

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