A Copa do Mundo Feminina da FIFA de 27 será aqui no Brasil e a Fifa abriu cadastro de interessados em ingressos para os jogos.
As 64 partidas ocorrerão em 8 cidades: BH, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e SP, entre 24/06 e 25/07.
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É triste que as pessoas sejam tão ignorantes sobre o tipo de efeito social que a religião causa nesse nível.
Historicamente, católicos e evangélicos neopentecostais diferem em muitas coisas, mas um dos principais pontos de divergência é a forma como enxergam a glória eterna e a relação entre sucesso, responsabilidade e salvação.
A glória, no catolicismo, tem um caráter comunitário. Não há glória, salvação ou sucesso desvinculados da comunhão com o outro. O individualismo é condenado e, embora a providência divina também faça parte da doutrina, a responsabilização é profundamente pessoal. Deus sabe de todas as coisas, mas o livre-arbítrio continua sendo um princípio central. Você faz escolhas diante da sua comunidade e da sociedade, e são essas escolhas que geram consequências. Se você falhou, falhou porque fez escolhas ruins, porque não fez o suficiente ou porque negligenciou seus deveres para com o coletivo.
No neopentecostalismo, a lógica tende a ser outra. A vitória é, antes de tudo, individual. Você vence porque fez a sua parte, e Deus recompensa sua fé organizando os acontecimentos conforme Sua vontade. Se você perdeu, perdeu porque lhe faltou fé ou porque Deus decidiu que aquele não era o momento. A teologia da prosperidade, que ocupa um papel central em boa parte do neopentecostalismo, reforça justamente essa leitura individualizada da relação entre fé e sucesso.
Tudo isso produz disposições morais diferentes nas pessoas e, consequentemente, nos próprios jogadores. Se você vence, foi porque Deus quis. Se perde, foi porque faltou fé ou porque Deus assim determinou. A derrota deixa de ser, em primeiro lugar, um problema de responsabilidade pessoal, de senso de comunidade ou de compromisso com o coletivo.
O discurso, inevitavelmente, tende a ser mais: 1) egoísta, porque o foco está na relação individual entre o fiel e Deus; e 2) receptivo à derrota, porque ela deixa de ser interpretada como consequência das próprias escolhas e passa a ser entendida como parte do plano divino.
Esse é o Brasil que vem sendo construído nas últimas décadas. Somos, da política ao futebol, cada vez mais egoístas, individualistas e menos responsáveis pelas consequências comunitárias de nossas ações.
eu amei que o twitter basicamente acabou de explicar toda a mudança sócio-política-cultural do Brasil nos últimos 20 anos. podem imprimir esses tweets todos aí e tá pronto um novo livro. somos a reencarnação coletiva do eric hobsbawm
Tô vendo uma galera relacionando o declínio da seleção brasileira à ascensão do neopentecostalismo, mas sem elaborar muito. Farei isso por meio de uma persona, na vibe sociologia de botequim.
Existe um brasileiro que eu conheço, você conhece, embora progressistas da creative class talvez ignorem (um Gregório Duvivier, talvez). Esse brasileiro tem entre 25 e 40 anos, mora em uma cidade média ou na periferia de uma capital, não fez graduação, ou até fez, porém em uma faculdade particular mais barata, ganha entre 3k e 15k, é evangélico (neo)pentecostal mas vai ao culto às vezes (“Deus está em qualquer lugar”).
Por mais que pareça estranho dizer assim… Se ele cresceu numa família de 5 pessoas com renda de 2/3 salários mínimos e agora ganha 8 salários, significa que ELE multiplicou a vida por 4. Por que não conseguiria multiplicar por mais 20?
Ele ainda bebe como se fosse um adolescente, ama sertanejo e pagode, é casado, mesmo que por status social, possivelmente uma amante, tem 1 ou 2 filhos. Ele é obcecado por códigos sociais de riqueza: roupas, carros, casas, viagens, perfumes, relógios etc. Sobretudo, ele gosta de FALAR sobre essas coisas. Não só das que ele tem, mas as quais ele terá. Ele tem aversão a qualquer tipo de conhecimento consolidado, afinal ele chegou até ali sem precisar pagar pedágio ao Machado de Assis. Ele fala dos bens dos seus amigos influentes porque no fundo quer dizer: “eu estou perto, estou quase lá”.
E, pra ele, essa ética não é incômoda porque não pode soar como inveja aquilo que é simplesmente o coração da Teologia da Prosperidade: minha fé “obriga” Deus a agir, declarar riqueza a convoca, a benção é resultado da semeadura e… O mais importante de tudo… a riqueza é uma superioridade moral, não a caridade. A riqueza é em si o legado. Se você é um profissional ruim (e, cá entre nós, às vezes uma pessoa ruim), mas continua ganhando bem, prosperando, então você é um profissional bom e uma pessoa boa. São leões num mundo de gatinhos. Eles enxergaram a máquina corrupta do mundo. “Só estou tentando sobreviver”, ele pensa ao ir dormir.
😉
tudo de ruim no Brasil pode ser rastreado até o neopentecostalismo
do futebol à política brasileira, ao fato de que todas as roupas nas lojas são feitas com tecido vagabundo ou que a gente não consegue comprar um bolo de pote no instagram sem ser assediado com papo de coach