Vamos fazer um experimento: vamos substituir todos os médicos, pesquisadores, epidemiologistas e cientistas da área da saúde por políticos e influenciadores digitais.
A partir de agora, esqueçam anos de faculdade, residência médica, doutorado, pesquisas publicadas, estatística, revisão por pares e décadas acumulando conhecimento. Para que estudar tanto? Basta ter um microfone, milhões de seguidores e uma opinião forte.
Não precisamos mais de laboratórios. Não precisamos mais de ensaios clínicos. Não precisamos mais comparar grupos, analisar dados ou aceitar que uma hipótese pode estar errada. Afinal, para que serve o método científico quando alguém na internet tem uma convicção?
O médico que passou 15 anos estudando uma doença terá que competir com alguém que assistiu a alguns vídeos, leu alguns posts e concluiu que descobriu uma verdade que milhares de especialistas não enxergaram.
Esse é o absurdo da nossa época: confundimos liberdade de opinião com igualdade de conhecimento. Todo mundo tem direito de falar, mas nem toda opinião tem o mesmo peso. Uma opinião formada por anos de estudo e evidências não está no mesmo nível de uma opinião formada por ideologia, intuição ou interesse político.
A ciência não exige que você acredite em um cientista como se fosse uma religião. Ela exige algo muito mais difícil: que você respeite o processo que separa fato de palpite.
Porque quando uma sociedade decide trocar especialistas por pessoas que apenas falam com convicção, o resultado não é mais democracia. É o abandono da razão.
Idiocracia explicita e irrestrita