Há quem ame e há quem odeie a "remada viking", mas o fato é que a torcida norueguesa emplacou o seu tempero especial na Copa do Mundo. Entre os que odeiam, estão os outros países nórdicos, inclusive a Suécia, que também entra em campo hoje.
Para suecos e outros povos nórdicos como dinamarqueses e islandeses, os torcedores noruegueses estão reforçando estereótipos associados à região que nem sempre são positivos.
A cultura viking como nós conhecemos hoje é uma invenção do século XIX. Foi na era dos romantismos, quando o nacionalismo aflorou com a busca por um passado glorioso sendo uma de suas normas, que se redescobriu os guerreiros nórdicos dos séculos VIII a XII e se passou a criar diversas histórias sobre eles.
O próprio termo "viking" surgiu só no século XIX, uma derivação de "vikingr", palavra do norueguês arcaico para "pirata" ou "saqueador". É uma forma de generalizar diferentes culturas e diferentes povos em uma imagem única. É verdade que povos da região guerrearam, saquearam e conquistaram muitas terras durante o período citado, porém, o imaginário popular atual é todo criado a partir do renascimento nacionalista.
Para os noruegueses (exceto o torcedor que viralizou se recusando a remar e se tornou uma sub-celebridade por isso, depois dando entrevista e chamando o ato de "ideia estúpida") não parece importar: eles vestiram a imagem na Copa do Mundo, estão felizes com sua seleção e com interpretar o personagem. Não são todos os nórdicos, afinal, que se sentem incomodados.
Mas o zagueiro sueco Victor Lindelof, por exemplo, afirmou que "não conseguiria participar" se fosse a torcida sueca, e que "só suspira" quando vê. Disse que é "só uma derivação barata do que os islandeses fizeram em 2018".
O jornalista dinamarquês Johnny Wojciech Kokborg, por sua vez, escreveu que os noruegueses estão "colaborando com o bullying nórdico" e que "estão tirando sarro dos povos locais".
Verdadeiro ou não, o imaginário viking já faz é parte da cultura dominante sobre a Escandinávia e arredores e a torcida norueguesa o emplacou na Copa do Mundo.
Deve emplacar também em muitas outras competições esportivas no futuro.
A Noruega é, afinal, um país que não para de crescer nos esportes. Liderou o quadro de medalhas nas Olimpíadas de Inverno em 2025, tem campeões mundiais em várias modalidades e agora, depois de décadas, uma seleção de futebol competitiva no cenário internacional.
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