Que por anos levei o silêncio como virtude, mas anseio pelo dia em que realmente sentirei vontade de falar. Não me falta assunto, é apenas a ausência da necessidade de falar. Não como algo básico de expressão, mas como uma demanda que requer muito da minha pouca energia.
"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim, por uma coisa atoa, uma noitada boa, um cinema um botequim, e se tiveres renda, aceito uma prenda, qualquer coisa assim, como uma pedra falsa um sonho de valsa, ou um corte de cetim, eu te farei as vontades..."
Meus dois pais me tratam muito bem
"OQUE É QUE VOCÊ TEM QUE NÃO FALA COM NINGUÉM?!"
meus dois pais me dão muito carinho
"ENTÃO PORQUÊ VOCÊ SE SENTE SEMPRE TÃO SOZINHO?!"
Eu quero poder olhar pra você, a lidar com o "nome" pai, e não ser mais um gatilho, quero poder acariciar todas as feridas escancaradas em mim, eu quero me desprender da ideia de pai que vc me fez acreditar que existia, eu quero poder amar em mim, tudo que me lembra você.
"quem eu sou"
Se olhar e não se ver
Se tocar e não se sentir
Você vê alguém
Você sente um corpo
Mas não é você
Não é falta de identidade, é distração ou a falta dela, eu quero parar de cobrança mas ela vem de qualquer jeito, e de novo eu guardo-a no peito
E isso é desrespeito.
Você devia ser meu primeiro amor, mas foi minha primeira dor, meu primeiro medo, o monstro que me assombra.
Não te culpo por não saber ser pai
Mas podia não ter sido um péssimo ser humano
Vc tirou de mim minha casa
Minha inocência
Minha vulnerabilidade
E me escondeu de mim.
"pai", te trouxe essa carta na intenção de te dizer que não consigo te perdoar, a dor do nojo virou culpa, e já não posso mais ser limpa, você me dizia pra não ter medo de você, que eu devia te respeitar, mas algo que eu aprendi é que não se tem respeito se tiver medo
E eu tenho.