Diante do evidente desastre econômico da esquerda brasileira, este excelente texto propõe o debate público que hoje realmente importa: a visão neoliberal que privilegia o rentismo a qualquer preço versus a visão neoconservadora que prioriza o verdadeiro desenvolvimento nacional.
Faria Lima x Faria Lima: um conto de duas avenidas
Era a melhor das avenidas, era a pior das avenidas. Era a avenida da coragem e a avenida do medo disfarçado de prudência; a avenida que apostava no futuro e a avenida que vivia do atraso alheio. Eram duas Farias Limas, na mesma cidade, na mesma época, no mesmo endereço — e, ainda assim, separadas por uma distância moral que nenhum mapa consegue registrar.
Existe uma Faria Lima que trabalha, arrisca e constrói. Aproxima o agronegócio do crédito, liga a indústria à poupança e transforma ideias em empresas, empresas em empregos e empregos em renda. Essa avenida precisa que o Brasil dê certo: sofre quando os juros sobem, quando o câmbio dispara e quando a economia afunda. Seu destino está ligado ao destino do país.
Mas existe também outra Faria Lima: uma avenida rica, cansada e aposentada antes da hora, que descobriu no IPCA +8% um substituto confortável para o trabalho. Não teme o naufrágio nacional — já reservou seu lugar no bote, com escala europeia. Quanto pior o país, maior o prêmio. Para essa Faria Lima, a decadência nacional não é propriamente uma tragédia: é uma classe de ativo.
É a avenida que odeia impostos, mas também a avenida que os ama — desde que pagos pelos outros. Uma detesta a burocracia e o Estado que sufoca quem produz. A outra discursa contra os ricos que não pagam impostos, mas jamais dispensa o advogado tributarista encarregado de garantir que ela própria pague menos. Sua indignação fiscal termina exatamente onde começa sua declaração de renda.
É a avenida que dorme mal quando uma fábrica fecha; e é também a avenida que dorme o sono dos justos quando o país naufraga e milhões perdem o emprego. Uma sofre com o desastre brasileiro. A outra se protege e lucra com ele — e ainda conserva a elegância de parecer preocupada.
Existe uma Faria Lima que vota pensando no país, porque o sucesso do Brasil também é o seu sucesso. E existe outra que vota pensando nos títulos do Tesouro Nacional. Esta reaparece a cada quatro anos, com a regularidade macabra de um filme de terror ruim — uma espécie de sequência do Massacre da Serra Elétrica pela soberania, sendo a soberania, claro, a do dinheiro dela. Ontem era para salvar a democracia. Hoje é para proteger a soberania. Amanhã será alguma nova virtude, escolhida cuidadosamente para vestir uma velha conveniência.
Depois da eleição a Faria Lima do atraso recomendará serenidade aos que ficam. Talvez publique uma carta pedindo responsabilidade. Talvez declare profunda preocupação com o futuro nacional. Enquanto isso, seu capital já terá partido — e restará por aqui apenas o discurso.
A primeira Faria Lima tem um futuro brilhante porque inova, produz e gera empregos. A segunda depende de um Brasil permanentemente inseguro, endividado e condenado a pagar juros extraordinários por sua própria desconfiança. Uma prospera com o sucesso do país. A outra protege sua fortuna contra o fracasso coletivo — e, por vezes, parece até confortável com ele.
Sempre haverá espaço para as duas. Ambas têm o direito de existir, investir e discordar. O erro é tratá-las como se fossem a mesma coisa, representassem os mesmos interesses e desejassem o mesmo Brasil. Por isso, da próxima vez que alguém falar em nome da Faria Lima, faça uma pergunta simples: Essa pessoa ganha ou perde dinheiro quando o Brasil dá certo?
A resposta talvez não explique tudo. Mas explica quase tudo o que importa.
@ASachsida Diante do evidente desastre econômico da esquerda brasileira, esse excelente texto propõe o debate público que hoje realmente importa: a visão neoliberal que privilegia o rentismo a qualquer preço versus a visão neoconservadora que prioriza o verdadeiro desenvolvimento nacional.
@claudio_dantas_ “Minha especialidade é finanças públicas.” - Fernando Haddad.
Ou tem algo errado com as finanças públicas ou com Fernando Haddad ou com ambos.
Copa do Mundo da FIFA 2026
Se a belíssima conquista da Espanha salvou não só a competição como o próprio esporte, Cabo Verde incumbiu-se de transformar o futebol em poesia. Com a palavra, Louis Armstrong.
Congratulações, Espanha🇪🇸
Bravíssimo, Cabo Verde🇨🇻
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