Não faço ideia de como atravessei minha adolescência e juventude sem morrer, jurava que viveria até os 30. Depois de tudo, as merdas que fiz: burrice ególatra própria da idade, outras por ingenuidade. Sem poder expor muito, as ruas de Lombardia, sabem o meu nome.
Estava ranqueando minhas frases de quando estou bêbada.
— Chamo Jesus de Genésio.
— Não estou bêbada, não.
— Saideira.
— Pode deixar, eu pago aqui.
— Banheiro?
Parecendo um homem hétero falando das minhas preferências, que ninguém perguntou, mas se tem um tipo de mulher que não me atrai em nada são justamente as belas, recatadas e do lar. Felizmente, ter sido criada só por mulheres a maior parte do tempo moldou meus gostos.
É o meu ritual sagrado. Sempre que retorno da França, meu primeiro destino é a cafeteria em frente ao Central Park. É o único jeito de me reequilibrar para a rotina caótica que me espera: o drama dos meus pais e o peso do trabalho excessivo. Fait chier.
Terminando minha última taça com o silêncio absoluto da sacada, no entanto, me sinto alterada a ponto de jurar que está tocando um jazz na minha cabeça. Meu mal humor matinal irá ter um motivo válido, dessa vez.