“Na adolescência eu tive meus dias bem sem-noção. Quem nunca? Uma vez, eu tinha acabado de entrar no São Paulo, dei uma dessas. Mas foi um aprendizado. E quando aprendo algo importante eu gosto de marcar. Vou contar pra vocês. Cheguei no São Paulo com a minha chuteirinha falsificada de camelô e os moleques lá todos de Nike, Adidas e tal. Num fim de semana eu vou dormir na casa de um amigo do time e a mãe dele leva a gente no shopping pra comprar uma chuteira nova pra ele. Uma Nike prateada top de linha. Tinha a bronze que o Ronaldinho e o Denílson usavam, e a prata. Ele quis a prata. Seiscentos reais, na época. Eu só olhando, babando. Aí pedi o celular da mãe do meu amigo, fui fora da loja, dei um migué de que tinha ligado pra casa e voltei:
— Beleza, tia. Minha mãe deixou. Ela falou que a senhora pode comprar uma chuteira igual pra mim e quando chegar a fatura do cartão ela paga.
Eu não sei se a minha mãe ficou mais decepcionada com a mentira ou com o fato de eu ter derrapado num momento em que fui colocado à prova. Porque eu sabia que uma chuteira não me faria jogar melhor nem pior. E também sabia que a minha família não podia arcar com uma despesa daquele tamanho. Mas ali eu fui o que a sociedade esperava e espera da gente: “Seja igual, não seja você mesmo. Copie os outros, queira ser quem você não é, porque isso é assim mesmo, não muda”.
Com as redes sociais isso ficou mais evidente. E talvez por isso as pessoas estejam cada vez mais ansiosas e deprimidas. A gente está trabalhando 15 horas por dia em vez de oito. Faz as refeições falando com o chefe no zap, toma banho cronometrado, tem dia certo pra contar historinha pro filho na hora de dormir. A gente é obrigado a acelerar tanto pra se encaixar, pra ser igual, mas tanto, que nem consegue mais olhar a paisagem. É complicado “viver” assim. E mais complicado é ousar querer ser diferente: precisa ter a força e a noção de que você vai apanhar mais do que bater, mas no fim vai sair vencedor com você mesmo, tipo filme de boxe.
A minha mãe precisou fazer muitas horas extras pra pagar aquela chuteira. Tempos depois, olha como é a vida, né?, eu fui patrocinado pela Nike. Peguei com os caras uma chuteira prateada, botei numa moldura e até hoje a minha mãe tem ela pendurada na parede do quarto. Foi a forma que eu encontrei de agradecer: mostrar que eu aprendi a lição e que nunca teria vivido o que eu vivo até hoje se não fossem eles, os meus pais. A chuteira prateada no quadro é uma lembrança e uma forma de honrar a jornada particular da nossa família.” – @DavidLuiz_4.
• 📸: Sam Robles/The Players’ Tribune
A Libra perdeu muitos clubes pra Liga Forte Futebol, que mudou de nome pra Liga Forte União, desde o grupo "União" formado pelas SAFs Cruzeiro, Vasco e Botafogo que buscavam o adiantamento em troca de 20% das receitas comerciais por 20 anos, até o Corinthians mais recentemente, outro que foi pelo adiantamento de 150M no empréstimo colchão.
Mas além disso, a LFU levou clubes do interior de SP, pensando que futuramente pode ter mais clubes na série A e enfraquecer a Libra.
Porém a Libra não deu mole e assinou com o Grupo Globo por 5 anos, o que lhe garante estabilidade, além de manter 100% dos seus direitos comerciais.
Como a Globo trabalha com orçamento, ela já assinou dando quase 50% da sua verba do "Futebol na Globo". Se assinasse com a LFU, teria o pouco mais dos outros 50% pra oferecer, sendo que lá há bem mais clubes para dividir o bolo, além do fato de que já adiantaram 20% das receitas por 50 anos e até 5% ficam com a intermediadora Live Mode. E há uma retenção maior de valor pra dividir entre clubes da Série B.
Disseram ter recusado suposta proposta de 560M/ano do SBT, o que não fazia sentido já que a emissora arrecadou 1,15Bi em 2023 inteiro e agora assinam com a Record por 210M/ano, emissora que arrecada em torno de 2Bi.
Como tem muitos descontos a fazer e mais clubes para dividir, a LFU pensava em conseguir até 1,5Bi no mercado, mas já vendeu seu pacote mais valioso (tv aberta) para uma emissora que fatura 7x menos que a que assinou com a Libra, fora a diferença de visibilidade das partidas, por 3 anos.
Agora estão buscando soluções, oferecendo pra bets e pra canais de Youtube que convenhamos: não tem nenhuma capacidade de igualar os valores da Globo.
E lembrando que nem o maior ano do PPV completo na maior emissora do país pagou mais de 440M de percentual sobre arrecadação com assinaturas.
A Liga Forte União vai ter um gap de valor de transmissão para os clubes da Libra como nunca houve no futebol Brasileiro. E a culpa é deles.
E o dinheiro da antecipação dos 20% foi pra gasto com contratação e pra fazer caixa de SAF (que se livrou de aporte e 2 das 3 do Grupo União já venderam o clube).
Edit: Ao que parece, a Libra inseriu com a Globo um gatilho de limite da proposta à LFU, o que foi uma tacada de mestre.
Genial. Torçam para que caiam 4 clubes da LFF/U - e o Corinthians seria cereja do bolo.
Vini Jr. gastará R$ 20 milhões para transformar escola pública desativada em São Gonçalo em sede de projeto.
Local onde funcionava o Ciep 040 Porto do Rosa Intercultural Brasil - Rússia foi cedido a representantes do jogador e terá investimento privado.
A unidade escolar foi desativada há cerca de dez anos. O acordo é que haja investimento de R$ 20 milhões em reformas, e o centro social poderá atender 5 mil pessoas, promovendo educação, esporte e cultura de graça à população do entorno.
Via: @JornalOGlobo
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