A student asked: "If sore throats are caused by a virus or bacteria, how come sleeping under the fan or drinking cold water gives it?"
I am surprised most people are not aware of the answer to this.
++ URGENTE: TAXAÇÃO DE DIVIDENDOS ARRECADA MUITO MENOS DO QUE O ESPERADO E VIRA DÚVIDA NA COMPENSAÇÃO DO IR.
++ O ESPERADO ERA R$ 30 BI, MAS A ARRECADAÇÃO DE JANEIRO E FEVEREIRO (SOMADOS) FOI SÓ DE R$ 157 MI.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Curva de Laffer na Prática, "Jênios"!
esse cara é literalmente um herói, presidência nele urgente, a cada notícia eu viro mais fã:
>stalkeia namorada
>pagou 30 milhões pra comer uma modelo
>tramou contra a integridade física de um jornalista
>deu golpe financeiro no bostil
herói nacional.
Isso pra mim tem nome: picaretagem!
Pra quem queria Nobel, podem aguardar por outro. Esse já era.
Tentei ler o pré-print do medRxiv, e não admira que não foi aceito pra publicação ainda. Fazem mistura de estudo em rato com piloto restrospectivo em humano, tiraram 2 óbitos da análise (não pode), amostra heterogênea, métodos nada esclarecedores, etc
Ainda tem a auto-citação na justificativa do funcionamento da polilaminina, ou seja, ela mesma diz que e como funciona. Pra parar por aqui, não mostra como foi feita a seleção pra chegar nesses 8 casos. E os demais?
Deixou de ser ciência e passou a ser torcida, com patrocínio da Cristália.
Existe uma receita infalível para vc comprovar que QUALQUER tratamento "é capaz de fazer as pessoas voltarem a andar".
Vou ensinar só uma vez.
Passo 1:
Aplique seu tratamento em uma amostra de pacientes que tiveram lesão medular em menos de 72h, período em que é impossível determinar se alguém vai ficar tetraplégico pro resto da vida ou não
(o leigo não sabe disso, e é importante que vc não explique isso pra ele)
Passo 2:
Certifique-se de que nessa amostra de pacientes NINGUÉM tem lesões medulares gravíssimas.
Por exeplo, um caso de fratura-luxação C4-C5 com subluxação bilateral das facetas que chegou ao pronto-socorro em 2 horas, intubado, sem qualquer movimento abaixo dos ombros. Na admissão: ASIA A, nível motor C4, nível sensorial C4, sem ZPP, sem sensação sacral, sem contração anal. Na ressonância, hemorragia intramedular de 3,5 cm de extensão centrada em C4-C5, com edema de C2 a C7 e perda quase completa do sinal medular normal no nível da lesão. SSEP e MEP completamente ausentes abaixo de C4.
Como a probabilidade deste paciente estar (e permanecer) tetraplégico é extremamente alta, é importante que ele NÃO seja incluído no estudo.
Agora, caso 2:
(esse vc vai incluir no estudo)
Homem de 58 anos que caiu da escada e teve hiperextensão cervical sobre espondilose pré-existente em C3-C5. Sem evidência de fratura, mas há estenose de canal preexistente agravada pelo trauma. No pronto-socorro, o residente de neurocirurgia de plantão encontra no exame neurológico no paciente q está agitado, com dor, sob efeito de opioide, e nas primeiras 2 horas do trauma:
- membros superior sem qualquer movimento detectável em mãos e punhos (bilateral)
- deltoides com esboço de contração (grau 1/5), difícil de confirmar pela agitação
- bíceps sem contração evidente
- membros inferiores sem movimento voluntário detectado em nenhum grupo muscular testado
- toque retal, realizado rapidamente, não revela contração anal voluntária
- sensação sacral S4-S5 incerta pq o paciente não consegue cooperar
- reflexo bulbocavernoso ausente.
No prontuário, o residente anota "tetraplegia completa, ASIA A, nível motor e sensorial C4, sem preservação sacral, indicada ressonacia de urgência e avaliação para descompressão cirúrgica"
Na ressonância, o radiologista vê achados compatíveis com síndrome de medula central, o que é consistente com lesão incompleta, embora a classificação clínica no prontuário diga ASIA A
Na discussão em equipe, o neurocirurgião responsável considera que o paciente se encaixa nos critérios para receber polilaminina: lesão medular aguda, ASIA A, nível entre C4 e T12, dentro de 72 horas do trauma, com indicação de cirurgia de descompressão (conforme protocolo registrado no ReBEC: https://t.co/gaAYkSKBF1)
A família é informada de que o prognóstico é altamente incerto; alguns achados preocupam, é possível que recupere muito bem, mas não dá para descartar um grau considerável de comprometimento para o resto da vida. O médico informa que um novo tratamento está sendo testado, e pode ser aplicado no paciente. Mas isso precisa ser decidido/feito agora, durante a cirurgia. Depois, não tem como. A família aceita que a polilaminina seja administrada durante a laminoplastia cervical que foi feita para descompressão da medula.
Passo 3:
Monitore e registre a evolução clínica dos pacientes.
Divulgue os casos de sucesso como prova de que um milagre aconteceu: pessoas tetraplégicas, que nunca mais voltariam a andar, estão tendo uma evolução sem precedentes
Em questão de alguns dias, os pacientes já mexem os dedos dos pés. Em uma semana, dobram os joelhos. Em três semanas, dois pacientes já deram os primeiros passos com andador
Poste as filmagens nas redes sociais e conte com a ajuda de influenciadores e páginas de fofoca para que o "milagre da polilaminina" viralize
E claro, o mais importante de tudo:
JAMAIS revele ao público que os casos em questão não se tratavam de "lesões irreversíveis"
Jamais revele que um dos pacientes, por exemplo, tinha uma síndrome de medula central — uma lesão incompleta por natureza, causada por hiperextensão cervical sobre uma estenose de canal que ele já tinha antes do acidente
Jamais revele que a ressonância magnética mostrava apenas um edema focal de 1,2 cm, sem hemorragia, com a medula estruturalmente intacta -- o que, para qualquer especialista, aponta prognóstico relativamente favorável
Jamais revele que a classificação inicial de ASIA A poderia estar errada, pois foi feita durante o choque espinhal, em um paciente agitado, com dor, sedado com opioide, e cujo exame sacral foi inconclusivo (mas registrado como "ausente")
Jamais revele que a verdadeira extensão da lesão foi conhecida apenas quando o choque espinhal se resolveu, dias depois, e que provavelmente se tratava de uma lesão incompleta como a ressonancia sugeria.
Jamais revele que o padrão de recuperação visto nos primeiros dias é descrito na literatura científica há mais de 70 anos como a evolução clássica e esperada dessa síndrome, com ou sem qualquer tratamento experimental.
Deixe que a mídia e o público leigo acredite que os pacientes que receberam polilaminina estavam realmente "tetraplégicos". Que realmente tinham "lesões irreversíveis", que apenas um milagre poderia fazer com que se mexessem novamente.
E, mais importante ainda:
Deixe que a mídia e o público leigo acredite que qualquer tentativa de esclarecer os fatos ao redor deste tema, no fundo, sejam ataques à pesquisadora responsável pela descoberta da molécula. Melhor ainda se acreditarem que são ataques politicamente motivados, ou que são ataques pelo mero fato da Doutora Tatiana ser uma mulher. Deixe que acreditem nisso. Esse será um bom escudo.
Se tudo der certo, você conseguirá convencer muitas pessoas de que o seu tratamento é eficaz. Ou melhor, milagroso. Mesmo que isso não seja verdade.
Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora que desenvolveu terapia para reverter lesões na medula espinhal, se encontrou com presidente Lula para pedir apoio da ANVISA na aprovação imediata para tratar pessoas com paralisia.
O estudo controlado ao qual o Bruno se refere não necessariamente precisa ser controlado por placebo.
O mais importante é ter um grupo controle, que foi selecionado da mesma população de origem (source population) que o grupo intervenção e apresenta prognóstico idêntico -- de maneira que a única diferença entre os dois grupos seja a aplicação da polilaminina.
A presença de um grupo controle é importante porque, a não ser que os efeitos da polilaminina sejam de magnitude extrema, é impossível saber se o curso clínico dos pacientes que receberam polilaminina seria diferente caso não tivessem recebido.
E pelo que temos visto nos casos que estão sendo divulgados (e nos casos relatados no preprint de Menezes et al. 2024), a velocidade e o grau de recuperação de capacidade funcional dos pacientes que receberam polilaminina é compatível com o que se espera apenas recebendo tratamento usual, conforme demonstrado na literatura.
Um ponto importante: mesmo que em uma série de casos de, digamos, 30 pacientes que receberam polilaminina, seja observada uma taxa de progressão maior do que a literatura apresenta, ainda assim haveria um elevado grau de incerteza para inferir que o tratamento é eficaz.
Isto é verdade porque existem pelo menos 2 fatores CRÍTICOS que podem justificar diferenças relevantes na taxa de progressão em uma coorte histórica e em uma coorte contemporânea que recebeu polilaminina:
1. Diferenças no processo de determinação do grau de comprometimento inicial pela escala ASIA: é plenamente possível, e até comum, que a equipe médica NÃO ACERTE o verdadeiro grau de comprometimento do paciente nas primeiras horas da lesão medular. Isso é amplamente sabido: existem MUITAS limitações que impedem a gente cravar uma classificação correta nas primeiras horas. Ninguém pode afirmar com total certeza que um paciente "nunca mais vai andar" em 24, 48 ou 72 horas desde o evento traumático!
Muitas vezes o grau de comprometimento mais definitivo não pode ser determinado sequer dentro dos primeiros 7-10 dias!
Por essa razão, é comum que médicos classifiquem pessoas com lesões incompletas equivocadamente como se tivessem lesões completas.
E como o prognóstico de pessoas com lesão completa é pior, a taxa de progressão com certeza vai ser MAIOR na sua coorte que recebeu polilaminina devido a esse erro de classificação, o que cria uma falsa aparência de eficácia. O maior percentual de melhora na sua amostra não é uma maior taxa de progressão real, é só uma correção do diagnóstico inicial que vc errou.
2. Diferenças no processo de seleção dos pacientes: dependendo da coorte histórica que vc pega para usar como referência, vc pode ter dados de pessoas que:
- demoraram para receber primeiros socorros
- demoraram para chegar no hospital
- demoraram até a cirurgia de descompressão
- receberam tratamentos sub-ótimos durante todo o processo, desde os primeiros socorros até a reabilitação com fisioterapia
Agora, imagine que as pessoas que recebem polilaminina em uma coorte contemporânea sejam todas bem selecionadas: receberam o cuidado usual padrão ouro de forma célere, foram atendidas por excelentes profissionais e não sofreram negligências em qualquer etapa do processo de tratamento.
Mesmo que a polilaminina sequer seja aplicada, vc COM CERTEZA tem uma coorte que tem MUITO mais probabilidade de recuperar capacidade funcional e/ou recuperar de forma mais célere!
Exemplo concreto:
Imagine que uma coorte histórica de 500 participantes tenham apresentado 15% de conversão de lesão completa para lesão incompleta (AIS A para AIS D, por exemplo)
Imagine que uma coorte contemporânea de 50 participantes, que receberam polilaminina, apresentem 30% de conversão de AIS A para AIS D.
Bem, temos aqui uma evidência de que pessoas que recebem polilaminina têm O DOBRO de chance de sair de 'lesão completa' para 'lesão incompleta motora'
Logo, o tratamento PARECE eficaz.
Mas esse resultado:
1. não deve te surpreender
2. não deve te convencer de que é realmente eficaz
Pq?
Porque uma diferença absoluta de 15 p.p. na conversão de AIS A --> AIS D pode ser plausivelmente explicada pelos 2 pontos que eu trouxe anteriormente: 1) diferenças no processo de seleção dos pacientes e 2) diferenças no processo de determinação do grau de comprometimento na escala ASIA!
Resumindo:
Se o tratamento tiver tamanho de efeito milagrosamente extremo, o que é improvável, saberemos disso vendo taxas de progressão implausivelmente altas (>70%) em um ensaio clínico de braço único.
Se o tratamento NÃO tiver tamanho de efeito extremo, sua eficácia precisará ser demonstrada em um ensaio clínico randomizado bem feito, com grupo controle. Só assim saberemos se realmente funciona, o quão bem funciona, e pra quem funciona.
PS: se esse texto foi útil ou esclarecedor, considere compartilhar.
Muito sensacionalismo é coisa que a ciência nunca perdoou.
Estão fazendo festa por conta de 6 pacientes, sem grupo controle, sem estarem participando de estudo controlado.
A gente torce muito pra que a droga funcione, mas são necessários dados pra serem escrutinados pela comunidade científica.