💭Tomei a liberdade de sonhar pelo mapa ferroviário e metropolitano que a Área Metropolitana de Lisboa e os seus habitantes mereciam🥹
Mais mobilidade, menos trânsito é a solução para uma cidade mais ágil e sustentável!
#MaisMobilidade#Lisboa [1/4]🧵
bom partido (2024) 🎞️
Estou farto de política, juntei alguns amigos para falar sobre a vida.
Uma mini-série de seis conversas, com a Inês, o Luís (não foi filmada a tempo deste teaser) a Mariana, o Pedro, o Rui e o Rui. 📹
Amanhã, estreia o primeiro episódio no YouTube.
Desculpem-me se parecer um texto demasiado emotivo para o twitter mas escrevo-o extremamente emocionado. Ao contrário de alguns, eu acho importante que as pessoas e os políticos falem sobre as suas origens. Mostra não só o quanto o país evoluiu, mas também como parou no tempo nas últimas duas décadas.
Por exemplo, eu sou neto de um pequeno merceeiro que dormia com a mulher e mais 8 filhos no sótão da loja. Naquela altura, fazer negócio sem ser de “boas famílias” era tão difícil que a maioria do seu trabalho tinha de ser feito na clandestinidade.
O meu avô morreu com um cancro tinha o meu pai 18 anos. Como não havia dinheiro para ter acesso a cuidados de saúde que pudessem aliviar as dores, os meus tios ainda falam dos berros noturnos tal era a agonia dele. Já o meu pai diz que foi tão traumático que terá apagado isso da sua memória. Pensem bem nisto.
A comunidade onde nasceram era um autêntico bairro de lata. De gente pobre, humilde e se o vizinho não tinha o que comer, a casa do lado partilhava o pouco que tinha.
Pessoas como o meu pai, antes do 25 de abril, estavam estatisticamente condenadas a viver para sempre na pobreza em que nasceram. Mas a revolução aconteceu. O Estado Social aconteceu. As reformas liberais dos anos 80 e 90 aconteceram. A entrada na União Europeia aconteceu. O país mudou e milhões de pessoas conseguiram aspirar a ser mais para lá do berço em que vieram ao mundo. Portugal deixou de negar a tarefa difícil de acompanhar o resto do mundo. Abriu-se.
Eu não tenho dúvida nenhuma: não fosse tudo isto, nenhum tio ou primo meu teriam visto a porta de uma universidade. Não fosse tudo isto, o meu pai juntamente com o irmão, nunca teriam conseguido manter a fabriqueta têxtil que ainda hoje trabalha. Não fosse tudo isto, eu nunca poderia ter gozado da infância fantástica que tive.
Colocar as coisas em perspectiva é importante por isto: numa altura em que nada parece mudar, mostra-nos o quão longe já fomos capazes de chegar. Acredito profundamente que essa mudança só foi possível porque o Estado era um agente de mudança e não um operacional para a manutenção do status-quo, como é agora.
Há uns anos, quando questionado sobre a necessidade do país ter reformas estruturais, António Costa respondeu que era “alérgico a essa expressão”. A representação perfeita do porquê de Portugal estar há duas décadas condenado à estagnação e ao definhamento.
Hoje, somos um país que não muda, governado por quem não quer mudar. Por quem enche a boca de democracia e progresso mas falha em compreender algo que devia ser óbvio: a maior ameaça à democracia está naqueles que negam a tarefa difícil de mudar.
Não quero que com isto pensem que responsabilizo António Costa por todos os problema do país. Só um louco pensaria isso. Mas em mais de duas décadas de cargos políticos, certamente nunca fez parte da solução. É herdeiro direto daquilo que António José Seguro, um grande socialista, explicou na perfeição: de que o maior entrave ao desenvolvimento do país tem sido aquele partido invisível, o partido do negócio, constituído por pessoas de vários partidos e múltiplos interesses, que em vez de combatido deixaram que se apoderasse da máquina pública. O lobby informal, a porta giratória, os “projetos de interesse nacional” sem qualquer interesse, a normalização da cultura do favor e da promiscuidade… unidos na tarefa de congelar Portugal no tempo porque esse país serve-os bem. Não serve é o resto.
Recordar de onde viemos é importante, sim. Acima de tudo para percebermos que não é inevitável estarmos como estamos. Que fomos capazes de melhor.