"Eu joguei futebol profissional por vinte anos. Dezessete times, umas oitocentas partidas, duzentos e tantos gols de tudo quanto é jeito. E vou falar uma coisa pra você: tenso, tensão braba mesmo, de ficar com nó na garganta, perder o sono e tal, eu só senti uma vez.
Te juro por Deus.
Foi na semana daquele Cruzeiro x Atlético em 2011. Era a última rodada do Campeonato Brasileiro e… vamos dizer a verdade, né? Os dois times estavam muito mal. Os dois! Uma draga lascada. O Atlético um pouco menos porque já tinha se livrado do rebaixamento. Nós ainda não.
Passei a semana inteira ouvindo palhaçada da torcida dos caras. Que vão cair, que o Galo vai ciscar vocês pra Segundona, que não sei o quê… Teve um sujeito que toda noite, todas as sete noites seguidas, sem falta, o miserável soltou rojão na porta da minha casa. Foi osso.
Eu só pensava em entrar logo em campo, meter um golzinho, um só, 1 a 0 tava bom, e acabar logo com aquilo. Mas os dias se arrastavam. Eu chegava na Toca da Raposa de manhã pra treinar e sentia o clima pesado por todo lado, principalmente na cara dos funcionários do clube. E ó, nesses anos todos de bola, nessas minhas andanças de norte a sul, leste a oeste, se tem uma coisa que eu aprendi é que, quando os funcionários do clube deixam de brincar, de sorrir, de fazer piada no dia a dia, quando tudo isso desaparece de uma vez, bom, é porque a situação é terrível. A gente precisava vencer de qualquer jeito. Um empate não adiantava.
Então, pra mim e pra todo mundo no Cruzeiro, o último jogo do Brasileiro de 2011 contra o Atlético era uma final. Jogo de vida ou morte, não tinha definição melhor.
Fiquei aliviado e a confiança subiu assim que eu pisei no campo, dei uma espiada em volta e vi. Ela estava lá. A faixa WELLINGOOL num cantinho. “Oba! A Mooca presente! Hoje é dia do mucho loco varzeano!! Ninguém me segura. Se eu tiver que morrer aqui pro Cruzeiro não cair, eu vou morrer.”
Até hoje, aonde quer que eu vá, seja lá em que parte do mundo eu esteja, o meu coração é um motorista bondoso de Belo Horizonte: ele sempre vai me conduzir pro Cruzeiro ou pra Mooca, o que pra mim dá quase no mesmo." – Wellington Paulista.
• 📸: Gazeta Press, Lucas Seixas
🕘Fim de jogo e VENCE O CRUZEIRO!
⚽Lucas Silva, Rafa Silva e Rafael Elias marcaram nossos gols.
Os primeiros 3 pontos no Brasileirão! VAMOOOS!
🔷 #CRUxBOT | 3-2 | 🔷 #SouCruzeiroTradição