A TAP foi das primeiras companhias do mundo a encomendar o novíssimo Airbus A350, primeiro na versão 800 que depois passaria a 900. Encomendou 12 unidades deste belíssimo avião. Seria o substituto natural do Airbus A340 que então se aproximava do final do seu ciclo de vida. O facto de ser construído em materiais compósitos tornava-o mais leve, mais económico e com maior autonomia que os A330Neo. Apesar disso após a privatização David Neeleman cedeu a posição da TAP na lista de espera (que era longa) do A350 a favor dos A330Neo mais facilmente disponíveis e mais baratos só que menos eficazes. Uma pena. É que do meu ponto de vista pessoal este é "apenas" o melhor avião comercial da atualidade
Piloto de aviões de combate a incêndios florestais é uma das mais difíceis e perigosas profissões do mundo. Porquê? Voando muito baixo em terrenos acidentados o risco de colisão com árvores, linhas de alta tensão, postes e outros obstáculos é enorme. A visibilidade é por vezes muito baixa devido ao fumo, o que dificulta ainda mais as coisas. A turbulência causada pelo calor intenso torna difícil o controle do avião: abundam situações de wind shear (mudança súbita de vento) causadas por fortes correntes ascendentes e descendentes. A baixa densidade do ar resultante do aquecimento limita o desempenho dos motores. A deslocação súbita do centro de gravidade do avião quando o líquido retardante é lançado sobre as chamas por vezes causa difíceis problemas de controle da aeronave. Depois há a enorme fadiga dos pilotos e da própria estrutura dos aviões causada pelas muitas horas a operar em condições extremas. A possibilidade de acidente grave por erro humano ou falha técnica está sempre presente. Nos dias que correm os homens e mulheres que pilotam estes aviões são os meus heróis🫡
Em 2018 o mesmo avião que hoje se despenhou na Rússia (RA 47315) embateu num poste de iluminação quando circulava no solo e a asa esquerda ficou neste estado. Este Antonov AN 24 foi fabricado em 1976, tem portanto 49 anos de uso em circunstâncias por vezes extremamente difíceis. Não comecem por culpar os pilotos, como já vou lendo por aí. Quem é obrigado a pilotar estes velhos aviões na Sibéria e nalguns dos lugares mais remotos de África só pode merecer a minha mais profunda admiração e respeito.
Devido à ausência de uma cauda convencional com estabilizadores vertical e horizontal o bombardeiro B2 é um avião inerentemente instável do ponto de vista aerodinâmico. Só com recurso aos quatro sistemas FBW Fly by Wire que controlam os comandos de voo realizando centenas de operações por segundo é possivel assegurar a estabilidade desta "asa voadora", nome por que é conhecido este conceito. Os quatro motores "ajudam" no controle direcional com recurso a potência (impulso) assimétrica. É impossível este avião ser pilotado manualmente por um humano; o design não contempla essa possibilidade porque ninguém teria a capacidade de reação suficiente para fazer as correções necessárias em tempo útil. A função do piloto consiste essencialmente em fornecer dados para os sistemas de navegação e gestão de voo; os automatismos fazem o resto.