“o tempo que eu tenho é para ler”, disse paulo henriques britto. “tudo que eu queria era que os deuses me concedessem duas horas extras por dia para poder ler”
gorki, ao conhecer tolstói, escreveu a tchékhov: “tudo o que ele disse era simples, profundo e, apesar de às vezes totalmente falso, muitíssimo bom. você olha para ele e é muito agradável sentir que também é um homem, pois percebe que é possível a um homem ser um liev tolstói”
“tentar saber o que é ser outra pessoa que não você, talvez seja o que há de mais interessante na vida”, escreveu emmanuel carrère. “esse é um dos motivos pelos quais se escrevem livros; o outro é descobrir o que é ser você mesmo”
marcelino freire é, entre tantas coisas, um frasista raro. “filósofo é um poeta que foi promovido”; “um poema nunca fica no lugar em que o deixamos”; “escrever é dizer outra vez o que a gente nunca conseguiu dizer”
la grazia. 1. qualità naturale di tutto ciò che, per una sua intima bellezza, delicatezza, spontaneità, finezza, leggiadria, o per l'armonica fusione di tutte queste doti, impressiona gradevolmente i sensi e lo spirito
“frank o'hara”, disse kenneth koch, “conseguia escrever havendo pessoas em volta. se lhe surgia uma ideia em presença de outras pessoas, bastava-lhe sentar-se e dizer: ‘me dê licença um minuto’, e então escrevia um poema”
o apreço pelas coisas pequenas e por sua materialidade; o olhar que acompanha a mudança das estações; o elogio do verão; a presença dos barcos; o corpo; as flores; a luz
da amizade de waly salomão e antonio cicero, zé simão conta, no livro de memórias editado pela casa matinas, que waly adorava brincar com a erudição do amigo e já começava as conversas dizendo: “cicero, você que sabe tudo…”. cicero nem respondia, só ria e dizia “sim!” e ria
“um clássico”, diz italo calvino, “é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” (cf. por que ler os clássicos. são paulo: companhia das letras, 1991, p. 11)
“o homem só é homem na ideologia”, anotou pasolini. “acima da ideologia ele é abstração e mito: uma figura retórica. porque a ideologia é interpretação do mundo num dado momento da história: disso não se escapa (mesmo quem protesta sem ideologia na realidade a tem, e é uma ruim)”
sobre o caricaturista nássara (1910-1996), jaguar afirmou que ele fazia o “logotipo” das pessoas que retratava. para millôr fernandes, que o chamou de “mondrian do portrait-charge”, ele “corrigia a natureza, fazendo com que as personagens acabassem se parecendo com a caricatura”