o ponto é que o gesto de proteger lacan é estruturalmente idêntico àquilo que o próprio lacan acusou na IPA e na ortodoxia freudiana: a conversão de uma obra em catecismo, de um pensamento em pertencimento.
é mais fácil localizar o desvio no miller do que admitir que muito do que se acusa nele o próprio lacan já autorizava. anti-miller às vezes funciona como sintoma de um lacanismo que não quer fazer o luto do mestre e o efeito é um lacan que precisa ser protegido.
@raulbrzl eu... eu gosto do miller... mas mesmo se eu não gostasse, eu acho que quaisquer equívocos dele representam tendências reais no interior do pensamento do lacan e que parte da reação anti-miller (além de um "complexo fraterno") é no fundo a ereção de um álibi pro próprio lacan