O professor Ricardo Felicio foi candidato como eu em 2018 no PSL, e eu não sabia que ele seria tão perseguido a ponto de perder os seus bens.
Quem puder ajudar e repassar a pessoas que têm condições de ajudá-lo nesse momento, fico grata.
@menekse3568 As barras atualmente são de fibra e fibras de carbono. Bambú já aposentou faz tempo. As varas são construidas especificamente para o peso, altura, velocidade e impulsão dos atletas.
Quem assistiu à série Columbo talvez se lembre daquele detetive de capa de chuva amarrotada, cabelo desgrenhado e jeito meio desajeitado. Ele fazia perguntas banais, parecia não entender direito o que estava acontecendo e deixava o suspeito relaxar. Até que, já perto da porta, vinha o famoso “só mais uma coisinha…” e aparecia a pergunta que mostrava que Columbo estava prestando atenção em tudo.
Sempre gostei desse personagem porque ele tinha uma relação muito particular com aquilo que não sabia: queria descobrir. Sua ignorância não fechava a investigação. Mantinha a investigação aberta.
Isso me lembrou o filósofo Immanuel Kant e seu conceito de menoridade. Menoridade não tem a ver com idade, e não se trata de falta de inteligência. É a condição de quem prefere que outra pessoa assuma o trabalho de pensar por ele.
E isso é diferente de ignorância. Nenhum de nós sabe tudo. O problema começa quando o “não sei” vira proteção.
Você já deve ter ouvido alguém dizer que não entende nada de política. A frase parece humilde, até que a conversa avança e aquela mesma pessoa demonstra convicções firmes sobre presidente, Supremo, Congresso, empresários, imprensa e segurança pública. Quando surge uma informação que confirma o que ela já pensa, compartilha e conclui. Quando é chamada a sustentar o raciocínio, recua: “Ah, também não entendo muito disso”.
A ignorância virou abrigo.
Hoje esse mecanismo ganhou novas ferramentas. Influenciadores, grupos de WhatsApp, canais de YouTube e algoritmos entregam uma dieta intelectual ajustada às nossas preferências. Recebemos cada vez mais coisas com as quais concordamos. E podemos atravessar a vida com a sensação de que estamos pesquisando, quando estamos só aprofundando nossas próprias bolhas.
Kant falava de Sapere aude: termo em latim que quer dizer “ouse saber.”
Ouse saber… o desafio está justamente aí. Saber não é só acumular informação. Muitas vezes significa aceitar a possibilidade de descobrir que a gente estava errada, que nosso grupo distorceu alguma coisa ou que uma crença antiga não se sustenta.
Maioridade intelectual não é rejeitar especialistas nem achar que sabemos tudo. É ouvir, comparar, investigar e conservar a responsabilidade pelo próprio julgamento.
Cara, e como isso é difícil… No Café Brasil 1049 – Sapere Aude – Ouse saber, eu desenvolvo essa ideia a partir de Columbo, Kant, pseudoignorância, algoritmos, bolhas e da diferença entre não saber e não querer saber.
Ouça o episódio e depois me diga: quando você fala “não sei”, está abrindo ou encerrando uma investigação?
Porque o problema nunca foi ignorar. O problema é desistir de saber.