EXPOSED! O verso da JADE no remix de “Beg For Me”, da Lily Allen, faz referência à bolsa de plugs anais que Lily supostamente encontrou no “pussy palace” de David Harbour:
“Homens precisam dos seus brinquedos
Mas nenhum plug vai preencher o vazio
Então não esqueça, antes de vocês se conhecerem
Você era aquela garota de língua afiada
Então pegue essa dor e transforme na sua lâmina”
🇧🇷🏳️🌈 Mulher indígena afirma que na sua aldeia não tem lésbicas, trans e nem gays.
De acordo com ela, existem apenas “homens e mulheres formando famílias”.
eles só conhecendo agora o conceito de gifs narrativos do qual fomos precursores.. isso é histórico sabe
imagina a reação se encontram o que marcou 2024
Todos esses vídeos de fruta de IA são a materialização da mente do brasileiro médio: seus estímulos, suas angústias e suas questões da forma mais direta e desprotegida possível.
O que aparece ali não é elaborado, não é filtrado, não é mediado por qualquer instância superior. É quase que uma confissão involuntária da nossa atual mediocridade cultural. É até tragicômico que o conteúdo dessa confissão seja, em grande medida, baixo. Os temas orbitam incessantemente em torno de mulheres gostosas (supostamente), do homem corno, das pequenas misérias do cotidiano e do futebol como válvula de escape simbólico de uma realidade atormentadora. É uma vida esvaziada mesmo, confinada ao imediato, sem qualquer tensão em direção ao eterno.
A estrutura desses vídeos se aproxima mais de um circuito de estímulo e resposta do que de qualquer forma propriamente humana de expressão. Algo bem animalesco mesmo. A IA funciona como um espelho sem pudor, que devolve ao espectador aquilo que ele já é, mas agora condensado, acelerado e sem qualquer verniz.
O resultado é uma pulverização daquilo que poderíamos chamar de uma natureza brasileira caída, fragmentada em impulsos rápidos, descartáveis, perfeitamente ajustados ao consumo contínuo. E é justamente por isso que viraliza aqui no nosso país, tristemente.
Claro que existe também um consumo desse tipo de conteúdo de modo pós-irônico. O riso diante do absurdo, da caricatura levada ao extremo, do colapso de sentido. Eu mesmo me estourei de rir ao ver aquele enredo artificial envolvendo Vinicius Jr e Virginia Fonseca. Nesse caso, o humor nasce da consciência da deformação. Há uma distância entre o sujeito e o objeto, uma espécie de superioridade momentânea que permite rir daquilo sem se confundir com aquilo.
Mas não é isso que ocorre com a maioria... A maioria é massa. Para a maior parte do público não há distância alguma. O grotesco não é percebido como grotesco, o grotesco na verdade é a linguagem natural. E acho que é esse o ponto decisivo. Quando a deformação deixa de ser percebida como tal, ela deixa de ser deformação e passa a ser norma vigente/modelador cultural. Por isso que não acho que esses vídeos de IA sejam somente um problema estético, mas antropológico também.
Afinal de contas, o que está em jogo não é apenas a qualidade do entretenimento, é a própria estrutura da imaginação do brasileiro enquanto consumidor de “arte” (muitas aspas aqui). Uma imaginação que seja incapaz de se elevar, incapaz de simbolizar algo que ultrapasse o imediato, acaba por se degradar. Ela deixa de ser ponte para o transcendente e se torna depósito de resíduos psíquicos, o que torna a população inteira uma massa de manobra incrível, ainda que indiretamente.
Para cada vídeo de IA, um post da @Atlantic_Sprt.