Jair Bolsonaro morreu ontem, 72 anos. E imediatamente circulou um card com seu “legado político”. Sou historiadora. Vamos falar com precisão sobre o que esse perfil representa, e sobre o que ele NÃO é.
Who was it that said "if you live in a 15 minute city but your barista has an hour-long commute you don't live in a city; you live in an amusement park"
problem: ai is stealing visuals from films and reproducing them
solution: mandate that every film releases with a superimposed image of me in order to poison the dataset
Está gerando indignação a vaga pra Auxiliar de Cozinha na confeitaria de uma famosa e elogiada chef brasileira, que já saiu em lista da Forbes e tudo.
Os requisitos da vaga? Fazer o trabalho de cozinheira, de gerência e limpeza das 14 às 22h, todos os dias, por R$ 1.800 por mês.
A chef, Isa Scherer, achou importante se explicar: a vaga é da época que ela abriu sua confeitaria, e as funções e remuneração lhe foram sugeridas por uma consultoria baseada nas práticas do mercado.
Hoje, ela diz, é tudo diferente. Funções mais bem definidas, diversos níveis de cargo e remuneração, o horário de trabalho é outro, e etc.
Mas essa realidade, a da auxiliar de cozinha que ganha pouco pra fazer o trabalho de cozinheira, gerência e limpeza, infelizmente, é comum na gastronomia brasileira.
Tão comum que uma consultoria olha pra cara de uma chef que consegue vender pedacinhos de cookie quebrado por 50 reais e sugere que ela pague 1800 por mês pruma auxiliar de cozinha fazer tudo.
Pois, atrás dos balcões nos quais os clientes pagam centenas de reais em suas refeições, há uma exploração dilacerante acontecendo. É o modus operandi do setor.
E falo, sim, dos restaurantes caros, que sei que podem oferecer um salário muito maior e condições de trabalho muito melhores.
Mas, enquanto os clientes reservam mesas pra consumir o luxo em seus pratos, aos trabalhadores desses restaurantes é reservada a desumanização.
É reservada a escala 6x1, os turnos intermináveis, a hora extra não remunerada, a incerteza dos freelas e as promessas vazias de uma carreira na cozinha.
É reservado o assédio moral, o ambiente tóxico, o incentivo ao abuso de substâncias, o burnout e taxas de ideação su*cida alarmantes.
E, ao fim dos turnos, nas casas dos funcionários, lhes é reservada a mesa vazia, sem poderem ver suas próprias famílias.
É por essas pessoas, também, a nossa luta pelo fim da escala 6x1. É por essas pessoas que o @RickAzzevedo, o @Movimento_VAT e eu estamos lutando e assim seguiremos.
Não dá mais pra aceitar que quem faz o nosso prato não tenha nem tempo pra comer.