Precisamos de ajuda. E precisamos de respostas da Sepaco/Unimed.
Há 11 dias, um neurocirurgião informou que meu irmão precisa ser operado com urgência por causa de um tumor no cérebro. Há 11 dias nossa família vive em função dessa cirurgia.
Foram 10 dias de UTI. Agora ele foi transferido para um quarto, não porque o problema foi resolvido, mas porque segue estável enquanto espera uma autorização que nunca chega.
Para completar, a Sepaco solicitou a transferência dele para outro hospital, mesmo ele já estando acompanhado por um neurocirurgião que conhece o caso desde o início e recebendo um excelente atendimento na UTI.
Até este momento, seguimos sem uma resposta definitiva sobre a autorização da cirurgia. Enquanto isso, os dias passam, a angústia aumenta e seguimos sem saber quando ele finalmente poderá ser operado.
Se alguém conhece alguém da Sepaco/Unimed que possa nos ajudar a destravar esse processo, ou um advogado especializado em liminares contra planos de saúde, por favor, entre em contato comigo.
Toda ajuda pode fazer a diferença. Compartilhar esta mensagem também nos ajuda a dar visibilidade ao caso. Muito obrigado.
O grito mais debochado do futebol nasceu por culpa de Garrincha.
Em 1958, no México, Mané pegou o lateral do River Plate pra Cristo.
Driblou uma vez: OLÉ!
Driblou de novo: OLÉ!
Driblou tanto que a torcida mexicana transformou futebol em tourada.
Ali nascia um dos sons mais humilhantes do esporte.
Toda vez que um estádio grita “OLÉ”, tem um pouco de Garrincha ali.
O futebol mundial deve essa ao Brasil.
Você conhece a origem do nome SELEFOGO? 🇧🇷⭐️
Chamamos o @bernardocentral para contar essa história, que começou sob o comando de Zagallo com goleada de 4 a 1 sobre a Argentina! E hoje, dia 1️⃣3️⃣, tem estreia para o nosso BRASIL na Copa! 🐺⚽️ #FogoNaCopa
O apagamento de Garrincha
Ele aplicou mais dribles numa única Copa do que qualquer outro jogador na história do torneio. Mais do que Maradona. Mais do que Pelé. Mais do que todo mundo. Tanto quanto as duas lendas citadas, ele carregou um time nas costas ao liderá-lo rumo a um título mundial. Então por que o nome dele some quando a conversa vira "os maiores de todos os tempos"?
Tem uma foto que todo mundo já viu, mesmo quem nunca parou pra olhar: as pernas tortas. A direita torcida pra dentro, a esquerda pra fora, uma mais curta que a outra. Os médicos disseram que o menino de nascido no distrito de Pau Grande teria sorte se andasse direito. Ele cresceu pra fazer o planeta inteiro correr atrás dele.
Manuel Francisco dos Santos. O Mané. O Garrincha. O Anjo das Pernas Tortas, a Alegria do Povo. Foram tantos apelidos porque uma palavra só não dava conta. E mesmo com todos eles, hoje, quando o mundo se senta pra eleger os deuses do futebol, o nome dele costuma ficar de fora da lista. Pelé entra. Maradona entra. Messi e Cristiano brigam pela vaga. Garrincha fica na arquibancada da memória, aplaudindo de longe.
Isso me incomoda. E não é por bairrismo.
Por muito tempo, a grandeza de Garrincha era uma daquelas coisas que você precisava ter visto pra acreditar. Quem viu jura. Quem não viu desconfia. O problema é que o futebol moderno não acredita em juramento. Acredita em planilha.
Então vamos a ela. Num levantamento de dribles por Copa do Mundo, Garrincha aparece sozinho no topo: 62 dribles na Copa de 1962. Maradona, na lendária campanha de 1986, fez 53. Jairzinho, em 1970, 43.
E o número absoluto é só metade da história. Quando você ajusta por tempo em campo, a distância vira abismo: Garrincha driblava 11 vezes a cada 90 minutos. Maradona, pouco mais de 7. É outro patamar quando o assunto é uma das artes desse esporte: o drible.
Aqui mora a pergunta que me trouxe a escrever. Se os números batem, se quem viu confirma, se ele tem duas Copas vencidas no currículo, 1958 e 1962, e foi o melhor jogador em campo no Mundial de 62 no julgamento de praticamente todo mundo que assistiu, por que Garrincha virou nota de rodapé na história global do futebol?
Tenho algumas suspeitas. Nenhuma delas, sozinha, explica tudo.
A primeira é a mais óbvia e a mais incômoda: Garrincha não soube, ou não quis, se vender. Pelé saiu de campo e virou empresa, embaixador, marca registrada do próprio mito. Cuidou da própria lenda. Garrincha saiu de campo e foi pra Pau Grande tomar uma cachaça com os amigos. Jogava pela alegria de jogar, não pelo que aquilo renderia depois. Num mundo em que o legado virou produto, quem não administra a própria imagem acaba administrado pelo esquecimento.
A segunda é o roteiro. O capitalismo adora uma história de vitória, e tolera o gênio atormentado desde que ele morra jovem e bonito, virando pôster de parede. Garrincha não deu esse luxo a ninguém. O fim dele foi lento, triste e pouco fotogênico: o alcoolismo, as dívidas, os amores conturbados, a decadência longe dos holofotes. Morreu em 1983, aos 49 anos, praticamente esquecido, com o corpo destruído pela bebida. É uma história difícil de estampar numa camiseta. Difícil de vender. Então não se vende.
A terceira é o que sobrou pra ser visto. A Copa de 1962 pouco foi registrada em imagem. O que existe é tênue, granulado, espalhado em pedaços esparsos. Já o México de 86, o Mundial do Maradona, roda em loop até hoje, com belas imagens, com a narração épica que o mundo inteiro decorou. A mídia reprisa o que tem guardado na gaveta. E da gaveta de Garrincha sobrou quase nada pra reprisar.
E tem uma quarta razão, talvez a mais funda. Garrincha era o craque do povo no sentido mais literal e mais incômodo da palavra. Pobre, mestiço, saído de uma vila operária no fim do mapa. Amado pela multidão, nunca convertido no ícone limpo e exportável que cabe num comercial de banco. A genialidade dele não era a do atleta disciplinado que serve de exemplo. Era a da molecagem, do drible que humilhava, da gargalhada na cara do adversário. Lindo de ver. Complicado de transformar em garoto-propaganda.
No fundo, o apagamento de Garrincha diz menos sobre ele e mais sobre o que a gente decidiu valorizar. Durante décadas, o debate sobre os maiores girou em cima de troféu, gol e Bola de Ouro. O drible, que era a religião de Garrincha, não entrava na conta. Não se media. Não dava manchete.
A ironia é deliciosa: agora que finalmente se mede, ele aparece na frente de todo mundo. Tarde demais pra mudar a narrativa. Cedo demais pra desistir de contar a história direito.
E vale lembrar uma coisa, pra não cair na lenda fácil: dentro do Brasil, Garrincha nunca foi totalmente esquecido. Tem o estádio em Brasília com o nome dele. Tem o poema do Vinícius (Vem-lhe o pressentimento; ele se lança / Mais rápido que o próprio pensamento / Dribla mais um, mais dois; a bola trança / Feliz, entre seus pés - um pé de vento!). Tem o apelido que virou definição. O apagamento é mais sutil e mais moderno do que isso. É o sumiço do nome dele das listas internacionais, dos rankings e das conversas nas mesas redondas televisivas e dos streamings.
Garrincha não precisa de pedestal. Nunca quis um. Mas merece, no mínimo, voltar pra conversa. Não como curiosidade folclórica das pernas tortas, e sim como o detentor dos números que agora gritam: um dos maiores que esse jogo já viu. O maior driblador de todos.
O homem que diziam que mal ia andar. E que terminou ensinando o mundo inteiro a cair.