Na noite desta quarta-feira, 12 de agosto, o sistema da Justiça Eleitoral registrou a desfiliação de Flávio Bolsonaro do PL e sua filiação ao Missão - partido ligado ao MBL que já lançou Renan Santos à Presidência. O acontecimento não pode ser tratado como simples “inconsistência cadastral”.
Flávio estava filiado ao PL desde novembro de 2021. Participou da convenção nacional e teve sua candidatura presidencial aprovada em 25 de julho. Mas, quando o PL tentou protocolar o registro no TSE, surgiu a surpresa - ele aparecia vinculado à legenda de um adversário, impedindo o procedimento.
A campanha denuncia fraude e considera a hipótese de ataque hacker. Ainda não existe perícia que permita afirmar como ocorreu a alteração. Mas o fato objetivo já é gravíssimo; alguém conseguiu inserir no sistema oficial duas movimentações partidárias capazes de atingir diretamente o candidato da oposição, a menos de três dias do fim do prazo eleitoral.
Quem solicitou a desfiliação? Quem registrou a nova filiação? Quais credenciais foram utilizadas? De onde partiu o acesso? O Missão recebeu ou validou essa operação? E como um candidato à Presidência pôde ser transferido de legenda sem sequer ser informado?
O TSE afirma que os dados do Filia são lançados sob responsabilidade dos partidos. Portanto, não basta corrigir silenciosamente o cadastro. É indispensável preservar os registros de acesso, realizar perícia, identificar os responsáveis e apresentar ao país uma explicação pública e documentada.
Se foi invasão, estamos diante de uma violação gravíssima do sistema eleitoral. Se houve uso interno de credenciais partidárias, o caso pode ser ainda mais perturbador. Em qualquer hipótese, não se trata apenas de Flávio Bolsonaro; trata-se da integridade da eleição presidencial.
Às vésperas do prazo final, o sistema oficial criou um obstáculo artificial ao registro do candidato da oposição. Chamar isso apenas de “erro” seria ingenuidade. O episódio cheira a sabotagem eleitoral - e, enquanto não houver transparência absoluta, a suspeita de golpe continuará pairando sobre a eleição brasileira.