Um dia eu cheguei na cozinha e vi a minha vó fazendo pão.
Ela tinha acabado de sovar a massa, colocou numa tigela, cobriu com um pano, subiu num banquinho e colocou em cima do armário, no alto e falou:
- Pronto! Agora é só esperar a massa crescer...
Eu, criança, fiquei intrigado:
- Vó, não é mais fácil você colocar em cima da mesa, não? Assim você consegue ver a massa crescer.
Ela sorriu pra mim com aquele jeito sereno de vó, e respondeu:
- Se eu deixo ela na mesa, sempre tem alguém que passa, tira o pano e espia o que tem dentro da tigela e fica dando palpite querendo apressar as coisas. Tem gente que só de curiosidade cutuca com o dedo sujo para sentir a massa. Tem gente que até arranca um pedacinho pra provar. A última vez que eu deixei a massa na mesa, teve uma pessoa que depois de provar, achou que a massa não estava do gosto dela e jogou sal por cima. E sabe o que acontece quando mechem na massa? Ela murcha.
Eu fiquei olhando, curioso. Então perguntei de novo:
- Não tem jeito de consertar não?
Ela de novo com aquele sorriso de canto, ajeitou o pano sobre a tigela e respondeu balançando a cabeça:
- É meu filho, às vezes até tem, mas nunca fica igual. Eu posso até tentar ajeitar, colocar mais farinha, mas o pão, ele só fica bom quando a massa é guardada. Nunca se esqueça disso, meu filho. A massa que prepara o seu pão de cada dia precisa ser guardada pra que ela cresça. Esconda do mundo curioso a massa do seu pão pra que ninguém atrapalhe o crescimento.
Naquela época eu não entendia a metáfora, mas eu guardei as palavras dela. Hoje eu sei que aquela conversa não era sobre pão e cada vez que eu penso na vó subindo no banquinho, eu lembro da lição de que as coisas crescem muito melhor no alto, protegidas debaixo de um pano, até chegar a hora de serem servidas de fato.
Tem sonhos que só viram realidade quando não são apressados, feridas que só saram quando param de cutucar, perguntas que só viram respostas quando não são interrompidas, conquistas que só acontecem quando não recebem conselhos desnecessários, amizades que só permanecem quando não precisam ser provadas a cada dia, o tempo todo. Amores que só permanecem firmes quando não recebem palpites, ideias que só crescem quando não são podadas.
E mais do que nunca hoje eu entendo que a sabedoria popular torna a vida mais leve e mais segura.
E você? Está escondendo também a massa do teu pão para que ela cresça?
Hoje encontrei um cara que trabalhou comigo há uns 7 anos.
Era moleque esforçado. Fazia entrega num negócio meu que não existe mais. Hoje ele trabalha num açougue aqui da cidade.
Tava lá comprando carne pro almoço do dia das mães quando ele veio falar comigo.
Disse que tava tentando me achar fazia tempo. Mandou mensagem no Facebook, eu não vi.
Soube que eu tinha os mercados na cidade e queria conversar.
Começou a fazer uns doces artesanais. Tá tentando montar uma renda extra pra um dia sair do açougue e tocar o próprio negócio.
Queria saber se eu colocaria os doces dele pra venda nos meus mercadinhos.
Ele não sabe ainda, mas eu nem precisei experimentar. Já tá decidido.
Vou colocar nas 6 lojas. E vou apresentar ele pra outros amigos meus que tem negócio e podem ajudar a escoar.
Não tô fazendo favor. Tô fazendo o que eu queria que tivessem feito comigo quando eu tava começando, com R$165 amassado na mão.
Quem chegou em algum lugar e esquece quem ainda tá tentando, não chegou em lugar nenhum.
Se eu soubesse que a vida de médico ia ser tao ruim eu teria continuado dando aula e formado quando desse, pelo menos estaria com o cheque especial e as contas em dia 👍
Trabalho em 2 hospitais - um do SUS em esquema CLT (sou concursada) e outro particular convênio no qual sou PJ.
Tive acidente com perfurocortante no SUS, coletaram sorologias minhas e do paciente e tive consulta com infecto.
No particular PJ me mandaram pra UPA 😅 🐼
Fui chamada ao gabinete de um juiz… daqueles que acham que até o eco responde “Excelência”.
Ele me mostra a petição, rindo:
- Olha isso aqui… “Esselentíssimo juiz”. Que erro grotesco! Esse advogado foi seu aluno?
Respondi, tranquilo:
- Foi sim. Mas… onde está exatamente o erro?
Ele já muda o tom:
- Como assim? Você não sabe escrever “Excelentíssimo”?
Aí eu fui com calma… porque certas verdades precisam ser entregues com elegância venenosa:
- Depende do que ele quis dizer.
O juiz franze a testa.
- Se ele estava elogiando a excelência do senhor… aí sim, erro grosseiro.
Pausa.
- Mas se ele estava comentando a velocidade da Justiça… então não é erro. Só uma junção infeliz.
Silêncio no ar.
- O correto seria separar: “Esse lentíssimo juiz”.
Dizem que depois disso ele nunca mais leu “Excelentíssimo” do mesmo jeito.
E até hoje, quando alguém usa o termo… ele fica na dúvida:
- Isso é elogio…ou é diagnóstico? 🤭🤭🤭😁