Trago o professor Sidney Silveira para ilustrar melhor o fulcro do debate que levantei (estando, neste lance, o Cristiano Ronaldo de fato impedido ou não):
"A Credulidade Beócia Na Tecnologia
O gol anulado no jogo entre Portugal e Colômbia, terminado ainda há pouco, fez-me recordar uma observação de Nelson Rodrigues que, passadas tantas décadas, parece hoje ainda mais atual. Ele zombava dos "idiotas da objetividade" e dizia que "o videotape é burro". Muitos supuseram tratar-se de uma implicância com a tecnologia, mas não era. A crítica dirigia-se a uma disposição de espírito muito mais profunda: a de acreditar que um instrumento técnico é capaz de substituir o juízo humano.
Hoje, os sacerdotes mudaram, mas o culto permanece: o videotape cedeu lugar ao VAR, às reconstruções tridimensionais, às linhas traçadas por computador e a uma confiança quase religiosa naquilo que aparece na tela. Forma-se, então, um curioso paradoxo: quanto mais sofisticada é a tecnologia, menos as pessoas parecem confiar na própria inteligência. Já não olham o lance; aguardam, silenciosas, o veredito da máquina, como se esta fosse uma instância superior da realidade.
Ora, nenhuma tecnologia contempla o jogo; apenas produz uma representação do jogo, e lembremos que representação não é identidade. O olho humano, apesar de todas as suas limitações, possui uma extraordinária capacidade de perceber profundidade, perspectiva e relações espaciais. Não mede milímetros, é verdade; mas apreende imediatamente uma realidade tridimensional que nenhuma imagem bidimensional consegue reproduzir sem recorrer a modelos, cálculos e interpretações.
É precisamente aí que reside a questão filosófica. Quando a FIFA exibe uma linha colorida sobre a imagem, muitos têm a impressão de que estão vendo a própria realidade conforme sucedeu. Não estão! Estão vendo uma reconstrução técnica elaborada a partir de determinados parâmetros. A tal linha não brota da relva; ela é produzida por um sistema concebido por homens, calibrado por homens, operado por homens e fiscalizado por homens.
A partir daí, podemos destacar uma verdade tão simples quanto freqüentemente esquecida: todo sistema técnico pode, em princípio, ser manipulado. Isto não significa afirmar que o tenha sido num caso concreto, como no jogo entre Portugal e Colômbia. Significa apenas recordar que nenhuma máquina possui virtude moral, e que a técnica pode reduzir erros, mas jamais poderá garantir honestidade.
Entre o algoritmo e a verdade permanece sempre a liberdade humana, com todas as suas grandezas e misérias.
Vivemos, porém, uma época fascinada pelo fetichismo da técnica. Basta que uma decisão venha acompanhada de gráficos, linhas e animações computadorizadas para que adquira, aos olhos de muitos, uma autoridade quase metafísica. É como se a objetividade deixasse de ser uma qualidade do juízo para transformar-se numa propriedade da máquina.
Esta é uma superstição tipicamente contemporânea.
Há ainda outro aspecto impossível de ignorar. O futebol deixou de ser apenas um desporto: é uma indústria que movimenta bilhões em direitos de transmissão, patrocínios, publicidade e interesses econômicos. Ora, ninguém precisa aderir a teorias conspiratórias para reconhecer que, onde circulam somas gigantescas, a prudência recomenda vigilância, não ingenuidade; ademais, confiança cega nunca foi virtude. No Brasil, por exemplo, alguns poucos clubes são reiteradas vezes beneficiados por decisões ridículas, inclusive do VAR.
Talvez Nelson Rodrigues reformulasse hoje a sua antiga ironia: antes, o bandeirinha errava com a bandeira; agora, o computador pode ser levado a errar, porém envolto pela aura da infalibilidade técnica. Mudaram os instrumentos; não mudou a credulidade dos "idiotas da objetividade".
Continuo preferindo confiar, antes de tudo, na inteligência humana. Porque ela sabe distinguir entre a realidade e a sua representação; entre um juízo prudencial e um cálculo; entre a verdade e a aparência tecnológica da verdade.
Dito isto, sou insuspeito para dizer o que direi, pois torcia por Portugal: no gol anulado da Colômbia, havia um zagueiro português, no lado direito da pequena área, que, a meu ver, dava plenas condições de jogo ao autor do gol."
Sidney Silveira
Isso aqui é fruto do maldito empirismo que vocês chamam de "ciência", ou seja, a crença de que todo conhecimento parte da experiência sensorial. Logo, o que não pode ser medido não existe, e, por outro lado, toda medição ganha autoridade sobre a percepção.
Dessa crença maldita, e que por mim deve ser condenada como heresia, deriva um tanto das chagas modernas, das loucuras de hoje. A verdade é que toda medição precisa de um ser racional que as analise e as compare com sua percepção para determinar sua realidade.
Todo mundo sabe que essa bola não tocou no cara, mas um chip e um acelerômetro disseram que sim e nos tiraram um dos momentos mais emocionantes dessa copa.
PAPA LEÃO XIV, CONDENE O EMPIRISMO
"Exatas" e "humanas" parecem títulos pros contextos. Existe o conjunto "burros" e, fora dele, tudo aquilo que nao é burro. Existe uma disjunção entre "burros" e "pessoas de exatas", obviamente estas n sendo burras. Dentro de "burros", há "pessoas de humanas".
Design só tá ruim
eu entendo a intenção do amigo de zoar o bobao de exatas pq ta ruim de entender
mas tecnicamente o diagrama nao ta errado
a justificativa do pessoal de exatas de q "n é diagrama de venn" é maluquice
e o pessoal de humanas tentando achar erro onde n tem é pior
so ta feio +