Milly Lacombe comentou em trecho em sua coluna no UOL quando e por que se separou da seleção brasileira masculina.
💬"Meu desprezo pela seleção masculina não me faz melhor ou pior do que ninguém. Não foi uma escolha feita de forma racional deixar de amar. Aconteceu. Não vejo mais minha cultura em campo. Não vejo criatividade, insurgência, festa, ousadia, drible. Por outro lado, vejo covardia, medo, conservadorismo, arrogância e individualismo. É um retrato do Brasil oligárquico e não do Brasil verdadeiro... O feminismo certamente me afastou da seleção dos homens também. Ser feminista e gostar de futebol masculino é ter que lidar com muitas contradições e tentar acomodá-las nos deixa exaustas".
Fala incrível e cheia de dados do Eduardo Gianetti: "E se o Brasil se desvencilhasse desse colonialismo mental, e visse que os EUA não é modelo p/ ninguém? É uma sociedade doente. Trump é sintoma de uma doença profunda" Vale assistir 👇
A SAF do Atlético-MG teve prejuízo de R$ 882 milhões em 2025.
Mas o que mais chama atenção é uma única linha que sozinha respondeu por R$ 572 milhões.
Ela aparece como despesa financeira, mas não é juros nem câmbio.
Vou te contar o que aconteceu 👇
Sobre o “distanciamento” de Rafael Menin do dia a dia do Atlético:
Começo dizendo que vejo como boa notícia. Não tinha clima (nem externo e nem interno) pra ser o tomador de decisões na rotina do Clube. Tem muita gente feliz do portão do CT pra dentro, e na Arena/sede também. Ou seja: o afastamento pode impactar em uma melhora no ambiente e, consequentemente, de desempenho. Tomara.
Ainda sobre ser uma boa notícia, isso só atesta o quão ruim era o trabalho de Rafael à frente da SAF atleticana. Em condições normais, se o dono do Clube vem a público dizer “vou cuidar menos do nosso time pra focar mais na minha outra empresa”, receberia duras críticas. O sentimento do atleticano é de alívio. Sintomático.
Agora, a dúvida que fica no ar é, num português claro: quem vai mandar? Em tese, Pedro Daniel. Mas vai mandar mesmo? Vai ser dele a palavra final sobre treinador, sobre diretor de futebol, sobre contratações? Se sim (e no Clube garantem que sim), toda a sorte do mundo pra ele. Não tenho dúvidas da competência, mas ainda não foi posto à prova nesse tipo de função.
Agora, se o “distanciamento” de Rafael não refletir em autonomia de verdade pra Pedro Daniel, aí não tenham dúvidas de que nossa cobrança vai ser ainda maior do que sempre foi. O atleticano não aguenta mais comprar discursos da SAF, acreditar em mudanças e quebrar a cara na sequência.
Voltando à hipótese de que a caneta vai, de fato, mudar de mão: quem sou eu pra dar dica pra qualquer um, ainda mais pra alguém com o currículo muito maior que o meu, mas quero terminar o texto cometendo a ousadia de dar uma dica pro Pedro Daniel, porque de Atlético a gente entende um pouquinho: eu sei que a cadeira exige racionalidade, mas o Galo sem coração não é o Galo. Esse Clube é emocional por essência. Sem alma, o negócio não anda por aqui. Se permita ouvir um pouquinho mais o torcedor e deixar de lado a planilha, só de vez em quando, como você já fez algumas vezes (e acertou).
O torcedor não aguenta mais tanta passividade, tanta frouxidão, tanto desrespeito com nossa camisa. A gente não pode passar tantos vexames em sequência e seguir a vida como se nada tivesse acontecendo. O Galo é grande demais, e quem veste nossa camisa (em qualquer função) tem que saber disso.
Precisamos resgatar um Galo vibrante, raçudo, corajoso, firme e mais conectado com o torcedor. Enquanto o atleticano estiver vendo X, e o clube insistindo que é Y, o negócio não vai andar.
O Galo nunca acabou, jamais acabaria (mesmo sem 1 centavo dos Menin) e nem vai acabar. E nossa força vem do nosso povo, muito antes de vir do aporte desse ou daquele. Entender isso é o primeiro passo pra gente recuperar nossa dignidade.
Boa sorte pra nós. Vamos, Galo! 🐔
Perdemos pela primeira vez NA HISTÓRIA pra um time venezuelano outro dia. Hoje, perdemos pela primeira vez NA HISTÓRIA pra um time peruano. No meio do caminho, suamos pra ganhar do vice-lanterna do Campeonato Uruguaio, tomamos um TOTÓ pro Flamengo em casa, temos pontuação de Z4, entre outras vergonhas.
A postura da SAF no meio dessa coleção de vexames: 🙃✌🏽🤙🏾😝
Surreal. Os caras simplesmente SE ACOSTUMARAM com vexame. O time é humilhado jogo após jogo e NADA ACONTECE. E se dizem atleticanos.
Não sabem NADA de Atlético. NADA. Nunca souberam.
Antes que eu me esqueça: #SAFNota0
O que ainda pode ser tirado do Atlético?
O Clube Atlético Mineiro oficializou sua transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 1º de Novembro de 2023. Em tese, um projeto diferente das outras SAFs: feito por atleticanos, o que aproximaria a torcida, traria identidade e maior conexão com o clube.
No início, falava-se em um Atlético protagonista, com elenco forte, grandes investimentos (“4 Hulks”), pagamento de dívidas e transparência com a torcida.
Na prática, porém, o cenário desde 2023 é de preocupação.
O Atlético vive um aumento de dívidas, trocas constantes de treinadores, exposição dos donos e acionistas no cenário nacional e internacional, distanciamento entre clube e torcida, ausência de posicionamentos por parte dos principais acionistas, enquanto parte da imprensa e da própria torcida organizada não exerce, de forma consistente, a cobrança pública sobre a gestão.
Apesar dos vices na Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana em 2024 e 2025, os anos não foram positivos.
O Atlético vive um período de instabilidade, com jogadores relatando atrasos salariais e dirigentes de outros clubes expondo a falta de compromisso do clube no pagamento de contratações.
A categoria feminina foi rebaixada em 2024, a categoria sub-20 sofreu rebaixamento no ano seguinte, e as temporadas terminaram com o elenco principal lutando contra a queda, novamente acompanhada de promessas de um “2026 diferente”.
A Arena MRV, que deveria ser um espaço de aproximação e sinergia entre clube e torcida, se tornou um ambiente apático e frio.
Além disso, há relatos de episódios de agressões envolvendo seguranças e torcedores, incluindo situações de impedimento a manifestações e protestos direcionados ao elenco e à gestão.
Nesse cenário, um dos poucos pontos de identificação dentro do elenco caminha para um desfecho melancólico, que simboliza essa gestão: Hulk, considerado por muitos o maior ídolo recente do Atlético, está próximo de deixar o clube. Mesmo sem viver sua melhor condição física, em parte pela idade, sua possível saída, pelas portas dos fundos e para um clube brasileiro, reforça a percepção de uma gestão desqualificada, trivial e inapta.
Em meio a crises, rebaixamentos e reestruturações, a torcida do Atlético historicamente manteve sua presença e foi reconhecida entre as mais apaixonadas do país.
Ainda assim, o cenário atual levanta uma dúvida incômoda: o que ainda pode ser perdido, quando o atleticano já teve arrancada a sua alma?
✍🏽 @larimdsn