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Em artigo exclusivo para CartaCapital, o ministro Flávio Dino, do STF, enfrenta uma das críticas mais recorrentes ao Supremo: o suposto excesso de poder individual dos ministros nas decisões monocráticas.
Dino argumenta que o modelo atual não decorre de “pendor autoritário” ou personalismo dos julgadores, mas de regras jurídicas, sem as quais, afirma, haveria risco de colapso na prestação jurisdicional. O texto também trata de colegialidade, reforma do Judiciário, precedentes, transparência e dos reais problemas da Justiça brasileira.
Leia a íntegra 👇
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Mino Carta, o maior jornalista do Brasil, deixa um legado de ousadia, honestidade e compromisso com a verdade. Confira, nesta edição especial, as homenagens de CartaCapital a seu fundador:
EM MEMÓRIA ✝️ Fundador e diretor de redação de CartaCapital, o jornalista Mino Carta morreu nesta terça-feira 2, aos 91 anos. Há um ano, Mino lutava contra os problemas de saúde, em idas-e-vindas do hospital. Sua trajetória se confunde com a história do jornalismo contemporâneo do Brasil: lançou as revistas Veja, em 1968, IstoÉ, em 1976 e CartaCapital, em 1994. Esteve à frente da equipe fundadora do Jornal da Tarde, em 1966, e fundou o breve Jornal da República, de 1979, em parceria com o amigo e mentor Claudio Abramo.
"No Brasil, a revolta contra a injustiça, contra esse desequilíbrio social, desumano, é um fato inescapável", disse Mino em uma conversa com jornalistas de CartaCapital em maio de 2021. "Precisamos, portanto, como jornalistas, contar a verdade como ela é, a verdade factual".
Leia a trajetória de Mino Carta no site de CartaCapital: https://t.co/0eyOVY0Qzi
Recebi com muita tristeza a notícia da morte de meu amigo Mino Carta, ocorrida na madrugada deste 2 de setembro. Ele fez história no jornalismo brasileiro: criou e dirigiu algumas de nossas principais revistas (Veja, Isto é, Quatro Rodas, Carta Capital, Jornal da Tarde, Jornal da República) e formou gerações de profissionais e, sobretudo, mostrou que a imprensa livre e a democracia andam de mãos dadas. Em meio ao autoritarismo do regime militar, as publicações que dirigia denunciavam o abuso dos poderosos e traziam a voz daqueles que clamavam pela liberdade.
Conheci Mino há quase cinquenta anos, quando ele, pela primeira vez, deu destaque nas revistas semanais para as lutas que nós, trabalhadores reunidos no movimento sindical, estávamos fazendo por melhores condições de vida, por justiça social e democracia. Foi ele quem abriu espaço para minha primeira capa de revista, na Istoé, em 1978. Desde então, nossas trajetórias seguiram se cruzando. Eu, como liderança política, ele, como um jornalista que, sem abdicar de sua independência, soube registrar as mudanças do Brasil. Vivemos juntos a redemocratização, as Diretas Já, as eleições presidenciais e as grandes transformações sociais das últimas décadas.
Estas décadas de convivência me dão a certeza de que Mino foi – e sempre será – uma referência para o jornalismo brasileiro por sua coragem, espírito crítico e compromisso com um país justo e igualitário para todos os brasileiros e brasileiras. Se hoje vivemos em uma democracia sólida, se hoje nossas instituições conseguem vencer as ameaças autoritárias, muito disso se deve ao trabalho deste verdadeiro humanista, das publicações que dirigiu e dos profissionais que ele formou.
Em sua memória, estou declarando três dias de luto oficial em todo o país.
À sua filha Manuela e a todos os seus familiares e os inúmeros amigos que construiu ao longo de sua vida, deixo um forte e carinhoso abraço.
📸 @ricardostuckert
Morreu nesta terça-feira 2, aos 91 anos, o jornalista Mino Carta, fundador de @cartacapital. Há um ano, Mino lutava contra os problemas de saúde, em idas-e-vindas do hospital. Na última passagem, estava havia duas semanas na UTI do Sírio-Libanês, em São Paulo.
Sua trajetória se confunde com a própria história do jornalismo brasileiro. Foi criador de revistas que marcaram época: Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e, por fim, CartaCapital.
Nascido em Gênova, em uma família de jornalistas perseguidos pelo fascismo, Mino chegou ao Brasil após a Segunda Guerra. Aqui, descobriu por acaso sua vocação: começou a escrever ainda adolescente e nunca mais parou. Fez do ofício uma forma de interpretar o País, com olhar atento às contradições de poder e firme desconfiança das elites brasileiras.
Sempre acompanhado de sua Olivetti, recusou modismos tecnológicos e nunca escondeu o desencanto com os rumos do Brasil. Até o fim, manteve-se fiel a uma máxima: jornalismo deve servir à verdade, fiscalizar o poder e desafiar o pensamento único.