Quando alguém diz que mulher não sabe votar, não está apenas desrespeitando nós mulheres. Está atacando a democracia e tentando nos empurrar para um passado que não cabe mais no Brasil de hoje. Lugar de mulher é onde ela quiser: votando, estudando, empreendendo, liderando empresas, ocupando cargos públicos e ajudando a decidir os rumos do nosso país. Não há espaço para retrocessos.
Não é estranho que estejam atacando o voto feminino justamente quando nós, mulheres, somos a maioria da população brasileira? Não é um comentário isolado, uma provocação qualquer ou uma pessoa querendo aparecer. Existe um ataque orquestrado contra os nossos direitos, no Brasil e no mundo, e a extrema-direita está testando até onde consegue nos fazer retroceder.
Eu nem queria dar palco para Pietra Bertolazzi. Quando vi o vídeo, pensei em reagir de muitas formas, inclusive xingando. Mas depois me perguntei: o que se diz para uma mulher que declara ser contra o voto feminino e contra a distribuição gratuita de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade? Ela chegou a um lugar que talvez não seja possível alcançar. É triste, é digno de pena e é profundamente assustador.
Mas isso não é apenas sobre ela. É sobre o que a extrema direita está tentando fazer com a nossa sociedade. Querem naturalizar a ideia de que podemos perder direitos conquistados com décadas de luta. Querem que as mulheres voltem para dentro de casa, longe da política, das decisões e dos espaços de poder. Querem que sejamos enfeites, bibelôs, sem voz, autonomia ou direito de decidir sobre a própria vida.
E precisamos olhar também para dentro do nosso campo. Não basta denunciar quem quer retirar o voto das mulheres se nós, da esquerda e dos setores progressistas, não compreendermos a urgência de eleger mulheres, principalmente mulheres negras, e transformar profundamente a composição das nossas instituições.
As mulheres são 51,5% da população brasileira. As mulheres negras são o maior grupo populacional do país. Mesmo assim, ocupam menos de 20% das cadeiras da Câmara e do Senado. No Supremo Tribunal Federal, há apenas uma mulher entre onze integrantes e nunca houve uma ministra negra. Essa distância entre a população brasileira e quem ocupa o poder não pode continuar sendo tratada como normal.
Você se enxerga nesses espaços? Você acredita que instituições formadas majoritariamente por homens brancos, ricos e de colarinho vão colocar os direitos das mulheres, das mulheres negras, das trabalhadoras e das mães solo no centro das decisões? Alguns podem defender essas pautas, mas representação não pode depender apenas da boa vontade de quem nunca viveu aquilo que nós vivemos.
A gente não consegue sair do básico. Todo dia é uma nova luta para impedir retrocessos e garantir direitos elementares: o direito de não ser violentada, de receber salário igual, de ter acesso à saúde, à dignidade menstrual, à educação, à proteção do Estado e, agora, até o direito de votar. É um buraco profundo quando, em pleno 2026, precisamos explicar novamente que mulher é cidadã e ninguém pode retirar sua voz política.
Isso fica ainda mais grave quando uma pesquisa mostra que 67% dos brasileiros não se lembram em quem votaram para deputado federal em 2022 e 66% não recordam o voto para senador. Nós entregamos a essas pessoas um cheque em branco: o nosso voto, o nosso dinheiro, as nossas decisões e parte das nossas vidas. E estamos entregando esse poder para quem?
Para quem trabalha para garantir nossos direitos ou para quem quer nos devolver à cozinha? Para quem reconhece nossa cidadania ou para quem acha que mulher deve obedecer e ficar calada? Para quem entende a dignidade menstrual como política pública básica ou para quem considera absurdo garantir absorventes a meninas e mulheres pobres?
Precisamos parar de tratar o voto para deputado e senador como uma escolha menor. É no Congresso que decidem sobre o nosso corpo, trabalho, renda, segurança e futuro. É nosso dever saber em quem votamos, acompanhar os mandatos e eleger representantes comprometidos com aquilo que somos e com o país que queremos construir.
Não haverá transformação verdadeira enquanto as mulheres, especialmente as mulheres negras, continuarem sendo maioria na população e minoria nos espaços de decisão. Não basta impedir que tirem o nosso voto. Precisamos usar o nosso voto para ocupar o poder.
Às vezes eu penso que o mundo acabou durante a Covid e que a gente ficou preso no umbral, numa realidade paralela. Porque é uma coisa absurda em cima da outra, sem tempo de processar.
Só nessa semana:
Viih Tube e Eliezer criaram um reality com os próprios funcionários, tentando pegar carona na pauta do fim da escala 6x1. Um reality baseado em constrangimento e humilhação. Fizeram, acharam bom, insistiram na cagada e, quando a repercussão veio, o perfil saiu do ar. Faz a merda e depois foge.
Como se não bastasse, uma diretora da Fiesp foi ao Senado argumentar contra o fim da escala 6x1 porque trabalha em escala 5x2 e precisa ir ao salão e fazer compras aos sábados. Se os trabalhadores tiverem mais descanso, quem vai servi-la? Para a madame fazer a unha e o cabelo no sábado, alguém precisa continuar sendo explorado.
Ao mesmo tempo, aparece uma pessoa que eu nem sabia que existia, e não vou citar para não dar engajamento, dizendo que mulher não deveria votar e que absorvente íntimo não deveria ser distribuído gratuitamente. Uma mulher defendendo que outras mulheres não tenham direito ao voto nem acesso a absorvente gratuito.
Isso faz parte de um movimento da extrema direita bolsonarista que diz abertamente que mulher não sabe votar, principalmente mulher solteira. Mulher casada, segundo eles, “vota melhor” porque segue a orientação do marido. Para eles, mulheres precisam ser tuteladas por homens até para escolher em quem votar.
Aí Paulo Figueiredo diz que mulher vota mal, principalmente as solteiras. Flávio Bolsonaro aparece para repudiar a declaração e posar de defensor das mulheres. Depois, o próprio Paulo Figueiredo afirma que teria combinado tudo com Flávio para que ele pudesse desautorizá-lo publicamente. Era uma estratégia. Um teatro tão malfeito que eles mesmos entregaram o roteiro.
E por que essa pataquada? Porque Flávio está perdendo apoio entre as mulheres. A própria madrasta expôs que ele foi machista, que a desrespeitou e a ofendeu. A briga revelou o machismo da família Bolsonaro.
Enquanto isso, Flávio e Eduardo transformaram os Estados Unidos numa espécie de escritório internacional da candidatura. Já defenderam sanções, tarifas e interferências contra o Brasil. Agora que perceberam que atacar o país está fortalecendo Lula, dobraram a meta.
Flávio enviou uma manifestação aos Estados Unidos dizendo que o tarifaço poderia dar uma vitória política a Lula e sugerindo que a decisão fosse tomada só depois das eleições. Não pediu que o ataque ao Brasil fosse abandonado. Pediu que esperassem a eleição passar, porque percebeu que a sabotagem estava prejudicando sua candidatura.
O problema, para eles, não é o prejuízo ao Brasil, às empresas ou aos trabalhadores. É que o ataque não deu o resultado eleitoral esperado. Achavam que prejudicar o país faria o povo se voltar contra Lula, mas ficou evidente quem defende a soberania brasileira e quem está disposto a negociar o Brasil para chegar ao poder.
Eles colocam o Pix, o Mercosul e as instituições brasileiras sobre a mesa como se o país fosse propriedade da família Bolsonaro. E agora Flávio vai aos Estados Unidos dizendo que vai “defender o Pix”, depois de apresentar aos norte-americanos uma proposta para limitar sua expansão internacional.
Gente, tudo isso aconteceu em menos de uma semana. Reality de humilhação com funcionários; Fiesp defendendo a 6x1 porque madame precisa fazer o cabelo no sábado; mulher defendendo que mulher não vote; bolsonarista dizendo que mulher solteira vota mal; Flávio tentando posar de defensor das mulheres; Paulo Figueiredo admitindo que tudo seria estratégia; a família expondo o machismo de Flávio; e os Bolsonaros pedindo aos EUA que adiem um ataque ao Brasil porque perceberam que isso ajuda Lula.
É uma distopia. Tenho certeza de que a gente morreu durante a Covid e isso aqui é o inferno. A única explicação lógica é que ninguém foi arrebatado. A gente ficou aqui para pagar pelos nossos pecados.
Uma mulher acaba de dizer em pleno Senado que é contra o fim da escala 6x1 porque ela, que faz escala 5x2, faz cabelo e compras aos sábados e as pessoas precisam trabalhar PRA ELA.
Além de não conhecer o conceito de ESCALA, ela se acha proprietária da vida e do trabalho alheio.
Agora, o "detalhe": essa mulher é simplesmente Diretora-executiva da Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que representa os patrões e os bilionários. É esse o nível da "elite" do Brasil, que parece não ter superado a escravidão.
@Gesthas@JJDiazMachuca@Claudiashein É assim que age machos escrotos e é assim q deve agir uma mulher corajosa: filmar, fotografar tirar a máscara desses covardes e imbecis e mostrar ...