Em 2016, no auge da Lava Jato, Romero Jucá foi gravado conversando com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Os dois discutiam o avanço das investigações e Jucá falou na necessidade de “estancar a sangria”, mencionando um grande acordo político “com o Supremo, com tudo”. A gravação provocou enorme repercussão e Jucá deixou o Ministério do Planejamento poucos dias depois de assumir.
Dez anos depois, a história ganha um capítulo que parece escrito para nos fazer lembrar daquela frase.
Jucá havia sido condenado pelo TRF-1 a 9 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Agora, às vésperas do fim do prazo para registro de candidaturas, uma decisão do ministro Flávio Dino suspendeu os efeitos da condenação e também sua inelegibilidade, sob o fundamento de que o TRF-1 não seria competente para julgar o caso. Com isso, Jucá pode disputar a eleição.
“Estancar a sangria. Com o Supremo, com tudo.”
Quase uma década depois, a condenação perde efeito e ele volta para o jogo eleitoral.
Coincidência ou mais um retrato do sistema dos Intocáveis?
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