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Um depoimento feito em 23 de agosto de 2024 abriu uma linha de investigação que, meses depois, passaria a mapear um circuito de festas privadas em Milão, com suspeitas de exploração sexual e lavagem de dinheiro.
O caso, que estava em sigilo judicial desde então, veio à tona publicamente essa semana ao citar jogadores do futebol italiano e nomes de outros esportes entre os supostos clientes dessas festas.
A investigação começou após uma vítima do esquema procurar as autoridades e registrar uma denúncia. No relato, ela descreveu uma estrutura operando a partir de Cinisello Balsamo, na região metropolitana de Milão, usada como base de apoio e organização das noites. A partir dessa descoberta, a promotoria italiana passou a tratar o grupo como uma organização que se apresentava como empresa de eventos, mas que teria intermediado serviços sexuais.
A promotoria trabalha com a hipótese de que o grupo já promovia eventos desde 2019, oferecendo a clientes pacotes de encontro com jovens, incluindo jantares, reservas em casas noturnas e em hotéis de luxo.
Na reconstituição feita pelas autoridades, os eventos não teriam sido interrompidos nem durante o período de restrições sanitárias da pandemia de Covid.
Em reportagens da Gazzetta dello Sport, há referência, ainda, a uma boate clandestina operando na sede durante o confinamento e a uma fiscalização em 2021 que encontrou dezenas de pessoas no local, apesar das regras de restrição.
Entre 2022 e 2025, o inquérito passou a detalhar como as jovens eram recrutadas, como circulavam entre festas e hotéis e como o dinheiro era dividido. A apuração descreve um modelo em que os organizadores centralizavam os pagamentos e repassavam às mulheres apenas parte do valor cobrado dos clientes. A acusação aponta que parte das jovens teria sido forçada a se prostituir.
Em uma conversa interceptada em meio às investigações, uma jovem tenta confirmar quando teria ocorrido um encontro específico organizado pela rede e diz ter descoberto uma gravidez, relacionando o prazo do teste à data da noite. Em outra interceptação, aparece a frase “vou mandar a brasileira para ele”, aumentando as suspeitas de que jovens estrangeiras poderiam estar sendo traficadas pela organização criminosa.
O esquema não ficaria restrito a Milão. Os autos citam eventos e deslocamentos para Mykonos, na Grécia, onde a dinâmica se repetia durante a temporada de verão e férias dos atletas, com hospedagem, festas e intermediação de acompanhantes.
A apuração estima que mais de 100 mulheres, de diferentes idades e nacionalidades, tenham sido envolvidas, incluindo jovens que seriam “hostess e table”, acompanhantes apenas para festas e presenças VIP, além de “escort”, mulheres disponíveis para programas sexuais.
A exposição pública do caso ocorreu em 20 de abril de 2026, quando a polícia financeira de Milão realizou uma operação que levou à prisão domiciliar dos empresários Deborah Ronchi (esquerda) e Emanuele Buttini (direita). Eles são apontados como responsáveis por estruturar o esquema sob fachada de empresa de eventos, com suspeitas de favorecimento e exploração da prostituição e lavagem de dinheiro.
Com a operação, a investigação passou a detalhar o rastro financeiro. A movimentação atribuída ao grupo chega a cerca de 1,2 milhão de euros. Parte dos valores, segundo o processo, saiu diretamente de transferências identificadas como feitas por jogadores profissionais.
Em 21 de abril de 2026, segundo a Gazzetta Dello Sport, dezenas de atletas passaram a ser citados como clientes que teriam participado das noites organizadas pela rede. As estimativas variam entre cerca de 50 e 70 jogadores, incluindo nomes ligados a clubes como Inter, Milan e Juventus, Sassuolo e Verona.
O processo ainda corre em segredo de justiça e mantém as identidades sob sigilo e apontam que, como clientes, eles ainda não são formalmente investigados. O processo também cita empresários, celebridades e atletas de outras modalidades. Entre as menções, aparece um piloto de Fórmula 1.
Até o momento, a Procuradoria de Milão mantém o foco nos organizadores e na estrutura financeira e logística do esquema, enquanto os nomes dos supostos clientes seguem protegidos no processo. A investigação continua em andamento, com análise de transferências, mensagens e interceptações, e deve avançar para esclarecer o alcance da exploração denunciada, a origem das mulheres recrutadas e a real participação individual de cada um dos envolvidos nas festas.
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