@wonomania@raulbrzl Gi, esqueci de te falar que o Nucleo Livre tem um grupo de estudos de Freud com contribuicao voluntaria.
Eu tambem tenho um de Freud, estamos ja na Teoria Geral das Neuroses das conferencias introdutórias. Se quiser participar me chama la no zap que te coloco ta?!
@wonomania Gerar tá tendo um presencial agora, do Wilson Franco, Fundamentos da clínica psicanalitica! Bem legal! E tem tambem os aprofundamentos em Freud!!
Se tiver interessada em psipatologia contemporanea, indico o meu 😬😬😬😬
Presencial la no Gerar:
@wonomania@naosouaana Amiga, felipe teles é um daqueles nomes que tavam circulando no me too da psicanalise, dos homi abusador.. da dinheiro pra ele nao kkkk
Pra entender a eleição de uma figura como o Zema em Minas Gerais, vocês precisam olhar menos para ele e mais para o que existia em alternativa a ele.
Minas Gerais pré-Zema era governada pelo Fernando Pimentel (PT), eleito em 2014. Antes disso, Minas passou por 12 anos de PSDB (8 de Aécio e 4 de Anastasia).
Minas Gerais já estava em uma situação fiscal extremamente complicada quando Fernando Pimentel assumiu, em 2015. O estado já acumulava déficits, tinha uma estrutura de gastos rígida e carregava problemas que começaram no século passado. Como tudo que já está ruim, é claro que dava pra piorar.
Durante os quatro anos de mandato do Pimentel, Minas Gerais registrou resultado orçamentário negativo todos os anos: R$ 8,96 bilhões de déficit em 2015, R$ 4,17 bilhões em 2016, R$ 9,77 bilhões em 2017 e R$ 10,76 bilhões em 2018. Pimentel assumiu um estado deficitário, mas terminou o mandato com um déficit ainda gigantesco, sem que os quatro anos tenham produzido uma reversão consistente dessa trajetória.
Em 2017, Minas acumulava mais de R$ 21 bilhões em restos a pagar, enquanto a disponibilidade de caixa líquida, já descontada a inscrição dos restos a pagar não processados, era negativa em cerca de R$ 15,8 bilhões. Traduzindo, o governo tinha uma quantidade enorme de despesas para pagar e não tinha caixa suficiente para honrá-las, o que ajuda a explicar uma das marcas mais características daquele período: o estado funcionando permanentemente no limite, atrasando pagamentos e empurrando despesas para frente.
Em 2015, por exemplo, a despesa total com pessoal correspondia a 57,32% da Receita Corrente Líquida, e em 2018 chegou a 76,48%, quase 20 pontos percentuais de aumento em quatro anos, contra um limite de 60% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Minas terminou o governo Pimentel gastando com pessoal uma parcela da receita muito superior ao limite fixado pela legislação fiscal, o que não é uma leitura ideológica sobre o governo, é um número.
Há ainda a questão dos mínimos constitucionais. Em 2017, o Ministério Público de Contas apontou que Minas teria aplicado 22,47% em educação, ante os 25% previstos na Constituição, e 7,71% em saúde, ante os 12% exigidos, e chegou a recomendar a rejeição das contas daquele ano. O Tribunal de Contas depois aprovou as contas com ressalvas, então convém não transformar o parecer do Ministério Público de Contas numa decisão definitiva, mas o episódio mostra a dimensão das dificuldades fiscais enfrentadas pelo governo.
Um dos maiores problemas é que a irresponsabilidade fiscal saiu dos jornais e foi (muito) sentida pela população. Entre 2015 e 2017, inúmeras escolas estaduais ficaram em greve. Em vários casos, os alunos passaram 8/9 meses em casa, porque o Governo Pimentel simplesmente não pagava o salário dos professores (e, quando eles protestavam, era cavalaria e gás de pimenta pra cima de professora idosa).
O problema de greve estudantil é que ela atinge todo mundo: os professores ficaram furiosos, os pais ficaram muito irritados porque os filhos passavam o dia inteiro em casa (o que atrapalhava o ritmo de vida e a logística deles, que precisavam trabalhar) e, além disso, os próprios alunos do ensino médio, que foram mais afetados e estavam justamente na faixa de 16-18 anos e começariam a votar bem na época, estavam extremamente insatisfeitos.
Fora isso, o Pimentel cometeu um erro crasso de alinhamento automático ideológico. Minas Gerais sempre foi e vinha sendo ainda mais, desde Aécio, um Estado que buscava autonomia frente à União. Durante mais de uma década Minas negociada comércio, finanças e parcerias com o exterior de forma muito independente, porque a cartilha era a de buscar diferentes soluções em uma malha diversa de atores colaboradores. Não coincidentemente, nessa época o governo mineiro impulsionou iniciativa de Relações Internacionais com Governos Descentralizados (outros estados, distritos, cidades e fóruns internacionais), buscando fugir da dependência no Governo Federal brasileiro.
Na época que Pimentel (PT) assumiu MG, Dilma (PT) estava como Presidente do Brasil. O governo de MG se alinhou ideologicamente de forma quase automática do Governo Federal, o que acabou com esse plano de autonomia, desmanchou redes de cooperação e desmontou iniciativas que começavam a se institucionalizar porque, de forma geral.
Quem lembra da gloriosa Nova Matriz Econômica da Dilma? Quem lembra das baixas taxas de juros, incentivo de linhas de crédito/empréstimo via BNDES?
Aí, Minas Gerais, que já estava ruim, piorou astronomicamente. E não possuíamos mais a capacidade de buscar soluções fora do território brasileiro, como antes fazíamos, porque a área internacional do Estado foi sucateada em prol de maior proximidade com a União.
Foi assim que Minas Gerais adquiriu uma dívida de R$ 205,95 bilhões, sendo que R$ 182,15 bilhões, ou 88,4%, correspondem a dívidas com a União.
Pra melhorar o entornamento da caldo, em 2015 a Barragem do Fundão rompeu em Mariana, no subdistrito de Bento Rodrigues. A responsável? A VALE do Rio Doce, através da Samarco.
Sabe o que o Pimentel, bastião das esquerda petista fez? Sancionou, menos de 1 ano depois, a lei 2.946/2015, que flexibilizou consideravelmente o licenciamento ambiental em MG. Na época, várias pessoas estavam sem água (por causa dos detritos da mineração que foram espalhados pelo rompimento), a Vale passava por escrutínio público e os movimentos sociais ambientais estavam em fúria.
O Pimentel conseguiu irritar absolutamente todo mundo, de todos os setores possíveis. O imaginário mineiro ficou tão contaminado por ódio desse senhor que, dois anos depois, quando o Zema apareceu, ele nem precisou se esforçar.
Todo mundo em MG conhece as lojas Zema. O nome dele não era manchado, ele não tinha nenhum grande escândalo e a ideia de "uma pessoa que já é milionária e não precisa disso" vendeu bem (na mesma vibe do Collor).
Sobre a reeleição: o Zema (e a equipe dele) entenderam bem rápido que em MG, se você agrada o interior, você é eleito. A primeira coisa que ele fez quando assumiu foi pagar o salário dos funcionários públicos, principalmente dos funcionários da educação. Com descontos, sim, mas em dia. Além disso, ele saiu reformando escola estadual e posto de saúde a rodo em cidade do interior. Quadra coberta, mesas novas, laboratório novo, biblioteca... Raridade foi ver cidade que não recebeu pelo menos uma escola estadual super equipada.
Ele aumentou a dívida, mas jorrou dinheiro de forma populista no que dá voto (diferente do Pimentel, que aumentou a dívida com medida impopular). Não teve greve, não teve atraso salarial substancial. Além disso, o adversário dele em 2022 foi o Kalil. Como eu já falei aqui: BH é nóis, mas BH não é Minas Gerais. Fora de BH, ninguém gosta do Kalil (e em BH também não). Ele é o ex-presidente do Galo que berra bobagem por aí e a atuação dele na pandemia em BH não foi suficiente pra bater de frente com salário em dia, escola reformada e postinho de interior aberto.
A eleição (e reeleição) do Zema foi menos mérito dele e mais skill issue dos adversários.