FIM DO CICLO
Carta aberta a Renato Portaluppi
Oi, Renato. Tudo bem? Aqui quem fala é um sujeito muitas vezes acusado de “passar pano” pra ti. Passo mesmo. Vejo inúmeras virtudes no teu trabalho e noto exageros ou má vontade em algumas críticas. Entretanto, acho que o casamento entre Grêmio e Portaluppi precisa dar um tempo. Vai ser bom pra todo mundo.
Tu, nitidamente, precisas de um descanso. O brilho nos olhos de outrora se apagou. Aquele Renato que motivava até um abajur parece estar de saco cheio: de Porto Alegre, do Hotel, da imprensa gaúcha... Nós, gremistas, também precisamos desse descanso: o clima gerado pela polarização entre teus defensores e críticos está extremamente cansativo. E eu, particularmente, também acho que está na hora de o Grêmio se oxigenar. Errar novos erros. Se aventurar em novos acertos.
Sabe aquele Gre-Nal em que tu foste embora sem dar a coletiva? Na prática, não alterou muito a vida do clube; era só uma entrevista. Mas, simbolicamente, diz muito sobre teu momento no comando do time. Outro treinador, no mesmo cenário, jamais faria aquilo. O Renato de 2010 não faria aquilo. Tu estás muito à vontade aqui. A ponto de te acomodares. A ponto de perder o já citado brilho nos olhos. A ponto de te desconectar de alguns detalhes que anulam teu próprio “super trunfo”: a motivação, o grupo, a entrega.
O Grêmio precisa, em 2025, de um técnico que respire o Gre-Nal durante a semana inteira. Que não durma na noite anterior, estudando variações táticas do adversário. Que fique dois dias pós-clássico estudando os motivos da derrota. Um treinador empolgado pela oportunidade no Grêmio, excitado por disputar um duelo regional dessa grandeza. Um treinador engajado, motivado, imbuído na causa de forma macro e também nos pequenos detalhes. E dar satisfação ao teu torcedor depois de uma dura derrota para o rival nem era um detalhe tão pequeno assim.
Esse teu “saco cheio” respinga em campo. Por exemplo, tua paciência para colocar jogadores novos no time talvez seja menor: um desgaste a mais no gerenciamento de um grupo que já estava sob controle, um desgaste a mais entrosando e explicando tuas preferências táticas aos novos contratados... Às vezes, é mais fácil colocar o Pescador mesmo, né? Ou ser eliminado sem ter feito duas substituições possíveis, porque “ah... Tá cheio de novato no banco, vamos deixar o Cristaldo trotando em campo mesmo”.
O problema é que eu não vejo o Presidente Guerra te demitindo, por N motivos. Tu vais ter que fazer o serviço por ele. Comunique que sairá em dezembro, explique os benefícios a todos e, se não for pedir muito, sugira que ele entre em contato com Vojvoda desde já. Depois disso, prova tua tese de que contigo o Grêmio não cai e, se possível, nos dê alguma alegria ainda nessa Libertadores. Aí, independentemente dos resultados desse segundo semestre, aperta a mão do Presidente em uma amigável coletiva de despedida e vai para o Rio com a missão cumprida e a cabeça erguida.
Depois desse “detox de Renato” do Grêmio e vice-versa, nos reencontraremos em um cenário mais adequado. Todos reenergizados, motivados e, provavelmente, precisando muito mais um do outro.
Grande abraço,
Lucas Von.
Um pouco sobre a lutadora argelina que está nos holofotes agora pela manhã no mundo todo.
Imane KHELIF é mulher. Nasceu mulher. Teve infância como menina. Não é homem, não é trans, não passou por nenhum tratamento.
Ela inclusive lutou na Olimpíada de Tóquio.