✍️ Histórias que o placar não conta. Futebol como cultura, história e geopolítica - nunca resultado, nunca tática. O jogo não acaba quando a bola para.
Em 1923, o futebol brasileiro ainda era amador e os jogadores mal recebiam um salário digno.
Quando o Vasco subiu à primeira divisão carioca naquele ano, um vascaíno apaixonado resolveu premiar com dinheiro os jogadores do clube. Mas isso era proibido.
A solução foi elegante e clandestina: usar o Jogo do Bicho como código. Um empate valia um cachorro, o número 5 (cinco mil-réis). Uma vitória valia um coelho, número 10 (dez mil-réis). Para os grandes títulos, o prêmio máximo era uma vaca (vinte e cinco mil-réis).
Antes dos jogos, o responsável ia ao vestiário e os jogadores perguntavam: "Qual o bicho de hoje?" — e ele respondia: "Um coelho."
O nome ficou. O Jogo do Bicho era ilegal, o pagamento extra era proibido, e o código entre torcedores e jogadores era secreto. Cem anos depois, toda comissão técnica do país usa a mesma palavra, sem saber que ela nasceu de uma contravenção dentro de um vestiário carioca.
Se você chegou até aqui pelos tweets antigos, sabe que esta conta nasceu de outra coisa. O Scout Vasco era uma página de análises sobre o Vasco da Gama, boa no que fazia, honesta com o que propunha. Mas o futebol é maior do que qualquer clube, e as histórias que ficam para sempre raramente cabem numa tabela de desempenho.
Esta conta passa, a partir de agora, a ser a Ludus.
Ludus é a palavra latina para jogo: não o resultado, não a tática, não a estatística. O jogo como espaço humano: onde identidades se constroem, onde povos se reconhecem, onde a história acontece sem pedir permissão. É dessa Ludus que vamos falar.
O slogan que vai guiar tudo aqui: "O jogo não acaba quando a bola para." Porque não acaba. O futebol atravessa política, migração, colonialismo, arte, idioma e memória. É sobre isso que a Ludus existe para contar.
Esta não é uma mudança de equipe com troca de nome. O Vasco Scout e a Ludus são projetos diferentes, com origens diferentes. O que acontece aqui é uma integração: Scout Vasco e Ludus e se reúnem numa nova diretoria, com um projeto editorial novo, uma identidade visual nova e um compromisso que já estava no nome antes de começar.
Os tweets antigos vão continuar existindo nesta linha do tempo por um tempo. Não apagamos o que fomos, mas o que vem agora é outra coisa.
Bem-vindo à Ludus.
@vascomunista Em teoria, no 4-3-3, Gomez e Adson jogariam mais avançados e a trinca de meio (Nuno, Mendes e Barros) teria naturalmente maior extensão pra cobrir.
@Victorjota7 Pior que deve ter sido a própria Tigrenia a principal responsável. Aliás, esse relacionamento com uma bandida pega muito mal pra ele. Tudo muito triste...