um desespero incontrolável ultimamente, não sinto vontade de falar com mais ninguém, simplesmente cultivar e mostrar muito amor aos que eu já tenho e tentar me equilibrar de novo
A mulher perdeu o pai e, no auge da dor que tava sentindo, ao saber que o apresentador tinha perdido o irmão, ela fala o seguinte: "como é que você está trabalhando aí?".
Empatia a gente não inventar, não supõe, não finge. Ana Paula foi enorme nesse momento. Enorme.
Existe algo de muito bonito e muito doloroso na história de Ryland Grace e Rocky. Dois seres de mundos completamente diferentes, separados por milhões de anos de evolução distinta, por atmosferas incompatíveis, por corpos que nunca deveriam se reconhecer como semelhantes. E ainda assim eles se encontraram. No lugar mais solitário do universo, no momento em que cada um deles mais precisava não estar sozinho.
Rocky salvou Grace de maneiras práticas e concretas, com a engenharia impressionante que carregava nas suas múltiplas mãos. Mas também salvou de outras formas. Salvou ao estar presente. Ao fazer perguntas. Ao demonstrar curiosidade genuína sobre aquele ser estranho de ossos e água salgada que apareceu do nada na sua vida. Grace deixou de ser o único humano no universo quando Rocky começou a querer entendê-lo.
E Grace salvou Rocky também. Deu a ele a solução que o seu planeta inteiro precisava. Mas mais do que isso deu companhia. Deu alguém que admirava a sua inteligência, que se espantava com as suas criações, que ria com ele dentro das limitações estranhas de dois sistemas de comunicação que nunca foram feitos um para o outro.
Isso é o que Project Hail Mary guarda de mais precioso. Não a ciência, não a aventura, mas a lembrança gentil de que a coisa mais improvável do cosmos aconteceu, e foi o amor entre dois amigos.