A VERDADEIRA RELIGIÃO é uma prática de amor radical, sobretudo voltada aos mais vulneráveis. Não é apenas um sistema de crenças, ritos, normas ou instituições, mas um vínculo. A espiritualidade autêntica se revela na capacidade de sentir a dor do outro e agir para transformá-la. Não basta crer: é preciso comprometer-se. A fé, nesse sentido, é ética encarnada, é justiça vivida no cotidiano. No fundo, é simples e profundamente exigente: onde há amor concreto, há Deus. Onde há indiferença, a religião perde sua verdade.
Estão tentando construir a narrativa de que Daiane era uma mulher “chata”, “difícil” ou “perturbada”. Essa versão, além de injusta, ignora completamente os fatos.
O que de fato aconteceu foi o seguinte:
Daiane passou a enfrentar o síndico porque ele administrava os imóveis da família e foi descoberto desviando dinheiro. Diante disso, ela foi morar no prédio para cuidar dos apartamentos e assumir a administração. A partir desse momento, o conflito se intensificou. O síndico passou a perturbá-la constantemente, provocá-la e desestabilizá-la, numa tentativa clara de tirá-la do sério e fazê-la parecer desequilibrada aos olhos de terceiros. As discussões eram frequentes justamente porque havia uma disputa de poder, dinheiro e controle.
Reduzir Daiane a uma “mulher chata” é uma forma covarde de desumanizar a vítima e suavizar a responsabilidade do agressor. E mesmo que, por hipótese absurda, ela fosse difícil, questionadora ou incômoda, nada, absolutamente nada, justifica o seu assassinato.
Mulheres não precisam ser dóceis, silenciosas ou agradáveis para terem o direito de viver. Conflitos, discussões e desentendimentos existem em qualquer relação humana e não são licença para a violência.
O que aconteceu com Daiane não foi fruto do seu temperamento, mas de um contexto de abuso, intimidação e, por fim, violência extrema.
Culpar a vítima é perpetuar o mesmo machismo que mata.