Com amargura, lamentamos a infeliz escolha de desfecho para a história de Lorena e Juquinha na novela Três Graças. É revoltante que, após tantos anos de apagamento de nossas vivências, tenhamos uma trajetória lindamente construída de um romance lésbico em rede nacional, sendo encerrada de maneira tão descuidada e desrespeitosa.
A decisão tomada pelo casal ao final do último capítulo também fere os valores morais das personagens: Juquinha, que nunca teve carinho por Leonardo e, sendo policial com uma ética irretocável, com certeza não se disporia a gestar o filho do irmão de sua esposa, um homem transfóbico e criminoso que sequer pagou por seus delitos. Lorena, por sua vez, também não assumiria o risco de passar pela vulnerabilidade que pode ser trazida pela gestação e puerpério, ao mesmo tempo que a esposa, sem ter as melhores condições de apoiá-la num momento tão importante, e vice-versa. A inaceitável conclusão de sua jornada, além de incoerente, é claramente marcada por um olhar masculino que não teve cuidado e responsabilidade com a história do casal mais querido da novela, que inegavelmente também deu luz à fanbase mais dedicada e apaixonada da obra.
Outra escolha infeliz por parte do roteiro foi, de súbito e maneira nada gradual, limitar bruscamente o tempo de tela do casal, e reduzir a consagração de seu relacionamento a um casamento duplo, ainda considerando a repercussão massiva de Loquinha em todas as esferas. A jornada das personagens, bem como as fãs que tanto engajaram as cenas e conteúdos, mereciam mais nesse momento tão especial.
Aproveitamos, ainda, para parabenizar a dedicação e entrega da equipe e elenco com cada cena de Lorena e Juquinha antes da derrocada dos últimos atos. Foi uma virada histórica e muito importante para a comunidade, visivelmente feita de forma muito sensível e amorosa. Mas não podemos deixar de expressar nossa insatisfação com o desfecho, e esperamos que os próximos passos da representatividade lésbica no audiovisual sigam com a mesma sensibilidade apaixonante que marcou a maior parte da história de Loquinha. Infelizmente, não foi o caso da nossa conclusão.
Até o final da semana, traremos a crítica geral da obra.
É preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim sem esperar nada em troca.
Lygia Fagundes Telles
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@MissCupece sou acostumada a passar Fenergan em picada de mosquito e achei que o comprimido era bom pra alergia também... até deve ser... mas eu e meu namorado tomamos 1 cada e só acordamos 20h depois e parecia que tinham passado meu cérebro com ferro e deixado ele lisinho, infelizmente amei