El pecado capital argentino, la «soberbia» que a otros países latinos les gusta señalarnos, es en realidad no haber agachado la cabeza nunca. Y solo es tener la férrea convicción de que en Argentina están todos los materiales para reimaginar la humanidad y crear desde el sur.
Aqui no Brasil, o racismo estrutural é o mesmo (se pá, até pior) que o racismo que existe na Argentina.
Mas, na superfície, não é mais.
Felizmente, é cada vez menos.
O Brasil, por exemplo, criminalizou a injúria racial.
A injúria racial, na Argentina, é tratada como piada.
Além disso, aqui existe reprovação social para atos considerados racistas. Na Argentina, não há esse mesmo senso de reprovação social.
Ontem mesmo caiu na TL aquele vídeo (já antigo) da torcida do Nueva Chicago cantando uma das músicas mais cretinas e mais declaradamente racistas do futebol argentino:
"Escuchen, corran la bola
Se hicieron putos todos los negros de Casanova"
Havia um comentário de uma mulher dizendo que sempre que via esse vídeo caía na gargalhada, porque um cara de cabelo branco que aparecia cantando era o motorista da van escolar do filho dela.
Há muita gente estarrecida na Argentina com a prisão da jovem advogada por injúria racial aqui no Brasil, recentemente. Há periódicos publicando um guia de boas maneiras para ser utilizado em viagens ao Brasil, há campanhas de boicote online, mas ainda há pouca reflexão social sobre o tema.
É isso que eu quero dizer quando digo que não existe reprovação social para o racismo recreativo na Argentina.
De modo geral, eles enxergam o racismo recreativo como chiste, pilhéria ou, como eles mesmos dizem, folklore. Eles, a princípio, não conseguem diferenciar uma provocação de cunho racista de outra de cunho esportivo ou cultural.
Isso não é um fenômeno exclusivo. Nas arquibancadas do Brasil, por exemplo, não existem músicas abertamente racistas, mas existem (em praticamente todas as torcidas) músicas declarada, aberta e orgulhosamente homofóbicas.
Muita gente aqui — a esmagadora maioria — não vê problema na homofobia recreativa, assim como os argentinos, em geral, não veem problema no racismo recreativo.
Sim, o debate é complexo, mas a gente não pode cair na armadilha fácil de generalizar as situações daqui e de lá.
Não é porque no Brasil, hoje (e graças a Deus), há leis que combatem o racismo e há reprovação social praticamente unânime que deixamos de ser um país racista.
Essa luta está longe de acabar.
Também não é verdade que todas as pessoas da Argentina sejam racistas.
Eles estão sob forte pressão internacional no momento em relação a esse tema. Vamos acompanhar e ver como a sociedade argentina vai reagir a essa pressão.
Um último detalhe: viajei inúmeras vezes à Argentina e nunca sofri injúria racial ou qualquer ato discriminatório por lá.
Aqui no Brasil, eu sofri.
Se inaugura el Espacio de arte Billy Waller en Villa Pueyrredón (Cochrane 3140, CABA), para preservar, investigar y catalogar la obra del artista plástico Billy Waller (1964-2015). el sábado 29 de noviembre, 18 a 21 h. con entrada libre y gratuita.
https://t.co/avrneA2dV0
@tomastrape Muy buena nota. La reacción a la moralina sistémica progresista no tiene porqué ser pendular y oponerse raudamente montada sobre el mismo riel. Se abre un camino desde el arte y la comunicación. Saludos.