Elevador da Glória
Lisboa tem ícones que não são apenas feitos de pedra, ferro e madeira — são feitos de alma. O Elevador da Glória, que desde 1885 sobe e desce a Calçada da Glória, sempre foi mais do que um simples meio de transporte: é uma ponte entre mundos, ligando os Restauradores ao Miradouro de São Pedro de Alcântara, a Baixa ao Bairro Alto, o quotidiano ao sonho.
2010, um ano de tribulação, mudanças e renascimento na minha vida. Foi a segunda vez que visitei Lisboa, mas a primeira em que a percorri sozinha. Três dias inteiros de silêncio, só eu e a Luz de Lisboa. Entre tantos lugares, dois pontos passaram a ser parte de mim: o Miradouro da Graça, e no lado oposto da cidade, o Elevador da Glória. Nunca soube bem explicar porquê… talvez porque aquele pequeno trajeto de 2 ou 3 minutos me levava, não apenas ao topo de uma colina, mas até à alma boémia e apaixonante de Lisboa. Naquele instante curto, Lisboa falava-me e devolvia-me a força que eu procurava.
Hoje, esse mesmo elevador sofreu o mais trágico dos destinos: um acidente que ceifou vidas e feriu tantas outras. Um ícone que durante 140 anos transportou sonhos, histórias e olhares, viu-se ferido no coração da cidade.
O Elevador da Glória não é apenas ferro e carris: é memória, é símbolo, é parte viva da identidade de Lisboa. Hoje choramos as vidas perdidas e os feridos, mas também honramos a grandeza deste Monumento Nacional que, desde o século XIX, tem acompanhado gerações inteiras.
Que esta tragédia nos faça lembrar que a Glória de Lisboa não está apenas no nome do elevador, mas na sua capacidade de se reerguer — tal como tantas vezes nós, portugueses, o fizemos ao longo da história.
Elevador da Glória, obrigada por me teres levado, naquela viagem em 2010, a conhecer a alma de Lisboa e a reencontrar a minha própria.
Cátia
our parents don’t know how much we stay in bed thinking about how we will return their hardwork and sacrifices they made. i hope it all goes well for us.