Tem gente que supõe que o fogo cruzado na imprensa é fenômeno recente. Que nada, vem de longe, como evidencia a primeira página do jornal carioca “A Manhã” numa edição de fevereiro de 1927.
O dono e diretor do jornal era Mário Rodrigues, pai de um certo Nelson. O alvo naquele dia era Maurício de Lacerda, o “Tribuno do Povo”, cujo terceiro filho se chamava Carlos.
A charge mostrava o pai de Carlos Lacerda cheirando pó com um canudo bem comprido. Como a resolução da imagem é meia-boca, eis a legenda: “Casa[ca] de Ferro, o vendedor, admira a Boca Torta, ‘irmã’ valente na pitada. Maurício, porém, a todos bate. Com ele é só na PRISE DE CANUDO”.
No alto, a manchete: “Conhecidos vendedores de cocaína, satélites do cocainômano Maurício de Lacerda, percorrem os subúrbios, constituindo uma séria ameaça à coletividade”.
O artigo arrematava: “Maurício de Lacerda está novamente empolgado pelos estupefacientes. [...] Brilham os seus olhos dilatados [...]”.
O incrível é que Mário e Maurício tinham sido muito amigos. Trocaram de mal porque concorriam a deputado pelo mesmo distrito do Rio, então capital federal. Nenhum dos dois se elegeu, e logo já eram de novo “best friends”.
Quem conhece o passado sabe que a virulência de Mário Rodrigues não acabaria bem, e quem pagaria com a vida seria um filho dele. Reconstituo brevemente o episódio no livro.
Mais divertida do que as aventuras conjuntas dos pais foi a relação dos filhos Nelson Rodrigues e Carlos Lacerda. Muita história para contar.
Em tempo: na década de 1950, Carlos Lacerda também foi chamado de “cocainômano” em artigo apócrifo em jornal.
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@mariomagalhaes_ Muito bom acompanhar as histórias do seu biografado por aqui. Fiquei curiosa para saber se aparece na sua pesquisa o nome Lacerdinha como referência a um tipo praga que ataca a Ficus microcarpa (Figueira Lacerdinha).
@Pat_Bulbovas Entendo perfeitamente. Mas o mais importante é a qualidade de vida que ela tem, as alegrias que leva para a “família” humana e demais amigos dela.
Se me perguntam sobre a opinião de Carlos Lacerda a respeito de um assunto, muitas vezes indago: quando? A depender da quadra histórica, a resposta vai variar.
Nas décadas de 1930 e 1940, Lacerda combateu o nazismo, o fascismo e o antissemitismo.
Em 1948, ele lançou o livro “O Brasil e o Mundo Árabe”, reunindo reportagens e artigos que escreveu numa viagem de mês e meio pelo Oriente Médio. Lacerda se opôs à criação do Estado de Israel e ao apoio do Brasil à iniciativa.
Trechos do livro:
“Quanto a ser imparcial, não sei ainda o que significa isto, pois não atino como possa haver imparcialidade em face da conquista da Palestina pelo sionismo, apoiado no dinheiro americano e na política russa”;
“O nacionalismo judaico da Palestina é um nacionalismo agressivo, feroz, sustentado por grupos fascistas e terroristas que destroem, em benefício de sua expansão, a vida pacífica de um povo milenarmente agarrado àquela terra”;
“É preciso que os judeus se convençam de que não se trata de antissemitismo, e sim de antissionismo”.
Parcela expressiva da comunidade judaica identificava então em Lacerda um antissemita, inclusive em seu embate com Samuel Wainer, na década de 1950. Lacerda negava nutrir preconceito, e seus aliados de origem judaica o respaldavam.
A reaproximação dele com a comunidade se intensificou no período em que governou o Estado da Guanabara (hoje o município do Rio). A primeira escola que o governador inaugurou foi batizada como Ana Frank (Anne Frank). Ficava em frente à embaixada da Alemanha.
Lacerda tornou-se defensor determinado de Israel. Visitou o país. Em 1973, afirmou:
“A existência, em Israel, de partidos políticos contrários ao sionismo é uma comovente demonstração de integridade e uma prova eficaz do êxito do modelo israelense”;
“Não faz sentido a existência do Estado israelense se ele não tiver condições mínimas de sobrevivência como território nacional”;
“Os 25 anos de Israel, como nação, dão-nos a evidência de que a ventura dos seus pioneiros, a experiência dos estadistas que a impuseram foram bem sucedidas”.
O que pensava Carlos Lacerda sobre a Palestina e Israel? Depende: quando?
Sua viagem ao Oriente Médio está narrada no meu novo livro, a biografia LACERDA: CORAÇÃO DE TEMPESTADE (@cialetras). Já está em pré-venda, aqui: Amazon, Livraria da Travessa, Livraria da Vila, Livraria Leonardo da Vinci, Livraria Loyola e Livraria Martins Fontes.
A China publicou o “15º Plano Quinquenal” para a Construção de um País Forte em Turismo. De acordo com este primeiro plano nacional dedicado ao tema “país forte em turismo”, a China irá:
1. Continuar a otimizar as políticas de isenção de visto e ampliar de forma estável o número de países elegíveis (Portugal já está incluído na lista de países com isenção de visto).
2. Desenvolver ativamente novas rotas internacionais aéreas e ferroviárias, aumentando o número de voos/serviços e a capacidade de transporte.
3. Promover a facilitação do turismo de entrada em áreas como pagamento, comunicação, alojamento, transporte, reservas e serviços de guia; padronizar as sinalizações em línguas estrangeiras em atrações turísticas; e continuar a avançar com a implementação da política optimizada de reembolso de impostos à saída (tax-free), a fim de proporcionar aos turistas estrangeiros uma melhor experiência de “Viajar na China” e “Comprar na China”.
4. Lançar produtos turísticos personalizados para turistas de diferentes nacionalidades, atendendo às suas necessidades, com especial destaque para: gastronomia típica, artesanato tradicional, história e cultura, experiências tecnológicas, bem‑estar e saúde, turismo de estudo, festivais e compras; e cultivar rotas turísticas que integrem tradição e modernidade, com características próprias.
5. Apoiar as entidades do setor a expandirem os negócios de turismo de entrada, promover visitas de familiarização de operadores estrangeiros à China e impulsionar a venda de produtos turísticos chineses em plataformas internacionais.
6. Reforçar a formação de guias turísticos multilíngues e promover o uso de dispositivos inteligentes de tradução.
Bem‑vindo à China!
#LindaChina #TurismoNaChina
@FabianoPRosa@GloboNews Meu problema com a descrição da Globo News não diz respeito à titulação acadêmica da fonte. Só acho que deve ser descrita de forma correta.