Trecho de “Cru Cru”, conto publicado no livro Dossiê Macabro: INSETOS, da editoradiariomacabro
Tem pra comprar no site da editora!
Vai uma dose de “terrir” aí?
#livro#insetos#terror
O convite para perceber o extraordinário nas coisas simples não é ignorar as injustiças do mundo. É justamente contemplar o que dá forças para combater as injustiças com verdade e coração.
Mas depois, o bem-estar é inevitável.
E se algum pensamento insiste em convencer que é extremamente necessário, ponderar é sempre uma opção (desde que a confiança na vida não seja sucumbida).
Experimente se desligar um pouco dos caminhos automáticos em sua mente. Em outras palavras, veja o que acontece quando você não é refém dos pensamentos que correm em sua cabeça. Desde os mais concretizados pela repetição até os mais recentes.
Muito pensamento cria um atoleiro do qual pode ser difícil sair. E mais perigoso ainda: do qual deixa a mente tão imersa a ponto dela achar que é esse próprio atoleiro.
Escapar disso nem sempre acontece de uma hora para outra. Pode ser preciso um banho até se limpar bem.
Embora antes de germinar muitas sejam semelhantes em tamanho, cor e formato, cada uma só pode se tornar o que é em essência. Qualquer tentativa diferente disso seria vã, e impediria seu desenvolvimento.
Por natureza, eu não poderia ser qualquer outra coisa além de jardineiro.”
O jardineiro observou por décadas a sabedoria das plantas. Desde cedo, percebeu seu lugar na Terra como aquele que as proporcionava condições para crescerem com vitalidade.
Quando questionado sobre tentar fazer algo diferente de sua vida, respondia:
“Existem muitos tipos de sementes. Algumas dão flores, outras árvores, alimentos, folhagens. É impossível uma semente de girassol crescer como um pé de jabuticaba, ou uma roseira dar maçãs após as pétalas de suas flores se abrirem para o mundo.
[…]
Contemple a beleza que conecta cada detalhe do Universo em uma teia cósmica que captura cada intenção emanada por cada ser. Esteja disponível para tudo isso e perceba: tudo isso é você.”
As pessoas que ouviram a resposta sorriram e aplaudiram. Mas o senhor já não estava mais ali.
Um senhor foi questionado por caminhar com os pés descalços em meio ao calor escaldante do Rio de Janeiro. Vestia camisa floral e sunga listrada, tinha barba comprida e acinzentada, usava óculos escuros e bebia um achocolatado para crianças.
“Permita-se fluir e ser o fluido. E se misture com tudo o que for compatível ao seu redor. Desbrave novos territórios e redescubra aqueles que já percorreu. Torne-se o cheiro que mais lhe agrada, as cores que pintam a vida, os sons e os ritmos que botam o mundo pra dançar. […]
A naturalidade proporciona calor e frio. A súplica proporciona o retorno da insatisfação, independentemente da temperatura.
No presente, vivemos naturalidade. No futuro, insatisfação.
No verão, o vento bate e alivia o calor – e, muitas vezes, a súplica por sua presença.
No inverno, o vento bate e aumenta o frio – e, muitas vezes, a súplica por sua ausência.
Porém, ambos podem servir de exemplo quanto a cumprir seu propósito respeitando o ritmo que lhes foi concedido por natureza.
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#ritmo#texto#leitura
Ritmo não é para ser comparado, é para ser vivido. Um maratonista percorre um quilômetro mais rápido que um pianista, e um pianista lê uma partitura mais rápido que um maratonista. Nenhum precisa se tornar foco de comparação para o outro.