Tô vendo uma galera relacionando o declínio da seleção brasileira à ascensão do neopentecostalismo, mas sem elaborar muito. Farei isso por meio de uma persona, na vibe sociologia de botequim.
Existe um brasileiro que eu conheço, você conhece, embora progressistas da creative class talvez ignorem (um Gregório Duvivier, talvez). Esse brasileiro tem entre 25 e 40 anos, mora em uma cidade média ou na periferia de uma capital, não fez graduação, ou até fez, porém em uma faculdade particular mais barata, ganha entre 3k e 15k, é evangélico (neo)pentecostal mas vai ao culto às vezes (“Deus está em qualquer lugar”).
Por mais que pareça estranho dizer assim… Se ele cresceu numa família de 5 pessoas com renda de 2/3 salários mínimos e agora ganha 8 salários, significa que ELE multiplicou a vida por 4. Por que não conseguiria multiplicar por mais 20?
Ele ainda bebe como se fosse um adolescente, ama sertanejo e pagode, é casado, mesmo que por status social, possivelmente uma amante, tem 1 ou 2 filhos. Ele é obcecado por códigos sociais de riqueza: roupas, carros, casas, viagens, perfumes, relógios etc. Sobretudo, ele gosta de FALAR sobre essas coisas. Não só das que ele tem, mas as quais ele terá. Ele tem aversão a qualquer tipo de conhecimento consolidado, afinal ele chegou até ali sem precisar pagar pedágio ao Machado de Assis. Ele fala dos bens dos seus amigos influentes porque no fundo quer dizer: “eu estou perto, estou quase lá”.
E, pra ele, essa ética não é incômoda porque não pode soar como inveja aquilo que é simplesmente o coração da Teologia da Prosperidade: minha fé “obriga” Deus a agir, declarar riqueza a convoca, a benção é resultado da semeadura e… O mais importante de tudo… a riqueza é uma superioridade moral, não a caridade. A riqueza é em si o legado. Se você é um profissional ruim (e, cá entre nós, às vezes uma pessoa ruim), mas continua ganhando bem, prosperando, então você é um profissional bom e uma pessoa boa. São leões num mundo de gatinhos. Eles enxergaram a máquina corrupta do mundo. “Só estou tentando sobreviver”, ele pensa ao ir dormir.
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🇧🇷 Brasil mantém um tabu: NUNCA venceu uma Copa do Mundo sem jogadores do São Paulo.
1958 - Mauro, De Sordi e Dino Sani
1962 - Bellini e Jurandir
1970 - Gerson
1994 - Zetti, Cafu, Leonardo e Muller
2002 - Rogério Ceni, Belletti e Kaká
virou? O Brasil foi o último país ocidental a proibir a escravidão, só saiu do mapa da fome em 2014 e não realizou a reforma agrária até hoje. O Brasil desde 1500 sempre pertenceu a um punhado de famílias. Ter o mínimo no Brasil SEMRE foi um luxo
Consumir artistas como Silvanno Salles, Nadson o Ferinha, Calcinha Preta, Limão com Mel, Moleka 100 Vergonha, Desejo de Menina, Pablo do Arrocha e Raquel dos Teclados é um caminho sem volta mesmo. Depois disso, você passa a ficar muito mais exigente com música no geral.