Acordou com a boca seca. O sol da manhã o incomodava. Ao tocar no seu rosto extremamente dolorido, lembrou-se da briga da noite anterior e de se livrar da arma no seu carro. Algo o incomodava, era arrependimento. Pensou no quanto tinha bebido depois que a chacina já estava feita.
Via diariamente ela apanhar de seu marido. Não tinha o que fazer, ele era muito fiel aos dois. Até que um dia, observou-o mais alterado. Batia mais forte nela. Irado, ele correu sobre suas quatro patas e atacou-o pelo pescoço. Seus dentes afiados rasgaram a jugular. Ele a salvou.
Entrou na sala de aula e sentiu uma leve tontura. Seguiu. Olhou ao redor, tomou um susto: a sala era infinita, e todas as cadeiras estavam ocupadas. Os alunos falavam sem parar. Tanto barulho que os ouvidos dela sangravam. Tanta dor na cabeça a deixou cega. Ela diminuía. Sumia.
O advogado estava rodeado por mulheres seminuas. Gargalhadas sonorizavam o ambiente. Havia copos de uísque sobre a mesa. Estava feliz com a situação. Fez piada com os chifres daquele que lhe entregava um contrato e ignorava as letras minúsculas. Assinou um acordo pela sua vida.
"Você tem uma semana de vida", disse-lhe o vizinho ao sair do elevador. Foram as únicas palavras a ela nos 2 anos dentro daquele prédio. Ignorou. No sétimo dia, as portas do elevador abriram, e ela entrou. Não havia elevador. O vizinho estava morto há um mês.
Somente o farol do seu carro iluminava a estrada. Chovia. O rádio do carro começou a dar interferência. Uma luz maior e forte surgiu acima, revelando toda a estrada. Sentiu seu corpo pesar; o carro levitava. Uma força puxava tudo para cima. A estrada ficou totalmente escura.
Acabara de ser eleito senador. Muito suor e dedicação. Dia cheio, quis ficar sozinho no seu novo gabinete. Apagou a luz e deitou no sofá. Sorriu. Lembrava que precisara se desfazer do orfanato para conseguir o cargo. 15 crianças, cujas almas rodeavam o sofá olhando para ele.
O elevador abre as portas e ela entra com passo apressado. Térreo, botão acende. As portas se fecham. Olhou-se no espelho, não se reconheceu. Era uma imagem cadavérica em seu rosto, em seu corpo. O elevador ainda descia. Não havia mais térreo. Não havia mais elevador. Só descia.
Conseguiu pegar o último metrô do dia. Entrou no último vagão, vazio. Estava acomodado, seus olhos começaram a pesar. Com esforço, olhou mais uma vez o vagão. Havia uma mulher de vestido preto sentada, bem próximo, olhando para ele. Sorriram. E ele dormiu. Profundamente.
Não dormia há 7 dias. Decidiu encarar assim a morte de sua esposa. A realidade já estava ficando muito confusa. Olhou pela janela da padaria e viu alguém muito parecida com ela. Seguiu-a. Chegando perto, não era sua esposa, mas a água gélida do lago que o afogava. Enfim, o real.
Ficou encarregado de fechar o escritório. Odiava o trabalho. Concluiu a planilha e ia embora sozinho. Apagou as luzes e viu uma silhueta de alguém parado ao fundo. Acendeu, ninguém. Apagou novamente e aquilo apareceu à sua frente, escalpelando-o. Ao menos a planilha estava salva.
@thiagobarata87 @Lbellidejour O que tem de gente que fala mal de final só pq não gosta...mtas vezes o final é bem coerente. Que foi o caso desse ótimo filme
Preparava-se para dormir. Lavou o rosto na pia e, ao olhar para o espelho, percebeu um rosto vermelho por trás, sorrindo, fitando-o. No susto, virou para trás e se amedrontou. Já não estava mais em casa. Sua alma tinha sido levada. Seu corpo estava infartado no chão.
Eram 22h. Ela andava por uma rua erma, quando sentiu a presença de alguém seguindo-a. Sem olhar para trás, virou em um beco e reparou dois homens virando a seguir. Logo, a fraca luz do poste revelava um sorriso. Mostravam-se os caninos, onde ainda havia sangue. Estava saciada.