E se os pais de Arroio Grande não tivessem gravado o áudio e se as imagens das câmeras externas não tivessem se tornado públicas? Iriam dizer que os pais estavam mentindo. As gravações que os pais queriam fazer eram a única forma de defesa para provar os fatos, pois as falsas narrativas já estavam combinadas em jogral entre os agentes públicos. Por isso que de jeito nenhum aceitavam que os pais gravassem, para não desmascarar as narrativas que estavam no papel.
Gil do Vigor tocou exatamente na ferida que muita gente tenta ignorar. Não é sobre proibir as pessoas de realizarem seus sonhos, de conhecerem o mundo. É sobre garantir que ninguém tenha que pagar com a própria vida por falta de preparo e segurança.
Juliana não virou só um número ou um caso de jornal. Ela virou o símbolo de algo que precisa mudar. Que a voz dela, agora silenciada, ecoe através de todos nós. E que esse alerta não seja esquecido.
Turismo tem que ser feito com proteção. Não adianta vender paisagem bonita se por trás disso existe negligência. O que aconteceu com a Juliana não foi só uma tragédia, foi um descaso. Ela estava com vida quando caiu naquele vulcão… Ela lutou, ela poderia ter sido salva. Mas faltou o principal: estrutura, socorro rápido, responsabilidade.