Designer júnior inventa uma resposta para não parecer perdido. Sênior fala "não sei, vou descobrir" e sai da conversa com mais credibilidade, não menos. Atenção nesse post.
O medo por trás do blefe é compreensível. Você acha que dizer "não sei" soa como incompetência, então enrola, dá um palpite com cara de certeza, qualquer coisa, para não parecer perdido na frente do time. Só que é o blefe que destrói a sua credibilidade, não a honestidade. Porque uma hora o chute é descoberto, e a partir dali tudo o que você afirma vira suspeito.
Admitir que não sabe faz o contrário do que você teme. Sinaliza três coisas que soam maduras: que você enxerga a diferença entre o que sabe e o que está adivinhando, que respeita o problema demais para inventar resposta, e que pode ser levado a sério, porque, quando fala com certeza, todo mundo sabe que tem base por trás.
Vale lembrar algo que o ego esconde: ninguém sabe tudo, nem o sênior mais experiente. A área é grande demais e muda rápido demais para caber na cabeça de uma pessoa só. O que separa o sênior não é saber tudo, e sim conhecer a fronteira do próprio conhecimento e ficar confortável nela. Quem finge saber de tudo, no fundo, perde confiança em vez de ganhar.
Mas tem um detalhe que muda tudo: "não sei" pode não ser a resposta certa. "Não sei, mas vou explorar e descobrir mais sobre esse assunto" é uma resposta profissional. Incerteza com um caminho. "Ainda não sei, me dá até amanhã e eu volto com isso", tranquiliza o time, em vez de deixar todo mundo no escuro. O que torna o "não sei" forte é a promessa de descoberta que está colada nele.
Parte disso é uma habilidade simples de etiquetar o que você diz. "Eu acho", "eu sei" e "o dado mostra" são três coisas diferentes, e o Júnior costuma misturar, soltando um palpite com tom de fato. O sênior avisa qual é qual. "Esse é o meu chute, não está validado" é frase de quem protege o time de agir em cima de adivinhação disfarçada de certeza.
E nomear o que você ainda não domina não te enfraquece, mas te destrava. Quem diz "ainda não sou forte nisso, estou estudando" cresce mais rápido e é mais fácil de ajudar do que quem esconde a lacuna. Fingir que sabe te congela no nível em que está, porque ninguém te ensina o que você finge já dominar.
No fim, credibilidade não vem de ter sempre uma resposta. Vem das suas respostas serem confiáveis. É justamente o seu "não sei" honesto que faz os seus "sim, tenho certeza" valerem alguma coisa.
A pessoa mais perigosa de um projeto não é a que diz "não sei". É a que nunca diz.
Honestidade, calibragem e comunicação clara são as soft skills que mais sustentam uma carreira de design, e a gente as cultiva na comunidade e no programa Product Designer da DC.
Quero deixar claro, amo o produto Figma.
Mas 90% das empresas não têm a liberdade de usar nem 10% do que o Figma oferece.
Parabéns pelas integrações.
Meu medo: o preço disso tudo (claramente vai ter um custo), e como isso afeta o handover para o engenheiro que mal consegue entregar um app nativo com o espaço certo.
Infelizmente, a maturidade de MUITAS empresas tá longe das brincadeiras demonstradas.
Repito, amo o produto e o time, mas é complicado aplicar essas novidades no dia a dia do mundo real.
Curso ensina o caminho, mas o livro aprofunda o fundamento. Estes são os que mais aparecem na estante de quem leva design a sério.
Tem uma diferença entre os dois. O curso te leva do ponto A ao ponto B com método e prática. O livro te senta com a cabeça de quem passou a vida pensando em um assunto e te dá o porquê por trás da técnica. E o melhor: enquanto ferramenta e tendência mudam toda semana, o que está nesses livros quase não envelhece. É o fundamento que dura a carreira inteira.
Separei por tema, para você saber por onde começar.
→ Fundamento, comece por aqui:
The Design of Everyday Things, by Don Norman. A base de tudo. Affordances, signifiers, modelos mentais, e por que a culpa do erro quase sempre é do design.
Don't Make Me Think, by Steve Krug. Usabilidade explicada de forma tão simples que parece óbvia depois de ler.
100 Things Every Designer Needs to Know About People, by Susan Weinschenk. Psicologia aplicada à decisão de design, em pílulas.
Laws of UX, by Jon Yablonski. Os princípios psicológicos que você já usa sem saber: Fitts, Hick, Jakob.
→ UI e craft:
Refactoring UI, by Adam Wathan e Steve Schoger. O mais prático de todos para deixar a interface boa de verdade.
Designing with the Mind in Mind, by Jeff Johnson. A psicologia cognitiva por trás das regras de usabilidade.
→ Pesquisa:
Just Enough Research, by Erika Hall. Pesquisa sem firula, no tamanho certo para o projeto.
Interviewing Users, by Steve Portigal. Como conduzir uma entrevista que revela o que importa.
Think Like a UX Researcher, by David Travis e Philip Hodgson. Para pensar além do óbvio na pesquisa.
→ Produto e processo:
Lean UX, by Jeff Gothelf e Josh Seiden. Design em um time ágil, focado em resultados.
Continuous Discovery Habits, by Teresa Torres. Parar de adivinhar e falar com o usuário toda semana.
Articulating Design Decisions, by Tom Greever. Como defender a sua decisão com uma palavra que convence os stakeholders.
→ UX writing:
Strategic Writing for UX, by Torrey Podmajersky. Porque texto também é interface.
Um conselho: não saia comprando os doze. Pega um do fundamento, lê inteiro, aplica no seu trabalho e só então parte para o próximo. Uma estante cheia de livros não lidos não forma ninguém. Um livro digerido de verdade muda a forma como você enxerga design.
Salva esse post para a sua próxima leitura e marca um designer que vai querer essa lista. Qual deles você consideraria o que ficou de fora? Boa indicação. a gente sempre acrescenta.
E quem quer um caminho estruturado, com prática e mentoria além da teoria, encontra na formação completa de UX Design da DC tudo isso.
Uma dica final é que a Editora Brauer tem uma coleção incrível de livros, e o Willian Matiola tem o projeto https://t.co/4lggtqR7WH.
O vendedor de curso de AI é igual à maioria dos fotógrafos que vendem seus LUTs. Só funciona com a câmera dele, no estilo de fotometria e com a lente certa.
Ou seja, você tem que saber o básico, senão você fica muito limitado.
...O problema com a tese de que “UI virou commodity” é que ela confunde UI decente com UI boa. E essa diferença importa, muito.
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If you want to know if you can be a designer engineer, turn off all AI stuff. AI needs to accelerate your process and make it smooth, but not replace your knowledge. If your knowledge is AI, man, you are toast.
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Proibir tirar fotos nas exposições até entendo, mas em uma grama ou área aberta é totalmente sem sentido. Logo num museu que é um espaço para propagar cultura e arte. Detalhe: até point and shoot analógica é proibido 🫠