❓ Gostaria que sua presença na minha vida fosse diferente, faz falta ter um amigo para conversar. És muito adorado por mim, min! 🌸
💬 Me chama que a gente resolve a situação, estou aí para recomeços e esse pode ser o nosso! ❤️ #tellonym https://t.co/Gy7UiJMwYd
(💌) 𝐂𝐚𝐫𝐭𝐚 𝐚𝐛𝐞𝐫𝐭𝐚 𝐚𝐨 𝐦𝐞𝐮 𝐐𝐔𝐀𝐒𝐄 𝐞𝐱-𝐦𝐚𝐫𝐢𝐝𝐨:
@onlydorie,
Eu já comecei essa carta umas três vezes. Na primeira ficou dramática demais, na segunda parecia que eu estava escrevendo nossos votos de casamento de novo e, na terceira, fiquei olhando para o papel por tanto tempo que desisti e fui procurar alguma coisa para comer. Então essa é a quarta tentativa e você vai ter que aceitar, porque eu me recuso a começar uma quinta.
Eu acho que ainda estou tentando entender tudo o que a gente conversou. Na verdade, acho que estou tentando entender como nós dois chegamos ao ponto de sentar um na frente do outro e falar sobre a possibilidade de não estarmos mais juntos. Só de escrever isso meu estômago fica estranho, principalmente porque não aconteceu nada. Você não fez nada, eu não fiz nada, ninguém deixou de amar ninguém. Não teve uma grande briga, não teve uma coisa horrível que a gente pudesse apontar e dizer “foi isso”. A gente só ficou cansado. Ocupado demais. E, sem perceber, começamos a viver correndo um do lado do outro em vez de viver juntos.
Eu odeio pensar nisso. Odeio lembrar de quantas vezes você chegou em casa e eu não estava, quantas vezes eu cheguei e você já estava dormindo, quantos “vamos fazer alguma coisa amanhã?” viraram “semana que vem, prometo”. Quantas mensagens suas eu li pensando que responderia direito depois e, quando percebi, já tinham passado horas. Eu sei que essa é a nossa vida e sei que nós dois amamos o que fazemos. Existem responsabilidades que não podemos simplesmente abandonar, compromissos que não desaparecem só porque estamos com saudade um do outro. Mas, no meio de tudo isso, acho que por alguns momentos esquecemos que nós também somos uma coisa que precisa de tempo.
E você não é alguma coisa que eu quero encaixar no espaço que sobrar do meu dia, Dodo. Você nunca foi.
Acho que foi isso que mais me assustou naquela conversa. Por alguns minutos eu tentei ser racional. Tentei pensar que talvez fosse melhor para nós dois, que talvez a gente estivesse segurando alguma coisa que as nossas rotinas já não conseguiam comportar. Tentei até pensar naquela história de que amar alguém também é saber quando deixar ir, mas não consigo nem escrever isso sem achar uma grande besteira. Porque eu tentei imaginar como seria. De verdade.
Imaginei chegar em casa e não encontrar seus sapatos no caminho. Abrir a geladeira e não ter alguma coisa que você comprou e esqueceu lá. Cozinhar sem você aparecendo para perguntar se já pode provar antes mesmo de eu terminar. Dormir sem ter que disputar o cobertor com você. E, Dorie, eu prefiro passar o resto da minha vida brigando pelo cobertor.
Pode ficar com ele inteiro.
Tá, isso é mentira. Metade ainda é minha. Mas você entendeu.
Eu não quero uma casa perfeitamente organizada se isso significar que só existe a minha vida dentro dela. Eu quero a nossa bagunça. Quero suas coisas misturadas com as minhas, quero olhar para um dia impossível e tentar descobrir onde consigo roubar uma hora para você. Quero jantar tarde quando for o único horário que temos. Quero tomar café da manhã cedo demais só para sentar do seu lado. Quero mandar mensagem perguntando se você comeu e reclamar quando descobrir que não. Quero continuar cuidando de você e quero continuar deixando você cuidar de mim, mesmo quando eu disser que não preciso porque nós dois sabemos que eu sou teimoso demais para admitir certas coisas de primeira.
Acho que entrei no nosso casamento acreditando que amar você seria a parte fácil. E é. Amar você continua sendo muito fácil. O que eu não sabia era que às vezes seria difícil proteger o espaço desse amor quando todo o resto ficasse barulhento demais. Eu não sabia que teríamos que aprender isso também, mas agora sei. E quero aprender com você.
Se tiver uma semana em que a gente só consiga jantar junto uma vez, eu quero essa uma vez. Se tivermos vinte minutos, me dá os vinte. Se nosso domingo precisar acontecer numa quarta-feira, tudo bem. Eu faço alguma coisa gostosa, você escolhe o que vamos assistir e eu prometo tentar não dormir no meio. Tentar, Dodo. Não transforma isso em promessa oficial porque você sabe com quem se casou.
Eu só não quero que a gente volte a achar que, porque não conseguimos ter todo o tempo que gostaríamos, o pouco tempo que temos deixou de importar. Importa para mim. Muito. Você importa muito para mim.
Eu sei que você sabe que eu te amo. Eu falo, eu mostro e provavelmente mostro até demais às vezes, porque aparentemente todo o meu conceito de espaço pessoal desaparece quando se trata de você. Mas ainda assim eu precisava escrever: eu te amo, Dorie. E eu fiquei com tanto medo de perder você.
Essa foi a parte que eu não consegui falar direito quando a gente conversou. Eu fiquei apavorado. Não porque ache que não consigo existir sem você. Nós dois conseguimos. Éramos pessoas inteiras antes de nos encontrarmos e continuamos sendo. Mas eu não quero descobrir como seria a minha vida depois de você. Não quando eu ainda olho para a vida que construímos e quero continuar vivendo dentro dela.
Eu gosto da nossa vida. Mesmo cansada, mesmo corrida, mesmo quando ela não parece nada com aquela versão bonita e organizada que provavelmente imaginamos quando casamos. Eu gosto porque é nossa. Eu quero você chegando em casa, quero ouvir sua voz vindo de outro cômodo, quero envelhecer e continuar implicando com você por coisas idiotas. Quero continuar sendo a pessoa para quem você olha quando acontece alguma coisa boa e pensa “preciso contar para o Gyu”. Quero ser seu marido. E não quero ser seu marido só quando é fácil ser.
Quero ser seu marido quando a gente precisar sentar no chão da sala e admitir que alguma coisa não está funcionando. Quero ser quando estivermos cansados, quando nossos horários não combinarem, quando o trabalho ocupar espaço demais e quando precisarmos descobrir juntos uma maneira nova de fazer isso funcionar. Então, da próxima vez que sentir que eu estou longe demais, me fala. Mesmo se eu estiver ocupado, mesmo se achar que não é a hora. Me puxa pela camisa se precisar. Eu prometo fazer o mesmo com você.
Porque acho que entendi uma coisa depois de tudo isso: eu não casei com você só naquele dia. Eu ainda estou casando com você. Toda vez que volto para casa, toda vez que decido que vale a pena tentar de novo, toda vez que a gente conversa em vez de fugir, toda vez que você me escolhe e eu tenho a sorte de poder escolher você de volta.
E eu escolho você, Dodo. Ainda, de novo e quantas vezes forem necessárias. Hoje eu escolho você. Amanhã você pode me perguntar outra vez e eu provavelmente vou reclamar que já respondi isso umas mil vezes, vou fazer alguma piada idiota e depois vou responder de novo.
Você.
Minha resposta continua sendo você.
Eu te amo.
Gyu.
p.s.: Depois de uma carta dessas, acho que oficialmente mereço 60% do cobertor. E dessa vez não estou aberto a negociações.
❓ vc é alguém que tem problemas de confiar?
💬 Na verdade, meu problema é justamente o contrário. Tenho uma tendência a acreditar muito nas pessoas e achar que elas também vão dar sua melhor versão sempre. #tellonym https://t.co/wFlo8FjlJo