Talvez a falta de tempo sempre tenha sido um disfarce, o alter-ego da monotonia que habita na convivência a dois. Talvez na tentativa falha de sempre guardar o destrutivo só pra mim eu tenha me tornado o disfarce perfeito, o alter-ego de uma obsessão que sequer tem meu rosto.
Mal encontrei o lugar pra me mudar e já sai comprando todo conjunto de louça e tapete que vejo, estou muito animado pra finalmente ter meu canto. Só penso nas flores que vou plantar, nos jogos de cama combinando com as cortinas... Estou tão ansioso que chega a doer.
Adoro quando uma semana super corrida se encerra com um domingo extremamente preguiçoso. Hoje serei tomado pela vaidade de apenas me preocupar em rolar na cama.
Estou procurando incansavelmente um lar, uma casa pra finalmente me mudar desse dormitório. Sinto que a vida que eu levava antes de te conhecer não me serve mais, tudo parece errado. Estou tentando dar meu melhor todo dia, ainda que o meu melhor não seja muito. Que saudade.
O que seriam sete meses de união se tornou o meu primeiro aniversário de solitude. Estou vivendo bem, melhor do que imaginei que viveria. Lembro sempre daquele seu poema "Tudo que amei, amei sozinho." Eu sinto que o vivo todos os dias, aqui sozinho em Seul.
Talvez seja apenas a minha imaginação, quem sabe? Um artista sem as suas assombrações é apenas um sonhador, um garoto que não sabe nada da vida. Coisinha boba.
Enquanto estava voltando pro dormitório vi um gato branco parado na frente da minha porta. Ele parecia familiar, como se estivesse me esperando, mas sumiu antes que eu pudesse me aproximar. Estou com medo.
Estou indeciso entre ir ao shopping comer e passar no fliperama ou só ser uma batatinha de sofá. Estou mais inclinado à segunda opção, não vou negar pra vocês.
Os últimos dias tem sido tão cansativos, estou feliz em finalmente relaxar sem nada urgente pra fazer. Tomei um banho digno de princesa, vesti uma boa lingerie e estou pronto para esquecer de todos os meus problemas. ౨ৎ