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Na minha casa a gente chamava o bidê de "lava-pés". Minha vida toda, até eu me mudar para a capitar, eu achei que servia realmente pra lavar os pés porque isso é bem necessário quando se é criança no interior!
Hoje eu tenho dois filhotões carinhosos, engraçados, saudáveis e mimados pq pessoas incríveis salvaram eles e a mãe do meio da água que tomou Porto Alegre. Essas pessoas seguem trabalhando pros resgatados que não foram adotados e precisam de ajuda pra cobrir os custos de 2024
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Adriano Imperador: “Repara que pra entrar e pra sair da Vila Cruzeiro tem que passar na frente do campo. O futebol se impõe na nossa vida.
Aqui meu pai era feliz de verdade. Almir Leite Ribeiro. Pode chamá-lo de Mirinho, ele era conhecido assim por todo mundo. Um cara de conceito alto. Tô mentindo? Pergunta pra qualquer um.
O Mirinho era um líder da Vila Cruzeiro. Todo mundo respeitava. E ele dava o exemplo. Futebol era com ele. Uma das missões do Mirinho era evitar que a molecada se envolvesse com o que não devia. Ele tentava sempre trazer as crianças pra bola. Não queria ninguém de bobeira. Muito menos vacilando na escola. O pai dele bebia muito. Esse, sim, era alcoólatra. Morreu disso, inclusive. Então, toda vez que via a molecada tomando uma, meu pai não tinha dúvida. Lançava copos e garrafas que estavam pela frente no chão. Mas não adiantava, né? Então, a fera mudou de tática. Quando a gente se distraía, ele arrancava a dentadura e colocava no meu copo, ou no dos meninos que estavam comigo. O cara era danado. Que saudades dele…
Todas as lições que aprendi com meu pai foram assim, nos gestos. Não tínhamos conversas profundas. O velho não era de filosofar nem de ficar dando lição de moral, não. A retidão no dia a dia e o respeito que os outros tinham por ele era o que mais me impressionava.
A morte do meu pai mudou a minha vida pra sempre. Até hoje é um assunto que ainda não consegui resolver. E pra tu ver como são as coisas, a merda toda começou aqui, na comunidade que eu considero tanto.
A Vila Cruzeiro não é o melhor lugar do mundo. Muito pelo contrário.
Porra, meu pai tomou um tiro na cabeça em uma festa no Cruzeiro. Bala perdida. Ele não tinha nada a ver com a confusão. A bala entrou pela testa e ficou alojada na nuca dele. Os médicos não tinham como remover. Depois disso, a vida da minha família nunca mais foi a mesma. Meu pai passou a ter convulsões frequentes.
Tu já viu uma pessoa sofrendo um ataque epiléptico na tua frente? Ah, então não queira ver, negão.
É assustador.”