Quando o IPCA+ paga 7%+ de juro real, deveria comprar Ibovespa?
Fiz o estudo. 305 janelas semanais desde 2003 onde a NTN-B pagou 7% ou mais. Em cada uma, comparei: e se tivesse comprado IBOV no mesmo dia?
Resultado:
1 ano depois: IBOV ganhou em 81% dos casos. Retorno médio +30,7% vs +13,3% do IPCA+.
2 anos: IBOV ganhou em 67%. Retorno médio +52,5% vs +28,8%.
3 anos: empate técnico. IBOV ganhou em 53%. +57,7% vs +47,3%.
5 anos: IPCA+ virou o jogo. Ganhou em 65% dos casos. +92,5% vs +71,9%.
O padrão é claro: quando o IPCA+ bate 7%+, o Brasil tá em estresse. A bolsa tá barata. E quem comprou bolsa no pânico surfou o rali de recuperação — especialmente nos primeiros 12 meses.
Mas quem tinha estômago pra comprar IBOV em 2008 ou 2015? A maioria não. O IPCA+ é o ativo de quem dorme tranquilo. Retorno previsível, garantido pelo Tesouro.
O tradeoff real é esse: IBOV dá mais retorno no curto prazo, mas exige timing e tolerância a drawdown. IPCA+ é a aposta de quem não quer depender de timing.
Hoje o IPCA+ paga entre 7,6% e 8,5%. A janela tá aberta. A pergunta não é "IPCA+ ou Ibovespa". É "quanto de cada".
A SpaceX foi listada há dois dias. Já vale mais que a Amazon.
Não é sobre foguete. É sobre narrativa. Quando o mercado acredita que você é o futuro, o presente vira detalhe.
O Brasil tinha tudo pra ser essa narrativa nos emergentes. Não foi.
O BC do Japão subiu juros para 1% — o maior nível em 31 anos.
Mundo em 2026: Japão aperta. Europa aperta. EUA mantêm. Brasil em 14,5%.
Juro alto não é anomalia brasileira. É a nova normalidade global. Quem acha que vai cair rápido por aqui precisa rever o mapa.
Amanhã o Copom decide. 84% dos gestores esperam corte de 0,25pp na Selic — para 14,25%.
Mas os mesmos gestores estão 80% comprados em dólar. Acham que o BC vai cortar, e ainda assim saíram do real.
O que eles sabem que você não sabe?
Varejo caiu 1,5% em abril. Pior resultado desde 2020.
O BC mantém juro em 14,5%; o governo lança pacote. Uma mão acelera, a outra freia.
A conta? Quem paga é o consumo — combustível caiu 6,2%, pior categoria.
Nenhum pacote resolve o que juro alto desfaz devagar.
UE acabou de vetar carnes brasileiras a partir de setembro. Veto oficial.
Antes foram as tarifas americanas. Agora a barreira europeia.
O agro brasileiro tá espremido nos dois flancos. E o governo ainda não tem resposta clara pra nenhum dos dois.
Bitcoin voltou pra US$ 63 mil. Mas ninguém tá animado.
Sem entrada de institucional novo, sem narrativa nova. Só repique técnico.
Quando o mercado fala "sem convicção", leia: ainda não é hora de euforia. Pode subir. Pode cair. Ninguém sabe. E isso, por si só, já diz muito.
Payroll americano veio forte na sexta. Dólar bateu R$ 5,17 hoje.
EUA empregam mais, Fed adia corte de juros, dinheiro fica nos EUA, real apanha.
A política monetária americana é, na prática, a política cambial brasileira. Já era em 2023. Continua sendo.
Selic projetada: 13,5% em 2026. Foi o que o Focus disse hoje de manhã.
Tradução direta: economistas não estão vendo sinal de alívio. Inflação acima do teto, fiscal sem âncora, mercado precificando juro alto por mais tempo.
Quem paga essa conta não é quem decide o orçamento.
Os EUA disseram que o Brasil pratica comércio injusto por causa do Pix (gratuito), do etanol (subsidiado) e da pirataria digital. Tarifas de até 37,5% em jogo. Isso não é política comercial. É chantagem com currículo.
SpaceX vale US$ 1,77 trilhão. O PIB inteiro da Argentina é US$ 0,6 trilhão. Uma empresa privada vale três vezes um país inteiro. E ainda tem gente discutindo se empresa privada consegue fazer coisa grande.
PIB cresceu 1,1% no 1º tri. Agro puxando, consumo firme. Mas a inflação está em 5,09%, Selic em 14,75% e desemprego subiu para 5,8%. Cresce com juros altos, IPCA fora da meta e saída de capital. Como vai no 2º semestre?
CSN subiu 10% hoje. Usiminas, 7%. Gerdau, 5%. Trump assinou redução de tarifa sobre aço e o mercado tomou como liquidação de ações baratas. Ibovespa +1,3% enquanto o tarifaço de 25% sobre outros produtos ainda nem começou.
Estrangeiros retiraram quase R$ 15 bi da B3 em maio. Maior saída desde 2022. Selic a 14,75%, IPCA projetado em 5,09% e tarifaço americano no radar. O gringo leu o cardápio e preferiu não almoçar aqui.
Pix gratuito virou crime comercial nos EUA. A Seção 301 cita que o Banco Central obrigou gratuidade — o que, segundo o USTR, força concorrentes americanos a subsidiarem um campeão nacional. Tradução: Visa e Mastercard foram a Washington reclamar. E deu certo.
21 ações do Ibovespa caíram mais de 10% em maio. Só 6 subiram pelo menos 10%. Mês brutal pra quem estava comprado. Bem menos pra quem ficou em renda fixa com Selic a 14,75%.
Governo bloqueia R$ 4,9 bi em emendas. Aplauso. Mas as estatais federais sangraram R$ 5,9 bi só até abril. Economia de um lado, vazamento do outro. Ajuste fiscal de vitrine.
IBGE: desemprego subiu a 5,8% em abril. CAGED: 85.888 empregos formais no mesmo mês. Parece contradição, não é. O IBGE mede quem procura e não acha. O CAGED, quem foi contratado. Os dois têm razão — e juntos mostram um mercado menos homogêneo do que parece.